sábado, 22 de março de 2014
Richard Zimler - A Sentinela
Este livro de escrita fluida e realista, presenteia-nos com um enredo muito interessante e invulgar e com um ritmo narrativo por vezes impressionante. Muito diferente das obras anteriores, Zimler aqui num registo próximo do policial, em que a personagem principal é um inspector da Polícia Judiciária oriundo do Colorado, EUA, que tenta desvendar um assassinato mas acaba por tropeçar também em abusos sexuais de menores de natureza brutal (e por isso é duro de ler, pela impotência perante descrições atrozes) e casos de subornos envolvendo altas personalidades de Portugal. Aliás, em relação a este último aspecto, o autor caracteriza o estado actual do nosso país de uma forma crua e real, chegando ao ponto de fazer referência a alguns casos sobejamente conhecidos, não se inibindo de expor a corrupção e os abusos de poder nas altas esferas políticas.
Monroe, o tal inspector, vive assombrado pelo seu passado. Vítima de violência física e psicológica na sua infância por parte do pai e sentindo-se abandonado pela mãe desde os 14 anos (quando esta morreu num acidente de viação), tem no irmão Ernie (que atravessa um calvário ainda maior) um companheiro nesta revolta pessoal pelo sofrimento que o acompanha desde a infância. Por isso a componente psicológica é fulcral, e aumenta quando se toma conhecimento de que o distúrbio de personalidade múltipla acompanha-o desde os 8 anos, altura em que Gabriel (“G”) – a Sentinela - lhe surgiu pela primeira vez. G será uma presença constante na sua vida e constituirá uma valiosa ajuda na resolução de casos. Desta forma a trama intercala a postura de homem de família, bom colega e bom profissional, para subitamente acordar o seu lado mais revoltado e cruel (G). Esta combinação de dor com cenas mais calmas de puro amor familiar e filial aumenta a complexidade da personagem sendo estes retrocessos da acção até à infância dos dois irmãos, descritos de forma pungente. A necessidade de ternura e afecto chegam a ser um pouco exagerados:
“O absurdo de acenar aos meus filhos mesmo quando estavam a poucos metros de mim nunca deixou de dar a sensação de ter penetrado num mundo de ternura onde só podem acontecer coisas boas.”
"Ser pai é para mim uma constante surpresa. Provavelmente porque tudo parece passar demasiado depressa."
O assassinato do empresário Coutinho, o tráfico de influências, os abusos de menores (“a crueldade nunca sai de moda”), os dois suicídios, a vida familiar, a cidade de Lisboa como pano de fundo, o Black Canyon no Colorado, os anúncios de publicidade do Jorge, as angústias do protagonista, a homossexualidade, o Om (ॐ), os pequenos poemas Haikus, os dois tiros (na perna e ombro), sucedem-se e o final seria inesperado se se tratasse de um vulgar policial…
As referências encontradas ao longo da obra vão desde a literatura (Philip Roth e “Casei Com Um Comunista”; poemas de Pablo Neruda; Isabel Allende; Dickson Carr; Raymond Chandler; “Queimada” de P.C. Cast + Kristin Cast; o livro “Deaf People in Hitler's Europe”), à música (P.J. Harvey; The Killers; Carlos Gardel; Bing Crosby; The Shirelles; The Chordettes; Andrew’s Sisters e o álbum Lungs de Florence + The Machine, especialmente a canção Dog Days Are Over e o seu primeiro verso: Happiness hit her like a train on a track - a felicidade atingiu-a como se fosse um comboio descontrolado) a figuras da sociedade e do mundo de negócios (com nomes de 4 ministros do actual governo, Mariza, Fernando Gomes, Américo Amorim, Paula Rego, Júlio Almeida, Carlos Botelho, Miguel Relvas e Isaltino Morais).
Para memória futura:
“Porque obrigar uma pessoa a escolher entre aqueles que ama é a melhor forma de a destruir.”
“- Portugal… - disse ele, abrindo os braços como se para abraçar o país inteiro – é o país onde as regras não passam de sugestões!”
“O nosso sistema de filtragem está gravemente avariado: em vez de rejeitar as pessoas mais corruptas, o aparelho político permite-lhes subir até ao topo.”
segunda-feira, 10 de março de 2014
Angel Olsen – Burn Your Fire For No Witness
Ao segundo álbum, a cantora/compositora de indie folk Angel Olsen é já um caso sério. Ao ouvirmos este disco de natureza melancólica, sem esforço e quase sem darmos conta entramos no mundo de uma perfeccionista cuja música aparentemente simples e transparente, se torna verdadeiramente cativante. E o que aqui podemos ouvir são 11 canções perfeitamente esculpidas, eficazes e de texturas ricas, valorizadas pela infinidade de recursos melódicos e frescura que imprimem.
Hi-five / So am I! / All of your life / Stuck inside / I’m stuck too / I’m stuck with you / I do
sábado, 8 de março de 2014
Philip Roth - O Complexo de Portnoy
Aparentemente a ideia de um livro que se baseia unicamente num monólogo, em que o protagonista (Alexander Portnoy) se dirige ao seu psiquiatra (Dr. Spielvogel), relatando um universo neurótico, dificilmente poderia resultar numa história profunda, absorvente e divertida. Mas é disto que se trata nesta obra de um dos meus autores contemporâneos favoritos. Mais uma vez é impressionante o seu nível de maturidade da escrita, o seu grau de lucidez nas leituras da realidade e o traquejo na arte da construção do romance.
No sofá do seu psiquiatra Portnoy divaga sobre a religião, pai, mãe, irmã, cunhado, masturbação, relações, adolescência, vida adulta e Nova Iorque. E fala e fala e não sabemos onde quer chegar, mas não se consegue parar de ler! Não tanto pela curiosidade do que acontece pois a obra não está arquitectada de modo a que o leitor alimente expectativas em relação ao final, mas acima de tudo porque o modo como Philip Roth escreve é altamente viciante.
Assim este romance pouco convencional, publicado em 1969 (em Portugal só em 2010!), constituiu um escândalo na altura pelo seu hiper-sexualismo, que para alguns poderá resultar numa leitura incómoda (para comprovar basta ler o título do segundo e quarto capítulos que não vou aqui reproduzir) mas também pelo forte ataque à cultura judaica (e à cultura familiar), mesmo tendo em conta que o autor também é judeu.
O narrador parte da infância e chega à idade de 33 anos, fazendo no entanto algumas deslocações no tempo na sua narrativa. Num registo que nos remete para um filme de Woody Allen, logo no primeiro parágrafo, Portnoy chama à mãe, que é omnipresente e ainda controla a sua vida, que o alerta para os perigos das raparigas não-judias, e, aqui e ali, aponta-lhe uma faca quando ele não quer comer a refeição, “a figura mais inesquecível que eu já conheci”. Por sua vez, o pai é um homem apagado, que chora muito e sofre de permanente obstipação. Metaforicamente, significa que não consegue atirar a sua merda cá para fora, pelo que a violência exercida sobre o filho cabe por exclusivo à mãe, daqui resultando a neurose narrada.
Portnoy, um génio com um QI de 158, que avançou dois graus na escola primária, advogado de sucesso, apresenta a descoberta da sua sexualidade, por vezes pouco ortodoxa, desenfreada (a única excepção é a Terra Prometida), expondo-a de forma despudorada, embrulhada num humor de levar às lágrimas (no entanto repito que poderá originar incómodo em alguns leitores dada a sua natureza incisiva e a ausência de qualquer receio de ferir por parte do autor).
