Esta é a altura do ano para mergulhar nas paisagens sonoras que definiram o ano. Selecionar os "melhores" álbuns é sempre uma jornada subjetiva e apaixonada. A lista que preparei representa aquilo que considerei mais inovador, impactante e memorável na música lançada.
- Nick Cave and the Bad Seeds - Wild God - Fontaines D.C. - Romance - Maria Reis - Suspiro - The Cure - Songs Of A Lost World - Charli XCX - Brat - Idles - Tangk - English Teacher - This Could Be Texas - Mercury Rev - Born Horses - Billie Eilish - Hit Me Hard And Soft - The Smile - Wall Of Eyes - Marika Hackman - Big Sigh - Vampire Weekend - Only God Was Above Us - Kim Deal - Nobody Loves You More - MJ Lenderman - Manning Fireworks - Beth Gibbons – Lives Outgrown - Michael Kiwanuka - Small Changes
O ano foi intenso, criativo e cheio de surpresas musicais. Entre retornos aguardados, novos talentos e experiências sonoras que desafiaram géneros, estes álbuns destacaram-se pela originalidade, impacto e consistência artística. Para mim, estes foram os discos que marcaram 2023 — aqueles que não só definiram o som do ano, mas também o meu estado de espírito:
- Lana Del Rey – Did You Know That There’s A Tunnel Under Ocean Blvd - Blur – The Ballad Of Darren - The Clockworks – Exit Strategy - Boygenius – The Record - Slowdive – Everything Is Alive - Depeche Mode – Memento Mori - Sufjan Stevens – Javelin - Anohni and the Johnsons – My Back Was A Bridge For You To Cross - PJ Harvey – I Inside The Old Year Dying - Robert Forster – The Candle And The Flame - Caroline Polachek - Desire, I Want To Turn Into You - The National – First Two Pages Of Frankenstein - Wednesday - Rat Saw God - Bar Italia – Tracey Denim - Belle And Sebastian – Late Developers - The Kills – God Games
“Tenho o mais simples dos gostos. Satisfaço-me com o melhor”, disse um dia Oscar Wilde. E dirão todos os melómanos de gosto também ele simples. Por isso regresso aqui à música que mais ouvi nos últimos doze meses e organizá-la hierarquicamente, ao meu bel-prazer, é inquestionavelmente uma prática hedonista (e claro está, altamente subjetiva).
O disco mais ouvido foi claramente do duo britânico Wet Leg, composto Rhian Teasdale e Hester Chambers e oriundo da ilha de Wight, que inclui canções como "Wet Dream", "Ur Mum", "Angelica", "Being In Love" ou a perfeita “Chaise Longue”, uma das mais trepidantes canções que o rock nos ofereceu nos últimos anos. Em tom infinitamente “blasé”, o duo canta com languidez sobre o malogro das notas escolares, a vontade escapista e a irreprimível vontade de se estender horas a fio numa “chaise longue”, o objeto mais adorado por qualquer preguiçoso que se preze.
- Wet Leg - Wet Leg - Black Country, New Road - Ants From Up There - Angel Olsen - Big Time - Spiritualized - Everything Was Beautiful - The Smile - A Light for Attracting Attention - Beach House - Once Twice Melody - Oumou Sangaré - Timbuktu - Weyes Blood - And in the Darkness, Hearts Aglow - Yeah Yeah Yeahs - Cool It Down - Vieux Farka Touré & Khruangbin - Ali
- Arctic Monkeys - The Car - Julia Jacklin - Pre Pleasure - Fontaines D.C. - Skinty Fia
Segue ainda uma playlist com temas que marcaram 2022:
A pandemia ainda não acabou, os conflitos políticos e sociais continuaram mas no que à música diz respeito e depois de um período de forte instabilidade vivido no ano passado, 2021 foi um ano de fortes emoções. Foi um ano com menos isolamento o que não significou um regresso à normalidade, mas houve muita música nova, com grandes sentimentos e alguma catarse. Segue a lista de discos que mais ouvi bem como uma seleção de músicas memoráveis:
- Nick Cave & Warren Ellis - Carnage - Wolf Alice - Blue Weekend - Idles - Crawler - Dry Cleaning - New Long Leg - The War On Drugs - I Don't Live Here Anymore - Julien Baker - Little Oblivions - Low - Hey What - Billie Eilish - Happier Than Ever - Altin Gün - Yol - Nell Smith & The Flaming Lips - Where The Viaduct Looms - The Weather Station - Ignorance - Black Country, New Road - For The First Time
E chegámos ao fim de 2020 (finalmente), o ano que vai ser recordado durante
bastante tempo e, infelizmente, pelas piores razões. O ano da pandemia dinamitou
todos os quadrantes da sociedade e o da cultura foi, claramente, dos mais
atingidos. Concertos e festivais cancelados e adiados, músicos sem lugar para
ensaiar, gravar e tocar, e um público sem ter acesso aos seus artistas
favoritos. Um ano totalmente atípico que, esperamos, não venha a ser igualado no
futuro.