Ao longo da sua vida Portnoy interessa-se sobretudo por raparigas não-judias mas recusa frontalmente o amor romântico. Nunca se satisfaz sexualmente de forma plena, nem consegue amar ninguém. Entre elas está a Macaca, uma mulher que ele engata à entrada de um táxi, com quem tem bom sexo e chega mesmo a sentir uma empatia que nunca sentira antes. A Macaca é uma espécie de namorada-troféu. Portnoy não toma a aceitação da Macaca em participar num “ménage-à-trois” como um símbolo de intimidade entre o casal. Portnoy deseja as mulheres mas, uma vez consumado o desejo, qualquer movimento delas em sua direcção é tido como uma agressão, como uma confirmação das ameaças maternais. Portnoy, simplesmente, tem demasiada mãe para poder aceitar outra mulher “dentro” dele: “A minha mãe castrou-me.” Apetece plagiar o título do primeiro capítulo e concluir que Portnoy é “A personagem mais inesquecível que eu já conheci”.
quarta-feira, 5 de março de 2014
Mario Vargas Llosa - Pantaleão e as Visitadoras
“Pantaleão e as visitadoras” é um romance divertido, cómico, que se lê por puro prazer, narrado por meio de cartas, memorandos, programas de rádio e relatórios militares cheios de bom humor e de ironia, intercalados com discursos que se cruzam de uma forma no mínimo invulgar, pois Vargas Llosa brinca com os diálogos misturando simultaneamente diferentes conversas. No início, o leitor desprevenido estranha este tipo de escrita que é acompanhada com um sorriso constante nos lábios e por algumas valentes gargalhadas. Aqui, a prostituição, o fanatismo religioso e o funcionamento de grandes instituições, como o Exército, entrelaçam-se para justificar acções levadas ao extremo. No fundo trata-se sobretudo de uma crítica à burocracia e à hipocrisia da máquina militar, à falsa moral de uns e outros, à facilidade com que um pseudo guia religioso arrebanha as massas e ao poder da comunicação social.
Na história apresentada como verídica e passada no final da década de 50, o dedicado capitão do exército peruano Pantaleão Pantoja é chamado a desempenhar uma função original e secreta em Iquitos: criar um corpo de visitadoras (eufemismo para prostitutas) que se desloque aos vários estabelecimentos militares dispersos pelo Peru para prestar os seus serviços, evitando desta forma os abusos e as violações dos militares à população civil e… até aos animais! Pantaleão era a pessoa ideal para realizar tal empreitada: não gostava de sair à noite, não apreciava bebidas alcoólicas, nunca tinha entrado num bordel e era tido como eficiente e organizado.
O SVGPFS – Serviço de Visitadoras para Guarnições, Postos de Fronteira e Similares – torna-se um sucesso absoluto, o número de visitadoras cresce exponencialmente, e até a Marinha, os oficiais e a população civil solicitam os serviços das visitadoras. Em termos logísticos também se verifica um aumento significativo dos seus meios de transporte (barcos e aviões). Em oposição ao sucesso “profissional”, a vida familiar do capitão complica-se, é abandonado pela mulher e pela filha recém-nascida e apaixona-se por uma visitadora, a belíssima “Brasileira”, a “involuntária semeadora de tragédias”, personagem que será fulcral para o desenvolvimento da história. Relevante será também a infiltração de uma seita religiosa no país, que crucifica de início pequenos animais e depois pessoas.
Acrescento mais alguns pontos de interesse: o radialista corrupto “Sinchi”; os relatórios estatísticos e os questionários criados por Pantaleão; a formalidade dos textos militares; o nome das visitadoras; a Casa de Ferro de Eiffel; a “Eva” e o “Dalila”; o óleo de golfinho e o hino criado pelas visitadoras, com o refrão:
Servir, servir, servir
O Exército da Nação
Servir, servir, servir
Com muita dedicação
Quando um barco que transportava as visitadoras é atacado, os agressores tentam fazer-se passar por elementos da seita religiosa e crucificam a “Brasileira”, morta pelos soldados que tinham sido avisados do ataque. No seu enterro, Pantita discursa e assume a sua condição de militar, até então guardada em segredo, e o escândalo daí resultante leva ao encerramento do serviço, à sua mudança para uma zona fria e ao reencontro com a mulher e a filha.
Acrescento apenas que me desagradou a colossal quantidade de gralhas que detectei nesta edição da Dom Quixote, aceitável no comunicado da ex-visitadora Maclóvia mas pouco desculpáveis nas restantes situações.
"Pantaleão e as visitadoras" foi adaptado ao cinema no Peru em 1999 por Francisco J. Lombardi. Apesar do gozo proporcionado pela sua visualização, o filme perde em autenticidade, facto previsível dada a dificuldade natural de transpor para o cinema a escrita única de Llosa. As principais diferenças detectadas foram: a acção decorre no final da década de 90, com telemóveis e computadores; não aparecem certas personagens como a Dona Leonor ou o China; não há qualquer referência à seita religiosa ou ao hino das visitadoras; a criação de um uniforme para as visitadoras; a “Brasileira” passa a “Colombiana”; a filha Gladys agora chama-se Marina e, talvez mais importante, o filme centra-se na relação entre Pantoja e a “Colombiana”.
sábado, 1 de março de 2014
Money - The Shadow Of Heaven
Eis o disco que ainda não me cansei de ouvir nos últimos tempos, a fazer lembrar os bons velhos tempos, pré-mp3 e mesmo pré-CD, em que se descobria um bom álbum e passavam-se semanas e mesmo meses a ouvi-lo de forma consecutiva, muitas vezes gravado nas “extintas” cassetes de áudio para não deteriorar o vinil original. Assim aconteceu por exemplo com “The Queen Is Dead” dos Smiths; “Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me” dos Cure; o álbum de estreia dos Stone Roses; o “Nevermind” dos Nirvana e “Different Class” dos Pulp, entre muitos outros.
Neste disco de estreia, os Money, oriundos de Manchester, apresentam um conjunto de canções intrigante mas muito convincente que dão à sua música um carácter quase religioso, desconcertante e de uma tristeza intensa, fazendo lembrar os caminhos trilhados por Joy Division, The Cure ou Nick Cave no passado, ou mais recentemente, os Arcade Fire.
Embora por vezes escape para explorações mais livres, a predominância de ambientes sonoros guiados por rifes de guitarra melódicos e pela voz misteriosa do vocalista Jamie Lee, eleva a dimensão épica de cada uma das canções do disco.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Antonio Garrido - O Leitor de Cadáveres
Com uma capa e tema cativantes, este “O Leitor de Cadáveres” está muito bem arquitectado, com uma excelente pesquisa histórica onde se mistura ficção e realidade proporcionando um retrato duro e cruel da china imperial.
É uma espécie de policial histórico, cheio de ritmo, suspense e emoções, com mistério, intriga, crimes para solucionar e muitas reviravoltas. Baseia-se numa personagem histórica real do século XII, Song Cí, de origem chinesa, considerado o primeiro médico legista da História, que publicou o primeiro tratado da ciência forense de que há memória.
Na primeira parte do livro, Cí, de 20 anos, é apresentado como um rapaz humilde, lutador, culto e inteligente que é confrontado com uma série de adversidades indissociáveis da época: a morte das suas duas irmãs mais novas; a condenação à morte do seu irmão Lu e consequente execução; a morte dos pais após uma explosão na sua habitação; a excomunhão da sua aldeia e o título de fugitivo; vítima de assalto e envenenamento por uma flor – Aroma de Pêssego – ficando sem o barco que estava à sua responsabilidade e sem a sua irmã; pobreza extrema vivida com a irmã quando chegou à cidade de Lin’an; participação no mortal “desafio do dragão” pela segunda vez na sua vida; assunção de que o seu pai foi condenado por corrupção (e por isso não pode obter o seu Certificado de Habilitações); a morte trágica da irmã Terceira; problemas com o seu colega de quarto Astúcia Cinzenta na academia Ming e o cruzamento com o adivinho Xu, vigarista cruel, numa cidade onde abundam os “vadios, mendigos, assassinos, fura-vidas, bonecreiros e charlatães.”
Na segunda parte, Cí é-nos apresentado como "O Leitor de Cadáveres", onde se destaca a sua obsessão pelos estudos, pela busca do conhecimento, uma vontade constante de aprender e, acima de tudo, o desejo de inovar na sua “arte”, de criar métodos e técnicas que marcaram os primeiros passos numa ciência preponderante na actualidade. Destaco a forma como soluciona um assassinato à frente do mestre Ming, envergonhando o seu melhor aluno (Astúcia Cinzenta), o ingresso na academia Ming e a posterior chegada ao palácio Imperial, a convite do próprio Imperador! E mais não conto… Apenas acrescento que, na minha opinião, existe uma pequena falha: o autor termina o texto sem fazer qualquer alusão ao destino de Astúcia Cinzenta.
Algumas curiosidades: a doença de Cí; os costumes da época (como o luto de três anos pela morte de um dos pais e o consequente abandono da vida pública) por vezes difíceis de aceitar; a referência à vida sexual desta época com termos como o “talo de jade” e a “caverna do prazer”, incluindo abertamente o tema da homossexualidade; a punição de qualquer falha com pesados castigos físicos; a referência à primeira arma de fogo (handgun) e o nome das personagens (Lu, Terceira, Cereja, Shang, Aroma de Pêssego, Feng, Kao, Bo, Bao Pao, Senhor do Arroz, Coração Suave, Astúcia Cinzenta, Suave Golfinho, Mestre Ming, Ningzong, Xu e a nushi Íris Azul), que é justificado na Nota de Autor que consta no final da obra, onde também disserta sobre o que é um romance histórico. O livro termina com um pequeno glossário e uma resenha biográfica do “verdadeiro” Song Cí.
Antonio Garrido através de uma leitura simples leva-nos a tentar compreender como as pessoas viviam nessa época, como se comportavam, como se vestiam, o que comiam, recheando assim a narrativa com dados que trazem realismo à acção. Consegue prender o leitor com tanta força que é difícil largar o livro antes de chegar a ultima página, o que facilitou a leitura compulsiva destas 500 páginas em 5 dias, sempre com os sentidos pregados ao livro. Fascinante!
domingo, 2 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Ricardo Adolfo – Mizé - Antes Galdéria do que Normal e Remediada
E se de repente a sua esposa, com quem está casado há quatro anos, aparecesse a protagonizar um filme porno que alugou no clube de vídeo do seu bairro para ver em conjunto com os seus melhores amigos? Este é o tema desta obra de Ricardo Afonso, agradável e divertida, mas sem grandes pretensões literárias.
Mizé é uma mulher com uma insatisfação material gigantesca e para quem as pessoas “dividem-se entre aquelas que faziam pela vida e as outras que deixavam que a vida fizesse por elas” e que antes de casar “deixou óptimas recordações em vários bancos de trás” (aliás foi nesse local que lhe foi feito o pedido de casamento após uma sessão de sexo). Enquanto não concretiza o seu sonho de ser uma famosa vedeta internacional (e de aumentar o tamanho das suas mamas), torna-se cabeleireira e casa-se com Palha, um ingénuo vendedor de batatas fritas que sonhava ter a mulher mais atraente do mundo. Quando Palha descobre o tal filme porno, no livro designado por “filme de putas”, parte numa busca ao mundo da pornografia para saber toda a verdade obscura do passado da sua mulher. Cheio de dúvidas e com problemas no emprego e no seu grupo de amigos, Palha vê lentamente a vida que conhecia desmoronar-se.
Apesar do prazer obtido com a leitura muito bem escrita desta sátira à classe baixa portuguesa, e da excelente capa da fotógrafa Ellen von Unwerth (que me fez recordar a capa do álbum de 1998 dos Pulp – “This is Hardcore”), não apreciei particularmente algumas incoerências gramaticais e o calão excessivo.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Agora que o Dexter se reformou, o Brody foi enforcado pelos iranianos e os zombies e a fantasia de Westeros foram de férias, estou a seguir três novas séries que já me conquistaram: Under The Dome, Suits e The Following.
“Under The Dome” reúne ficção científica e mistério, é baseada no livro homónimo do mestre Stephen King, recentemente editado em Portugal. A série acompanha a história dos habitantes da pequena cidade de Chester's Mill, no estado do Maine, que inexplicavelmente se vê sob uma cúpula enorme e transparente, mantendo a população separada do resto do planeta. O terror vivido nesta povoação isolada do mundo inclui mortes macabras servidas a sangue frio e fenómenos inexplicáveis. Mike Vogel, Rachel Lefevre e Dean Norris (conhecido de Breaking Bad), são os actores que mais se destacam.
“Suits” acompanha dois jovens advogados que resolvem vários casos jurídicos com algum humor sarcástico. Harvey Specter (Gabriel Macht) é o advogado de sucesso (best closer de Nova Iorque), arrogante, ambicioso, mentiroso, astuto e insensível; Mike Ross (Patrick J. Adams) é o jovem contratado no primeiro episódio (de forma hilariante), genial, esforçado e com memória fotográfica. Estas personalidades distintas dão força à trama, que se desenvolve em torno de intrigantes casos jurídicos. Duas curiosidades: o nome da série deve-se ao facto de Specter considerar que a comunicação interpessoal varia consoante a forma como estamos vestidos e… Ross não tem qualquer licenciatura em Direito.
“The Following” é um thriller policial com muito suspense que se baseia na complexa relação entre o serial killer maquiavélico Joe Carroll (James Purefoy) e o ex-agente do FBI Ryan Hardy (o sempre espectacular Kevin Bacon). Carroll inspira-se nas obras de Edgar Allan Poe (o que me obrigou a reler os seus Contos Completos) e parece ter aprendido com Michael Scofield a arte da fuga de prisões e Hardy é chamado para o tentar encontrar, pois conhece-o melhor que ninguém, tanto a nível psicológico como intelectual. Harry tinha-se reformado após capturar Carroll, por ter assassinado 14 alunas na universidade onde ensinava literatura. O problema é que após a fuga de Carroll, Hardy compreende que não está só à procura de um fugitivo mas de um culto maciço de serial killers criados e manipulados pelo assassino durante a sua estadia na prisão, criando assim uma legião de seguidores.
sábado, 28 de dezembro de 2013
As Minhas Melhores Leituras de 2013
1. Afonso Cruz - Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas
2. Haruki Murakami - O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo
3. Hilary Mantel - O Livro Negro
4. Carlos Ruiz Zafón - Marina
5. Gillian Flynn - Em Parte Incerta
6. Timur Vermes - Ele Está de Volta
7. Mario Vargas Llosa - O Herói Discreto
8. David Foster Wallace - Uma Coisa Supostamente Divertida Que Nunca Mais Vou Fazer
9. Joel Dicker - A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert
10. Sam Savage - Firmin
11. Jø Nesbo - O Boneco de Neve
12. Agatha Christie - Autobiografia
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Os Melhores Discos do Ano 2013
2. Arctic Monkeys - AM
3. Savages - Silence Yourself
4. The National - Trouble Will Find Me
5. Julie Holter - Loud City Song
6. Daughter - If You Leave
7. Vampire Weekend - Modern Vampires Of The City
8. David Bowie - The Next Day
9. Kanye West - Yeezus
10. Nick Cave & The Bad Seeds - Push The Sky Away
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
The Story of a Film - An Odissey – Mark Cousins
Acabei de ver um documentário riquíssimo sobre a designada sétima arte, editado muito recentemente em Portugal (o pack é constituído por 5 DVD e custou 29,90€). Perdi 15 horas mas fiquei deliciado e seguramente que o irei rever várias vezes. Está dividido em 15 capítulos de cerca de uma hora cada e foi realizado e narrado por Mark Cousins, um crítico de cinema da Irlanda do Norte.
Recomendo vivamente a todos os amantes de cinema. Trata-se de uma obra-prima, aborda os cerca de 120 anos da história do cinema e, pasme-se, evoca mais de 1000 filmes ao longo das tais 15 horas! Um autêntico curso de cinema. Cinema mudo, Hollywood, Bombaim, Nouvelle Vague, neo-realismo europeu, blockbusters americanos, etc. Há espaço para todas as temáticas cinéfilas. Deslumbrante.