Num ano de muitos discos (e tempo passado em casa para os escutar), aqui
fica uma lista dos 20 discos que mais gostei de escutar este ano.
A época que atravessamos é apropriada para a elaboração de balanços. E o resultado é de um saudável ecletismo; não por um desejo irreprimível de “ir a todas” mas pela simples constatação de que cada vez faz menos sentido espartilhar a música produzida por estes dias.
As listas de melhores discos do ano valem o que valem. Quero dizer, podem constituir um guia generoso e prático onde estão escarrapachados os discos mais marcantes do ano que passou, mas nunca devem ser lidas como se se tratassem das Sagradas Escrituras.
- Nick Cave and the Bad Seeds - Ghosteen
- Sharon Van Etten - Remind Me Tomorrow
- Fontaines D.C. - Dogrel
- Angel Olsen - All Mirrors
- Purple Mountains - Purple Mountains
- Vampire Weekend - Father of the Bride
- Lana Del Rey - Norman Fucking Rockwell
- The National - I Am Easy to Find
- FKA Twigs - Magdalene
- Billie Eilish - When We All Fall Asleep, Where Do We Go?
- Michael Kiwanuka - Kiwanuka
- Slipknot - We Are Not Your Kind
- Tool - Fear Inoculum
- Weyes Blood - Titanic Rising
- Thom Yorke - Anima
- Foals - Everything Not Saved Will Be Lost (Part 1)
- Cigarettes After Sex - Cry
- Swans - Leaving Meaning
- Ex:Re - Ex:Re
- Tindersticks - No Treasure But Hope
Não há como evitar. Chegada esta altura do ano perdemos algum tempo a tentar elencar os melhores do ano na música que foi sendo feita. É o tipo de eleição que vale o que vale, pois tenho para mim que a música não é a mesma coisa que uma corrida de Fórmula 1.
- Low - Double Negative
- Idles - Joy As An Act Of Resistance
- Cat Power - Wanderer
- Shame - Songs of Praise
- Arctic Monkeys - Tranquility Base Hotel & Casino
- Snail Mail - Lush
- Father John Misty - God’s Favorite Customer
- The Saxophones - Songs of the Saxophones
- Car Seat Headrest - Twin Fantasy
- The Breeders - All Nerve
- Spiritualized - And Nothing Hurt
- Yo La Tengo - There’s a Riot Going On
- Lucy Dacus - Historian
- Marlon Williams - Make Way for Love
- Anna Calvi - Hunter
- Iceage - Beyondless
- Kurt Vile - Bottle It in
- Wild Pink - Yolk In The Fur
- Belle & Sebastian - How To Solve Our Human Problems (Parts 1-3)
- Beach House - 7
Existem discos que nos dizem coisas sobre o mundo, discos que nos põem a dançar no mundo de formas que nem julgávamos possíveis, discos que nos explicam, ponto por ponto, que raio andamos aqui a fazer neste tal mundo, discos que nos deixam intrigados e fascinados e assombrados. Eis os discos que mais me assoberbaram em 2017.