Disco 1
1 - O Nascimento do Cinema (1895-1920)
2 - O Sonho de Hollywood (Anos 20)
3 - Expressionismo, Impressionismo, Surrealismo (Anos 20)
Disco 2
4 - O Aparecimento do Som (Anos 30)
5 - Cinema do Pós-Guerra (Anos 40)
6 - Sexo e Melodrama (Anos 50)
Disco 3
7 - Nova Vaga Europeia (Anos 60)
8 - Novos Realizadores, Novas Formas (Anos 60)
9 - Cinema Americano dos Anos 70
Disco 4
10 - Filmes para Mudar o Mundo (Anos 70)
11 - O Aparecimento dos Multiplex e o Mainstream Asiático (Anos 70)
12 - Luta Contra o Poder: o Protesto no Cinema (Anos 80)
Disco 5
13 - Novas Fronteiras: Cinema do Mundo na África, Ásia e América Latina (Anos 90)
14 - Independentes Americanos e Revolução Digital (Anos 90)
15 - O Cinema Hoje e o Futuro (Anos 2000)
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
5 Dias, 5 Livros
Acabei de ler cinco livros em cinco dias. São livros com pouco mais de 100 páginas cada, com histórias simples mas escritas com mestria pelos seus autores.
Mário de Carvalho – A Liberdade de Pátio
Sete contos com a escrita ímpar de Mário de Carvalho que revelam a sua imaginação exuberante. Gostei especialmente de duas histórias: a da internacionalização de uma das maravilhas culinárias de Portugal (green broth ou à inglesa “col-dou vâ-de” ou ainda “cawdoe vehdi”) e a dos quatro professores reformados que o destino uniu num jardim municipal e depois decidem aliar as suas bibliotecas.
Miguel Torga – Os Novos Contos da Montanha
Compilação de vinte e dois contos gerados e desenvolvidos na Montanha, lugar materialmente pobre, mas eticamente rico com um quotidiano onde sobressai a fome, a ignorância e o desespero. Destaco os contos “O Alma Grande”, “Fronteira”, “O Artilheiro” e “O Leproso”.
Miguel Sousa Tavares – No Teu Deserto
Livro simples, sobre saudade, nostalgia e amizade de duas pessoas que se conheceram e conviveram apenas durante uma curta viagem por terras de África. É uma história de amor, de um amor que não chegou a ser vivido, e que nos faz reflectir sobre a importância que as pessoas têm nas nossas vidas.
Anton Tchekhov – A Minha Mulher
Obra com três contos narrados de forma exemplar. “A Minha Mulher” é uma lição de vida, aborda um casamento fracassado, as suas causas e efeitos, num ambiente de fome extrema. “Um Caso Médico” está relacionado com a herdeira de uma fortuna que adoece no ambiente onde vive e “O Monge Negro”, onde um professor universitário ao mudar de ares para uma casa de campo, aviva a lenda de um monge negro.
Sérgio Cunha – Queridas Mulheres
Agora todos os homens já têm à sua disposição um Manual de Instruções da Mulher, apresentado de forma animada e galhofeira. Também inclui algumas dicas no sentido contrário, para as mulheres melhor compreenderem o sexo oposto bem como é dado um especial destaque ao desporto rei do nosso país. Hilariante.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Videoclip do Ano
O videoclip mais espectacular do ano é de um tema considerado o melhor de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone: “Like A Rolling Stone” de Bob Dylan. Apesar de ter sido lançado em 1965, foi este ano que a israelita Vania Heymann realizou um filme interactivo inovador, durante o qual podemos fazer zapping em 16 canais diferentes de televisão e em todos ouvimos os intervenientes a cantar o tema. Vão ver que vale a pena carregar AQUI e experimentar o zapping. É fabuloso!!!
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Três lisboetas e um tripeiro
Diz o 1º lisboeta:
- Eu tenho muito dinheiro. Vou comprar o BPI!Diz o 2º lisboeta:
- Eu sou um magnata. Vou comprar todos os supermercados Continente e Pingo Doce!
Diz o 3º lisboeta:
- Eu sou ainda mais rico... vou comprar a Google!
O tripeiro dá uma baforada no cigarrito, engole a saliva... faz uma pausa... cospe no chão e diz:
- Num Bendo!...
domingo, 1 de dezembro de 2013
José Eduardo Agualusa - Milagrário Pessoal
A leitura deste livro constituiu uma agradável surpresa e recomendo vivamente a sua leitura, principalmente para os amantes da língua portuguesa, da história das palavras, dos neologismos, das suas profundas mutações nos deslocamentos geográficos. Aqui, o enredo são os vocábulos fascinantes da nossa língua e toda a mestiçagem cultural envolvente pois Agualusa oferece ao leitor uma polifonia multicultural de vozes. A título de exemplo leia-se na página 51 (reproduzida na imagem seguinte) as palavras raras utilizadas para efetuar uma referência às profissionais do sexo, começando logo pelas “messalinas”… Outras curiosidades encantadoras: a “língua dos pássaros”; a referência à correspondência de Camilo Castelo Branco; a bela cidade de Olinda (Pernambuco); o significado do título da obra; dezenas de palavras “esquecidas” como lupanar, solipso, onanismo, haicai, tabuísmo, prosódia e o concurso das 10 palavras preferidas. Também fiquei a saber que o poeta francês Saint-Pol-Roux colocava à entrada da porta do seu quarto: “Silêncio, poeta em trabalho”.
Claro que também encontramos uma história de amor com dois intervenientes improváveis (sendo por isso um pouco forçada, evidentemente): Lara, uma jovem estudante e ex-modelo, catalogadora de neologismos e um octogenário anarquista angolano. Quando o ancião se apaixona imagina situações e cenas que gostaria de partilhar com Lara:
“Penso em todos os lugares que gostaria de visitar contigo. No que gostaria de fazer contigo – e não farei nunca:
• Ler-te alto as Ficções, de Borges.
• Rir, enquanto nadássemos entre golfinhos, no mar sem maldade de Fernando de Noronha.
• Dormir no deserto.
• Cozinhar-te um bom muzonguê, seguindo a receita que me deixou a minha mãe.
• Ensinar-te as palavras mais meigas da língua umbundo (língua mais meiga do mundo).
• Ensinar-te a flutuar no mar liso do Mussulo (Ilhéu dos Padres).
• Ensinar-te a dançar tango.
• Ouvir-te discorrer sobre a arte de caminhar dos manequins.
• Fotografar-te nua.
• Beijar os teus lábios depois de comermos juntos sorvetes de pitanga.
• Ver contigo Deus e o diabo na terra do sol, do Glauber Rocha. Aliás, ver contigo a filmografia completa do Glauber Rocha.
• Desenhar, e depois construir, a casa perfeita.
• Voar num balão sobre montanhas de Huíla e o deserto do Namibe.
• Passear de mãos dadas, no Parque Guell, em Barcelona.
• Etc., etc, tantas são as coisas que não faremos nunca”.
E mais não adianto. Leiam o livro que vale o tempo despendido…
Para memória futura:
- “as mulheres muito bonitas desorganizam os sistemas sociais” (página 17);
- “a velhice não nos torna imunes à beleza, longe disso, o que nos impõem é certo apaziguamento” (página 18);
- “o espelho de um intelectual é a sua audiência. Uma sala cheia de alunos transforma-se, para um intelectual vaidoso, num magnífico salão de espelhos” (página 20)
“Facing the sea, man is closer to God”
terça-feira, 5 de novembro de 2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Valter Hugo Mãe – Filho de Mil Homens
Depois de magníficos livros como "A Máquina de Fazer Espanhóis" e, principalmente, "O Remorso de Baltazar Serapião", as expectativas eram altas para este livro de Valter Hugo Mãe (VHM). Anunciava-se o regresso às maiúsculas e o assumir de uma perspetiva mais positiva e uma escrita mais suave. Desde logo, anunciava-se o abandono de uma linha pessoal que VHM ia seguindo nas suas obras anteriores. Esse abandono de um estilo bem pessoal não me agradou mas devo dizer antes de mais nada que estamos perante um bom livro. A leitura é agradável, a escrita poética dá uma certa musicalidade ao livro e a sensibilidade do autor está sempre “à tona da água”.
Como se vê a mensagem é bonita, o enredo é interessante mas falta aqui (na minha opinião, é claro) Valter Hugo Mãe. Falta o cunho pessoal, o estilo “tsunami” a que VHM nos vinha habituando.
A solidão foi derrotada, assim como o preconceito, esse monstro devorador da vida, do qual nasce a solidão. Independentemente da qualidade inegável da obra, a palavra chave que me assoma à mente é esta: cedência.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Sam Savage - Firmin
Este livro deveria ser lido atentamente por todos aqueles que não compreendem a paixão pelos livros.
Terminada a leitura, não posso deixar de admitir que, se fosse um rato como Firmin, teria devorado literalmente o livro depois de o ter “devorado” em poucas horas. Trata-se de uma fábula magnífica.
Firmin, o rato, é o mais novo de uma ninhada de treze filhos de uma ratazana bêbada. Fraco, por falta de teta disponível, é o renegado da vida.
Vítima de “biblobulimia”, Firmin alimenta-se de livros: ele lê, come e vive os livros, de todos os géneros (ao todo são referidas largas dezenas de títulos ao longo de todo o livro). Aliás, o seu lema é: “bom para comer, bom para ler”.
Vivendo numa livraria de bairro, ele observa as pessoas e vai aprendendo a viver com elas. A livraria Pembroke Books de Norman Shine (na primeira parte do livro) e a casa de Jerry Magoon (na segunda parte) são o seu refúgio – o mundo lá fora é horrível e decadente. Os livros e o sonho comandam a sua vida.
No entanto, Firmin, o devorador de livros, não consegue comunicar com os humanos, essa espécie incompreensível e egoísta. Jerry, o homem que queria consertar o mundo, escritor modesto e vagabundo no destino, é o único que o compreende, o seu único amigo. Jerry é pobre e desprezado mas é feliz.
Firmin, o rato, carrega consigo a solidão. Mas graças ao afecto (ou amizade, ou amor, tanto faz) por Jerry e pelos livros, essa solidão não deixou nunca de ser apenas uma palavra que apenas vagueou com ele pela vida. Firmin teve a coragem suficiente para vencer o medo e procurar o sonho. Foi um rato renegado mas feliz.
Um livro fantástico; uma fábula inesquecível.
Aconselho vivamente a audição, em simultâneo, da banda sonora citada na obra (com temas, por exemplo, de Cole Porter e George Gershwin) e que permitirá recriar, na perfeição, a Boston perdida de Firmin e de Sam Savage.
terça-feira, 23 de abril de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
Gabriel García Márquez – Memória das Minhas Putas Tristes
Li numa tarde as 107 páginas deste romance que nos faz ter esperança que podemos amar alguém mesmo na velhice. O título poderá ter surpreendido e mesmo afastado muitos leitores desprevenidos desta história de amor sublime, de um ancião reformado que ao completar noventa anos, decide dar um presente a si mesmo: uma noite de amor com uma virgem.
Durante a sua vida, habituara-se à solidão e ao sexo com prostitutas: “Até aos 50 anos eram 514 mulheres com quem tinha estado pelo menos uma vez” – página 18, na imagem seguinte. Nunca amara, o relacionamento mais longo, puramente sexual, fora com uma empregada que, no auge da decrepitude, ainda limpava a sua casa. Pois este homem, conhecido como sábio, professor, há décadas fora noivo de uma mulher bem mais jovem, a quem deixou no altar no dia do casamento e, por isso, mais tarde fugiria com outro homem. Em dado momento, ele diz que o sexo o impedira de amar (“As putas não me deixaram tempo para ser casado”).
E mais não conto, leiam o livro. Ou vejam o filme de 2011, realizado por Henning Carlsen, que é uma reprodução bastante fiel do livro, em que se mantém a forma delicada de descrever esta história muito bem construída.
domingo, 30 de dezembro de 2012
As Minhas Melhores Leituras de 2012
1. David Foster Wallace - A Piada Infinita
2. Henning Mankell - Um Homem Inquieto
3. Paul Auster - O Livro das Ilusões
4. David Grossman - Até Ao Fim Da Terra
5. Roberto Bolaño - Os Detectives Selvagens
6. Valter Hugo Mãe - A Máquina de Fazer Espanhóis
7. Carlos Ruiz Zafón - O Prisioneiro do Céu
8. Julian Barnes - O Sentido do Fim
9. Haruki Murakami - 1Q84 – 1, 2, 3
10. Marcello Simoni - O Mercador de Livros Malditos
11. Ian McEwan - Mel
12. Camilla Lackberg - Teia de Cinzas
domingo, 16 de dezembro de 2012
Julian Barnes - O Sentido do Fim
Começo por confessar que achei a capa deste livro e toda a edição absolutamente deslumbrante. Julian Barnes, na sua escrita acessível e delicada mas prodigiosa e absorvente, começa por apresentar de forma sucinta a vida da personagem principal Anthony Webster, invocando recordações da sua juventude nos anos sessenta e as suas implicações nos amores e na amizade. Alex e Colin eram os seus melhores amigos na escola. Com a chegada preponderante de Adrian Finn, um rapaz tímido, mas mais sério e extremamente inteligente, o trio inseparável transforma-se num quarteto, que jura manter para sempre o laço que os une. Com ânsia de livros e de sexo, estes rapazes acreditavam que as suas vidas ainda estavam a começar, sem se aperceberem que o seu futuro já estava a ser determinado. Enfim, o excesso hormonal da primeira juventude.
No final do liceu, os quatro amigos seguem rumos diferentes na sua vida mas continuam a trocar correspondência, especialmente com Adrian. Tony começa a namorar com Veronica Ford (mulher misteriosa), por quem se apaixona, mas a relação não duraria muito tempo devido a alguma frustração sexual e aos obstáculos impostos pela família de Veronica. Posteriormente, recebe uma carta do amigo Adrian a solicitar autorização para sair com Veronica. Inicialmente, Tony decide fingir que não se importa mas acaba por enviar uma resposta que levou ao fim da sua amizade com Adrian e acaba por ter mais impacto do que ele poderia imaginar.
Passam quarenta anos. Tony tem um casamento falhado com Margaret (mulher transparente), uma filha com quem mantém um relacionamento distante apesar de a amar e prestes a dar-lhe um neto e claro, está na idade da reforma. Quando está a viver uma solidão tranquila, recebe uma carta relativa à herança deixada pela mãe de Veronica, Sarah, que acabara de falecer. Estranhamente, ela deixou-lhe como herança uma pequena quantia em dinheiro e o diário de Adrian (que tinha cometido suicídio na flor da idade). Esta missiva vai-lhe despertar o passado, os conflitos e sentimentos antigos, de modo que a sua perspectiva daquele passado é completamente alterada. Nesta altura, o narrador, imobilizado por uma memória que o consome, sabe que já viveu mais do que o que tem para viver e questiona se não terá deixado a vida passar calmamente por ele enquanto assistia, acomodado, aos seus dias todos iguais. E a história termina em beleza, com um final surpreendente e arrepiante, mesmo ao cair do pano...
“O Sentido do Fim” está recheado de questões filosóficas, de segredos dolorosos e é uma notável reflexão sobre a vida, o envelhecimento, a memória e o remorso. As decisões que tomamos e as suas implicações, relembrando-nos a nossa imperfeição e egoísmo. A necessidade de reviver o passado para compreender o presente. Brilhante!
Para aguçar a curiosidade deixo algumas frases e ideias interessantes que me fizeram reflectir e sorrir, nesta obra de 152 páginas, que li em pouco mais de 24 horas:
“A História é essa certeza que se produz no ponto em que as imperfeições da memória se cruzam com as insuficiências da documentação”;
“A História é a mentira dos vencedores… mas é também a ilusão dos vencidos”;
“O casamento é uma refeição longa e sem sabor com o pudim servido como entrada”;
“Parece-me que pode ser esta uma das diferenças entre a juventude e a idade: quando somos jovens, inventamos futuros diferentes para nós; quando somos velhos inventamos passados diferentes para os outros.”