- Wolf Alice – Visions Of A Life
- Aldous Harding – Party
- The National – Sleep Well Beast
- The XX – I See You
- LCD Soundsystem – American Dream
- Cigarettes After Sex – Cigarettes After Sex
- Circuit Des Yeux – Reaching For Indigo
- The Horrors – V
- Courtney Barnett & Kurt Vile – Lotta Sea Lice
- ∆ (alt-j) – Relaxer
- Nadia Reid – Preservation
- Thurston Moore – Rock N Consciousness
- Broken Social Scene – Hug Of Thunder
- Arcade Fire – Everything Now
- Father John Misty – Pure Comedy
- Fever Ray – Plunge
- The War On Drugs – A Deeper Understanding
- Julie Byrne – Not Even Happiness
- Mark Lanegan Band – Gargoyle
- Alvvays – Antisocialites
Vivemos num tempo em que há cada vez menos artistas que são capazes de produzir um sentido que é apreensível por quase todos. Num tempo em que a cultura popular se encontra fragmentada e não produz efeitos sobre os comportamentos e a memória colectiva.
Ao nível cultural, vive-se cada vez mais em pequenos nichos que não se tocam entre si, mergulhados na imensidão do espaço digital, procurando, com ansiedade, a qualidade no meio de imensa quantidade. Com tamanha segmentação de estilos, gostos e subculturas, parece que caminhamos todos os dias para infinito.
Para as pessoas da minha geração, as mortes deste ano constituíram um forte abalo, senão mesmo a morte, da sua adolescência. 2016 foi um ano em que a morte pairou e vai deixar muitas saudades dos que viu partir: logo em Janeiro foi David Bowie, Prince em Abril, Leonard Cohen em Novembro e agora George Michael no dia de Natal. Claro que mais do que chorar a morte, devemos celebrar a vida mas…
Este ano, alguns dos discos que mais me impressionaram foram assombrados pela morte, como os álbuns de David Bowie e de Leonard Cohen, mas também de Nick Cave, cujo filho Arthur, de 15 anos, faleceu numa queda de um penhasco de 18 metros em Brighton, Inglaterra, ou do malogrado membro dos A Tribe Called Quest, Phife Dwag, que ainda participou na gravação do último disco e nos deixou aos 45 anos.
São discos com canções comoventes e dramáticas, mas ao mesmo tempo belas e esperançosas. No fundo, trata-se de ver tudo à volta a sucumbir, e mesmo assim, tentar dar algum sentido à vida, por muito difícil que seja, socorrendo-se sempre da sua arte.
Cá vai então a lista das minhas preferências musicais de 2016:
- Nick Cave & The Bad Seeds – Skeleton Tree
- Elza Soares – A Mulher Do Fim Do Mundo
- David Bowie – Blackstar
- PJ Harvey – The Hope Six Demolition Project
- Radiohead – A Moon Shaped Pool
- Leonard Cohen – You Want It Darker
- Angel Olsen – My Woman
- Kevin Morby – Singing Saw
- Hope Sandoval & the Warm Inventions – Until The Hunter
- Iggy Pop – Post Pop Depression
- Heron Oblivion – Heron Oblivion
- Lambchop – Flotus
Com uma menção honrosa destaco Anohni (“Hopelessness”), Savages (“Adore Life”), Cass McCombs (“Mangy Love”), Daughter (“Not To Disappear”), Warpaint (“Heads Up”), Car Seat Headrest (“Teens Of Denial”), Christine and the Queens (“Chaleur Humaine”), Michael Kiwanuka (“Love And Hate”), Tegan and Sara (“Love You To Death”) e Bon Iver (“22, A Million”).
Finalmente, guilty pleasures que também editaram no presente ano e que continuam a deliciar-me: The Kills (“Ash And Ice”), Suede (“Night Thoughts”), Tindersticks (“The Waiting Room”), James (“Girl At The End Of The World”), The Divine Comedy (“Foreverland”), Explosions In The Sky (“The Wilderness”) e Pixies (“Head Carrier”).