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Playlist – Dezembro
1 – Bat For Lashes – Laura
2 – António Zambujo – Flagrante
3 – Alt-J – Breezeblocks
4 – Peter Broderick – A Tribute To Our Letter Writing Days
5 – Grimes – Oblivion
6 – Burns – Lies
7 – Yo La Tengo – Before We Run
8 – Savages – Husbands
9 – Palma Violets – Best Of Friends
10 - Jack White – Freedom At 21
domingo, 9 de dezembro de 2012
Francisco Moita Flores – O Bairro da Estrela Polar
Policial à portuguesa, com textos simples, por vezes cómicos, com nomes e linguagem típicos de uma classe social baixa (muito exagerados) e com alguns personagens bem elaborados, constitui um autêntico Manual dos Janados e do Gamanço.
O autor proporciona uma visão do mundo do crime dada por prevaricadores da pior espécie, liderados por uma adolescente (Diana), levando os leitores a colocarem-se do seu lado e não dos tradicionais bons da fita (os polícias). Inevitável a recordação de Teresa Mendoza, protagonista do romance de Arturo Pérez-Reverte, A Rainha do Sul.
De uma forma geral, a leitura é agradável mas por vezes o enredo chega a tornar-se enfadonho e sem grande suspense. Imperam os lugares-comuns e a previsibilidade. O desfecho da história desiludiu-me…
De lamentar a deteção de mais de uma dezena de gralhas e erros gramaticais. Exemplificando: na página 51, podemos ler “My Chermical Romance” e na página 251, “Ainda Bataman não acabara a frase…” referindo-se ao personagem Batman. Além disso, não consigo perceber como é que na sinopse do livro, que se encontra na contracapa, se faz referência a um personagem que não consta do livro, o “Paulo”, enquanto não elenca um dos principais, o Necas. Será que este é mais um daqueles livros que apenas conseguiu sair do prelo graças à celebridade do seu autor?
Na imagem seguinte pode ler-se um excerto contendo a experiência traumatizante do Bazófias na cadeia de Vale de Judeus.
Após a leitura do livro, aproveitei para visualizar a adaptação do livro ao grande ecrã. Algumas diferenças saltam à vista: a Diana (Maria João Bastos) tem um filho, matou o Dragão, envolve-se com o inspector Augusto (Paulo Pires), o que provoca a sua demissão e suicídio. Os golpes são diferentes, não se roubam 12 Mercedes, um cão chamado Caruso, uma mota avariada e obras de arte. Roubam uma igreja e cinco milhões de euros de um camião. O Batman, a Manuela e a própria Diana têm um destino diferente e surgem novos personagens: Alcabideche, Piaçaba, Lurdes e o seu marido paraquedista (Rui Unas).
Trata-se de um filme de qualidade mediana, com enfâse na ação, cenas rápidas com bastante ritmo, sem grandes diálogos, hip-hop q.b. e algumas personagens consistentes. Para o pequeno ecrã foi criada uma série com 14 episódios disponíveis na TVI Player.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Babies
Este filme-documentário apresenta quatro bebés do mundo, desde o nascimento até ao primeiro ano de vida. O início da vida das crianças é apresentado nos seus países e culturas de origem - Mongólia, Namíbia, Estados Unidos (São Francisco) e Japão (Tóquio).
Quase não possui falas e não tem uma história bem definida. Apenas a observação cronológica e a evolução e descoberta dos bebés no seu primeiro ano de vida, quando ainda estão todos na fase oral.
Desta forma, somos confrontados com um bebé japonês, todo High-Tech, transportado num carrinho da marca MacLaren, com um bebé norte-americano, que necessitou de passar pela neonatologia, com um bebé africano onde abundam moscas, sujidade e, claro está, muita pobreza e, finalmente, um bebé nascido na Mongólia, onde na ausência de uma babycock, o bebé é bem atado e transportado numa mota com mais três passageiros.
Ao longo dos 80 minutos do documentário assistimos a quatro formas diferentes dos bebés tomarem banho, passear, brincar ou comer. São momentos em que aparentemente nada acontece, mas que possuem a síntese e a beleza da vida.
Quem não se derrete com crianças, dificilmente terá paciência para chegar ao fim do filme. Quem fizer parte do grupo de pessoas que gosta de observar bebés, adorará assistir a este filme.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Hyatt Bass – Centelhas
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Curtinha...
Mulher - Estamos casados há mais de 20 anos e nem uma jóia me compraste.
Marido - Sabia lá que vendias dessas merdas...
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Li o livro, vi o filme
Recentemente li três livros que serviram de base à realização de outros tantos filmes. Na minha opinião resultaram em boas adaptações ao cinema. E desta vez optei por em primeiro lugar ler o livro e depois ver o filme. Já tenho feito o contrário. Ainda não tenho a certeza sobre qual a melhor metodologia a seguir. Continuo a pensar que depende…
Em relação a Painted Veil (O Véu Pintado), de Somerset Maugham, com os excelentes Edward Norton e Naomi Watts, detectei várias diferenças: no livro a acção passa-se em Hong Kong e no filme em Xangai; no filme há uma perseguição pelos nacionalistas chineses e existe uma relação mais próxima do casal, que tem um filho de 5 anos chamado Walter; a frase “foi o cão que morreu”, essencial no livro, desaparece no filme e, finalmente, na parte final do filme, o regresso a Charles Townsend é ignorado, ou seja, é eliminada a sensação de promiscuidade e arrependimento sentida no livro. Emocionante mesmo e a não perder é a parte final do filme com um excerto de “A La Claire Fontaine”, canção tradicional francesa.
Já a adaptação de Jane Eyre, de Charlotte Bronte, realizada por Cary Fukunaga e com Mia Wasikowska (belíssima), Michael Fassbender e Judi Dench mantém-se um pouco mais fiel à obra em que se baseia mas apresenta algumas diferenças: é Mrs. Fairfax quem revela onde se encontra Rochester após o incêndio, este não perde a mão no incêndio e não é reconhecida a relação familiar entre Jane Eyre e os 3 primos.
A terceira obra, Bel-Ami, de Guy de Maupassant, original de 1885, regressou ao cinema este ano e também conta com actores de peso: Robert “Twilight” Pattinson, Uma Thurman (que parece cada vez mais bela) e Kristin Scott Thomas. Aqui procurou-se seguir com rigor a obra original, apesar da troca do nome Walter por Rousset e do casal Walter ter uma e não duas filhas, e baseia-se na personagem de George Duroy, jovem sedutor e ambicioso que percorre os bares de Paris, na década de 1890, utilizando o seu charme para conquistar mulheres da alta sociedade e melhorar a sua situação social.
Em jeito de conclusão, adorei a leitura dos três clássicos, tal como a visualização dos filmes a que deram origem. Na minha opinião quem quer detalhes, deve procurar os livros pois é impossível os filmes oferecê-los em cerca de duas horas…
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Apesar de só estar previsto nascer em 24 de Agosto, não aguentei a ansiedade para conhecer os meus papás babados e cheguei no passado sábado às 23h03m, apenas com 34 semanas de gestação. Chamo-me Hugo Dinis e peso 2.030kg, por isso por enquanto ainda sou muito pequenino mas já os ouvi dizer que cada bebé é um milagre único e impossível de repetir.
Já recebi bué de presentes, como uma raquetinha de ténis e uma ficha de inscrição no FCP e o meu quartinho tá bué da fixe.
Na minha fotografia que vos envio já me estou a imaginar deitado numa praia das caraíbas a olhar para umas estrangeiras com 40 semanas…
Beijinhos
Hugo Dinis
segunda-feira, 23 de abril de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Playlist - Abril
1. The School – Never Thought I’d See The Day
2. Labrinth (Ft Emeli Sandé) – See Beneath Your Beautiful
3. Lana Del Rey – Video Games
4. Fun. (Ft Janelle Monáe) – We Are Young
5. The Antlers – I Don’t Want Love
6. Arctic Monkeys – The Hellcat Spangled Shalalala
7. Little Dragon – Ritual Union
8. Glasvegas – The World Is Yours
9. The Subways – It’s A Party
10. The Black Keys – Lonely Boy
11. Howler – I Told You Once
12. Austra – Lose It
13. Jonathan Wilson – Woe Is Me
14. Sharon Van Etten – All I Can
15. Mark Lanegan – Gray Goes Black
16. Fleet Foxes – Montezuma
17. Summer Camp – I Want You
18. Lower Dens – Brains
19. Gotye (Ft Kimbra) – Somebody That I Used To Know
20. Julia Stone – It’s All Okay
terça-feira, 10 de abril de 2012
Hello, Deb!!!
É inegável a melhoria da qualidade das séries de televisão nos últimos 10 anos, ao ponto dos grandes actores e actrizes colocarem de parte projectos no cinema para enveredarem por esta via, como por exemplo, Ashley Judd, Dustin Hoffman, Jessica Lange, Steve Buscemi, Ana Paquin, Christian Slater, Sean Bean, entre muitos outros. No entanto, apresentam dois pontos bastante negativos.
O primeiro está relacionado com a sua longevidade. Quando se verifica que uma série é um sucesso de audiências, há uma tendência para a prolongar, repetindo constantemente a sua fórmula até à exaustão, o que provoca a saturação do espectador. Neste caso, servem de exemplos, os diversos C.S.I., House, Heroes, Lost ou Glee.
Um segundo problema, este apenas para os espectadores mais impacientes, é a conclusão das temporadas, com reviravoltas ou revelações surpreendentes, mas mantendo o suspense e uma angustiosa expectativa sobre o que vai acontecer. Assim, o final da sexta temporada de Dexter, em que este é apanhado em flagrante pela irmã Debra a fazer aquilo que mais gosta, só vai ser desvendado lá para final do ano. Será que vai matar a irmã (adoptiva)? Será que ela vai associar-se a ele nas próximas temporadas? Ou será que vai simplesmente denunciá-lo? Outros casos são o final da segunda temporada de The Walking Dead, em que o grupo começa a dividir-se e a liderança de Rick a ser questionada ou a conclusão da também segunda temporada da estupenda Downton Abbey, em que o Mr. Bates foi preso por supostamente ter assassinado a sua ex-mulher.
Aproveito para referenciar mas quatro séries que tenho seguido e adorado: Mildred Pierce, que infelizmente é muito curta, mas mostra todo o potencial de Kate Winslet; Homeland e a história do sargento "herói/terrorista?" Brody; Spartacus – Vengeance, com um novo actor a substituir o malogrado Andy Whitfield – a série continua com sangue e sexo a rodos – e Smash, o musical do momento, baseado no projecto de um casal para criar um musical sobre a vida de Marilyn Monroe.
domingo, 8 de abril de 2012
O sexo do Google
Cheguei à conclusão de que o Google é gaja; nem espera que termine a frase e já está a dar palpites...
E já agora porque é que após escrever "why po...", o Google sugere a frase: "why portuguese are called pork chops"?
Alguém sabe em que parte do mundo é que os portugueses são chamados desta forma?
sábado, 7 de abril de 2012
Vassili Grossman – Vida e Destino
"Vida e Destino" é uma obra de enorme alcance enquanto testemunho histórico. Testemunha quer a violência nazi quer a inconcebível ditadura em que Estaline transformou o sistema comunista da União Soviética. Escrito em 1953, este livro só seria publicado mais tarde, após a abertura da U.R.S.S. à democracia. O motivo é óbvio: o livro desmascara de forma clara o despotismo de Estaline. A vitória do absurdo e do arbitrário sobre o romantismo do ideal comunista que o autor parece encarar como o paradigma ideal. Na verdade, Lenine é referido várias vezes como o exemplo a seguir, o ideal que foi deturpado e derrubado pelo estalinismo. E a simpatia do autor fixa-se claramente nos bolcheviques desiludidos como Mostovoskoi e Krimov.
Sturm é talvez a personagem central do romance: cientista judeu ao serviço do Estado Soviético, ele sofrerá de forma dramática o efeito tenebroso de duas das mais monstruosas tiranias do século XX – o nazismo e o estalinismo. Neste sentido, Sturm é um personagem algo autobiográfico: também Vassili Grossman, funcionário do Estado Soviético mas sempre crítico em relação ao sistema, sofreu a perseguição dos alemães aos judeus, que acabaram por assassinar a sua mãe. Mas a ação está longe de se resumir a Sturm. Numa aparência a fazer lembrar Tolstoi pela enorme quantidade de personagens (umas centenas) conta-se a história de parentes e amigos de Sturm, em diversos cenários, como a batalha de Estalinegrado em plena ação, um campo de concentração nazi, um campo de trabalho soviético, etc. Mas a comparação com Tolstoi termina aí. Termina onde começa: na quantidade inusitada de personagens. Em termos literários este livro está muito longe desse clássico russo. Em termos de estilo, Grossman aproxima-se mais da literatura realista da Rússia, nomeadamente de Maksim Gorki mas também dos contos de Tchekhov. E o valor maior da obra é mais histórico do que literário.O enredo decorre, todo ele, de 1941 a 1943, numa fase em que a guerra matava aos milhares e em que o povo russo sofria as terríveis consequências da ocupação alemã. No entanto, o que fica no espírito do leitor é a sensação de que a guerra pouco ou nada mudaria, que os grandes dramas estavam para lá da guerra. E o mais abominável é esta sensação de que todo o mal é praticado em nome do bem; o bem dos judeus, dos católicos, dos comunistas, dos nazis…e cada noção de “bem” é apenas um motivo para praticar o mal.
Em conclusão: estamos perante um livro muito importante como reflexão sobre a natureza do poder totalitário e como testemunho histórico de uma época de quase total insanidade. No entanto, não é uma obra prima em termos literários. Nem se pretendia que fosse.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Filmes Choradeira
1. Curious Case Of Benjamin Button (O Estranho Caso De Benjamin Button) – um filme fenomenal sobre um homem que nasce com 80 anos de idade e envelhece ao contrário. Quando no final morre nos braços da amada...
3. City Of Angels (Cidade Dos Anjos) – conta a história de um anjo que vagueia pela Terra a consolar aqueles que estão a um passo da morte (a cena final de bicicleta)…
4. Cinema Paraíso – para aqueles que adoram o cinema…
5. Eduard Scissorhands (Eduardo Mãos De Tesoura) – um filme bonito e sensível com uma lição a tirar para toda a Humanidade. Mais que o filme, importa a mensagem desta maravilhosa fábula.
6. Schindler’s List (A Lista De Schindler) - a história de como Oskar Schindler conseguiu salvar mais de mil judeus da morte durante a segunda guerra mundial. Quando se vê o casaco vermelho no monte (que significava que a menina tinha morrido)…
7. Million Dollar Baby (Sonhos Vencidos) – a coragem e alma de uma boxeur…
8.9. Notebook (Diário De Uma Paixão) e Message In A Bottle (As Palavras Que Nunca Te Direi) – histórias de amor que resistem à guerra e ao tempo. Ambos baseados em obras de Nicholas Sparks e por isso lamechas q.b., mas…
10. The Passion Of The Christ (A Paixão De Cristo) – de difícil visualização sem o desvio constante da cara para o lado do ecrã…
11. Stoning Of Soraia M. – tal como o anterior não acredito que consigam ver os últimos 30 minutos do filme sem fechar os olhos…
12. Blind Side (Um Sonho Possível) – até onde pode chegar a bondade humana….
13. Breaking The Waves (Ondas De Paixão) – um filme de paixão, intenso, arrebatador, não aconselhável aos mais sensíveis…
14. The Green Mile (À Espera De Um Milagre) – vivemos num mundo justo? Sobre a pena de morte.
15. Hachiko: A Dog’s Story (Sempre Ao Seu Lado) – baseado em factos reais, filme fascinante sobre lealdade (neste caso de um cão pelo seu dono).