2015 trouxe álbuns fantásticos, uma mão-cheia de revelações e novas vidas de artistas consagrados. Na lista compilada abaixo encontram-se aqueles que mais ouvi:
- Car Seat Headrest – Teens Of Style
- Foals – What Went Down
- Jamie XX - Colours
- Ryan Adams – 1989
- Torres (Mackenzie Scott) - Sprinter
- Father John Misty – I Love You, Honeybear
- Robert Forster – Songs To Play
- Joanna Newsom – Divers
- Sufjan Stevens – Carrie And Lowell
- Grimes – Art Angels
- Benjamin Clementine – At Least For Now
- Wolf Alice – My Love Is Cool
Como 2015 foi um ano rico em edições, destaco ainda outros lançamentos que também mereceram a minha atenção: Beach House (dois discos fantásticos separados por dois meses!), Blur, Tame Impala, Alabama Shakes, Low, Destroyer, Sun Kill Moon, Laura Marling, El Vy (Matt Berninger fora dos The National), Guy Garvey (vocalista dos Elbow), FFS, Belle & Sebastian, Lana Del Rey, The Maccabees, Kurt Vile, Julia Holter e Yo La Tengo.
Mais uma vez tentei organizar de forma hierárquica a música que mais ouvi nos últimos doze meses. Prática hedonista mas ausente de objectividade. Ouvi essencialmente bandas já minhas conhecidas, que editaram bons discos em 2013, em vários casos repetindo excessivamente a sua fórmula de sucesso (Suede, Placebo, Tindersticks, The Strokes).
1. Arcade Fire - Reflektor
2. Arctic Monkeys - AM
3. Savages - Silence Yourself
4. The National - Trouble Will Find Me
5. Julie Holter - Loud City Song
6. Daughter - If You Leave
7. Vampire Weekend - Modern Vampires Of The City
8. David Bowie - The Next Day
9. Kanye West - Yeezus
10. Nick Cave & The Bad Seeds - Push The Sky Away
Com o fim do ano não muito longe do horizonte, já é possível destacar os discos que se evidenciaram e que ainda não pararam de rodar:
1. The National – High Violet
2. Arcade Fire – The Suburbs
3. The Drums – The Drums
4. Karen Elson – The Ghost Who Walks
5. Broken Bells – Broken Bells
6. Beach House – Teen House
7. Vampire Weekend – Contra
8. Caribou – Swim
9. LCD Soundsystem – This Is Happening
10. Isobel Campbell & Mark Lanegan - Hawk
11. The Books - The Way Out
12. Stars - The Five Ghosts
E as canções mais viciantes:
1. Hurts - Better Than Love
2. The Drums - Forever And Ever Amen
3. Florence & The Machine - You’ve Got The Love
4. Marc Ronson & The Business INTL - Bang Bang Bang
5. Scissor Sisters - Fire With Fire
6. The Courteeners - You Overdid It Doll
7. 30 Seconds To Mars - Kings And Queens
8. Delphic - Counterpoint
9. We Are Scientists - Nice Guys
10. Funeral Party - NYC Moves To The Sound Of LA
11. Sub Focus (Ft Coco) - Splash
12. Hot Chip - I Feel Better
Fim de ano, época de balanços e de selecção dos melhores.
10 Discos:
1 - Vampire Weekend - Vampire Weekend
2 - MGMT - Oracular Spectacular
3 - The Ting Tings - We Started Nothing
4 - Kills - Midnight Boom
5 - Portishead - Third
6 - Kings Of Leon - Only By The Night
7 - Last Shadow Puppets - Age Of The Understatement
8 - Santogold - Santogold
9 - Cat Power - Jukebox
10 - Kaiser Chiefs - Off With Their Heads
10 Canções (mais viciantes):
1 - That's Not My Name (Ting Tings)
2 - L.E.S. Artists (Santogold)
3 - Time To Pretend (MGMT)
4 - Sex On Fire (Kings Of Leon)
5 - A-Punk (Vampire Weekend)
6 - Never Miss A Beat (Kaiser Chiefs)
7 - I'm Not Going To Teach Your Boyfriend How To Dance With You (Black Kids)
8 - Mercy (Duffy)
9 - I'm Good, I'm Gone (Likke Li)
10 - Human (The Killers)