16. The Boy In Stripped Pijamas (O Rapaz Do Pijama Às Riscas) - filme com um final arrepiante…
17. House Of Sand And Fog (Uma Casa Na Bruma) – mais um filme com uma conclusão estonteante…
18. I Am Sam (A Força Do Amor) – uma deficiência mental impossibilita um homem em ser pai? O amor é maior que tudo…
19. August Rush (O Som Do Coração) – história de um rapaz que cresce num orfanato e é dono de um dom musical impressionante. Aos 11 anos, ele passa a apresentar-se nas ruas de Nova York e usa os seus talentos para encontrar os seus pais, um casal de músicos que foram separados pelo acaso quando jovens. Acaba com um concerto em Nova Iorque, no Central Park…
20. Up! (Altamente!) – este é um filme de animação mas os primeiros 15 minutos…
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Molière - O Avarento
Esta comédia de 5 atos foi escrita há quase 350 anos, mas mantém-se bastante atual. A obra deste genial dramaturgo francês vale o interesse, quer seja pela composição dos personagens, quer pelo inusitado da história, que chega a aproximar-se de uma comédia romântica. A patética avareza de Harpagon (provavelmente personagem inspiradora do tio Patinhas de Walt Disney) funciona como um ingrediente divertido nesta sátira sobre a ambição humana que nos faz recordar a ganância do ser humano nestes anos de crise financeira global que vivemos. A única coisa que interessa é ter, possuir, acumular. Numa realidade assim, as relações afetivas transfiguram-se por completo. Convém relembrar que na época em que o texto foi escrito a usura era um pecado grave para a Igreja Católica que condenava a cobrança de juros. Assim, com Molière e com a sua galeria de personagens obsessivas, agarradas à loucura de possuir e dominar, angustiamo-nos e rimo-nos das permanências e das teimosias da História.
Esta obra inicia-se com a descrição do avarento, uma pessoa rabugenta, teimosa, imprestável e acima de tudo, muito forreta e com o coração preenchido pela avareza e mesquinhez, uma vez que até é capaz de colocar o dinheiro acima da felicidade dos filhos. Definitivamente uma das últimas pessoas que um caloteiro desejaria conhecer. Este personagem, Harpagon, desconfia da lealdade de todos e vive constantemente com medo de ser roubado, pois guarda todo o seu dinheiro em casa.
Harpagon tem dois filhos, Cleante e Elisa, para os quais pretende arranjar noivos com posses. No entanto, ambos vivem na miséria, consequência da avareza do pai. O seu filho Cleante está apaixonado pela bela Mariane mas revela-se demasiado ingénuo e sonhador. Por sua vez, o amor da vida de Elisa, Valério, é contratado pelo seu pai para mordomo da sua casa e por isso, Elisa tem consciência de que o pai nunca aprovaria a sua paixão.
Um episódio assaz divertido ocorre quando os irmãos revelam a sua paixão um ao outro e tentam convencer o pai a aceitar os factos, submetendo-se a ele e assim tentando garantir o seu suporte económico. Mas os planos do pai são outros: para Cleante “arranja” uma viúva rica, para Elisa um homem bastante mais velho e Mariana fica para ele mesmo. É patético como a ganância e o autoritarismo de um se sobrepõem à vontade de todos os outros, mas na realidade todos os personagens dão algum contributo imoral para a escalada do enredo até à situação de (quase) ruptura.
Com muito humor, entre encontros e desencontros amorosos, a peça aborda temas como a lealdade, a honestidade, a solidão, a avareza e a manipulação humana. Felizmente, no final, parece que todos os personagens estão em harmonia entre si, e o avarento também aprende a sua lição. Mas a crítica ao comportamento humano perdura.
terça-feira, 3 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Eu Vou Lá Estar!!!
Quinta-feira, dia 7 de Junho
•Atlas Sound; Bigott; Explosions In The Sky; StopEstra; Suede; The Drums; The Rapture; Yann Tiersen
Sexta-feira, dia 8 de Junho
•Beach House; Black Lips; Chairlift; Codeine; Esperit!; Linda Martini; M83; Neon Indian; Other Lives; Rafael Toral; Rufus Wainwright; Shellac; Tall Firs; Tennis; The Flaming Lips; The Walkmen; The War On Drugs; Thee Oh Sees; Ultramagnetic MC's; We Trust; Wilco; Wolves In The Throne Room; Yo La Tengo
Sábado, dia 9 de Junho
•Baxter Dury; Björk; Death Cab For Cutie; Death Grips; Demdike Stare; Dirty Three; Erol Alkan; Forest Swords; Gala Drop; I Break Horses; James Ferraro and the Bodyguard; John Talabot; Lee Ranaldo; Mujeres; Saint Etienne; Siskiyou; Sleepy Sun; Spiritualized; The Afghan Whigs; The Right Ons; The Weeknd; The xx; Veronica Falls; Washed Out; Wavves
Domingo, dia 10 de Junho
•Jeff Mangum (Neutral Milk Hotel); The Olivia Tremor Control
domingo, 25 de março de 2012
Sons da Primavera
1. Kurt Vile - Baby’s Arms
2. Jessica Lea Mayfield - Our Hearts Are Wrong
3. Tom Waits - Face To The Highway
4. Lykke Li - Sadness Is A Blessing
5. Nicolas Jaar - Space Is Only Noise If You Can See
6. Feist - A Commotion
7. Ghospoet - Liiines
8. SBTRKT - Wildfire
9. Beirut - Santa Fe
10. PJ Harvey - The Glorious Land
11. James Blake - Limit To Your Love
12. Jessie Ware - Wildest Moments
13. Anna Calvi - Blackout
14. Metronomy - She Wants
15. M83 - Midnight City
16. Kasabian - Days Are Forgotten
17. Florence & The Machine - Only If For The Night
18. The Horrors - Still Life
19. The Kills - The Last Goodbye
20. The Vaccines - Post Break-Up Sex
sábado, 24 de março de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Ler, Ver e Ouvir

As minhas leituras mais recentes passaram pela literatura lusófona de Gonçalo M. Tavares e Valter Hugo Mãe. Em “Jerusalém”, Gonçalo M. Tavares, debruça-se sobre as angústias do viver, do sentir, do amar e do morrer, utilizando uma escrita simples mas dura e apelativa. O título deve-se a uma referência bíblica citada pela esquizofrénica Mylia (página 170): “Se eu me esquecer de ti, Jerusalém, que seque a minha mão direita”.
Por sua vez, Valter Hugo Mãe em “A Máquina de Fazer Espanhóis”, aborda a última fase da vida do ser humano e a sua decadência na velhice. António Silva, de 84 anos, acaba de perder a sua companheira dos últimos 48 anos, Laura, e foi enviado pelos filhos para um lar onde apenas a morte o parece aguardar. Inicialmente, a solidão parece um tormento insuportável e não parece existir qualquer futuro mas aos poucos vai descobrindo novamente a amizade. Curiosa a apresentação do Esteves Sem Metafísica da tabacaria de Álvaro de Campos do Fernando Pessoa. Enfim, este “tsunami” da literatura portuguesa propõe-nos sem dúvida uma crítica mordaz à sociedade em que vivemos.
No que respeita a cinema, os últimos filmes que mais me entusiasmaram foram: Melancholia, de Lars von Trier; Habemos Papam, de Nani Moretti; The Help (As Serviçais), de Tate Taylor e The Tree Of Life (A Árvore da Vida), de Terence Malick.
Sobre os sons deste outono, ainda não me cansei de ouvir os últimos álbuns de Florence & The Machine, The Vaccines, Kurt Vile e Snow Patrol. E acabei de revisitar a obra dos The Smiths, Tindersticks e Belle & Sebastian.
























