domingo, 20 de novembro de 2016

25 Provérbios da Era Digital

1. A pressa é inimiga da conexão.

2. Amigos, amigos, passwords à parte.

3. Antes só do que em chats da treta.

4. A arquivo dado não se olha o formato.

5. Diz-me que fórum frequentas dir-te-ei quem és.

6. Para bom entendedor uma pass basta.

7. Não adianta chorar sobre arquivo apagado.

8. Em zangas de e-namorados não se mete o rato.

9. Hacker que ladra não morde.

10. Mais vale um arquivo no disco do computador do que dois em download.

11. Melhor prevenir do que formatar.

12. O barato sai caro. E lento.

13. Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem um vírus em anexo.

14. Quem muito clica seus males multiplica.

15. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.

16. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.

17. Quem nunca errou que aperte a primeira tecla.

18. Quem semeia e-mails colhe spams.

19. Quem tem dedo vai a Roma.com

20. Vão-se os arquivos, ficam os backups.

21. Diz-me que computador tens e dir-te-ei quem és.

22. Uma impressora disse para outra: “Essa folha é tua ou é impressão minha?”.

23. Aluno de informática não copia, faz backup.

24. O problema do computador é sempre o USB (User Super Burro).

25. Na informática nada se perde, nada se cria... Tudo se copia... E depois cola-se.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Hineni, Hineni - I'm Ready, My Lord


A voz grave do poeta, músico e escritor canadiano Leonard Cohen calou-se no dia de ontem, dia em que, aos 82 anos, “morreu tranquilamente na sua casa em Los Angeles” de acordo com o comunicado oficial. Dono de um timbre melancólico inconfundível, Cohen inspirou gerações com canções eternas. Temas como Hallelujah, Suzanne, The Partisan, First We Take Manhattan, Dance Me To The End Of Love, I'm Your Man ou So Long Marianne (Marianne, a musa de Cohen com quem este viveu na década de 60 na ilha grega de Hydra e que faleceu no passado mês de Julho), viverão para sempre nas páginas de ouro da Música.

O seu último disco editado há menos de um mês, “You Want It Darker” (14º álbum de estúdio) é um disco intimista, em que a voz, tão grave como sempre, mas envelhecida, cansada, amarfanhada, canta, ou quase diz, canções sobre a mortalidade, a despedida, a resignação.

I'm leaving the table, I'm out of the game...

sábado, 5 de novembro de 2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Bob Dylan - Prémio Nobel da Literatura 2016

My Last twitter:

The Times They Are A Changin. Bob Dylan wins Nobel Prize for literature. Great to see the Nobel committee do the right & creative thing. I'm still euphoric...


O cânone foi derrotado, se bem que já o tivesse sido no ano passado com a atribuição do Nobel à jornalista bielorrussa Svetlana Alexievich, pois pela primeira vez distingue-se um autor por um corpo de textos (letras de canções) que não foram criadas para serem publicadas em livro. Entusiasmado, só posso louvar a Academia Sueca não só pela sua coragem e pela sua resistência às pressões das editoras mas sobretudo por alargar as fronteiras do literário. E se Bob Dylan continuar igual a si próprio até apostaria que não vai aparecer na cerimónia de entrega do prémio, em Estocolmo, entregue pelas mãos do rei da Suécia…

Like A Rolling Stone - clique e veja o fantástico video interactivo do tema que a revista Rolling Stone em 2006 considerou como a melhor canção de todos os tempos.

domingo, 9 de outubro de 2016

Leituras de Outono


- Lucia BerlinManual Para Mulheres De Limpeza
- Haruki MurakamiSono
- Michael CunninghamUma Casa No Fim Do Mundo
- Elena FerranteA Amiga Genial

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sons de Outono


1. Bon Iver - Holocene
2. Yeasayer I Am Chemistry
3. HindsAnd I Will Send Your Flowers Back
4. ChairliftCrying In Public
5. PJ HarveyNear The Memorials To Vietnam And Lincoln
6. The Dandy WarholsYou Are Killing Me
7. Golden FableThrough The Night
8. ANOHNIDrone Bomb Me
9. Gia KokaCome Pick Me Up
10. Massive Attack (ft. Ghostpoet)Come Near Me
11. Zach SchimpfWhat’s It Like, Tomorrow?
12. Rosie LoweWoman
13. Mystery Jets1985
14. ANIMA!Silver Screen
15. Everything EverythingNo Reptiles
16. DaughterNo Care
17. BeckWow
18. PixiesTenement Song
19. Lana Del ReyI Want You Boy (Free Fall)
20. Michael KiwanukaCold Little Heart

domingo, 2 de outubro de 2016

Nick Cave & The Bad Seeds – The Skeleton Tree


O novo disco de Nick Cave, figurará com toda a certeza na lista que elaborar dos melhores do ano. E muito provavelmente em primeiro lugar. O seu tom é sombrio e elegíaco e a perda e a morte são temas recorrentes, devido à morte de um dos seus filhos gémeos, em Julho de 2015, então com 15 anos, resultando num conjunto de canções íntimas e pessoais, bem diferentes de temas épicos como “Jubilee Street” ou “Higgs Boson Blues” do seu anterior registo Push The Sky Away de 2013. Também existe a evocação a uma mulher, talvez uma companheira recente mas o principal objectivo de Nick Cave é ultrapassar aquela perda (“You fell from the sky, crash landed in a field”, em “Jesus Alone”), bem patente em todos os 8 temas do álbum. A sua voz revela claramente um trauma inconsolável (“I call out, right across the sea, but the echo comes back empty”, em “Skeleton Tree” ou “Nothing really matters when the world you love is gone” em “I Need You”, a canção mais emotiva do disco) e nem um abraço parece ajudar (“Don’t touch me,” canta ele em “Girl In Amber”).

Trata-se de um processo de criatividade activada pela dor que aspira a servir de terapia ao seu autor:

- With my voice, I am calling you (“Jesus Alone”);

- The phone, it rings, it rings and you won't stay (“Girl In Amber”);

- All the things we love, we love, we love, we lose (“Anthrocene”);

- Soon the children will be rising, this is not for our eyes (“Distant Skies”).

Ccontinuo ansioso por ver o filme documentário relativo à criação deste disco: “One More Time With Feeling”, que para já apenas foi exibido num único dia em Portugal, em 8 de Setembro passado, mas que regressará aos cinemas em Dezembro próximo.


sábado, 1 de outubro de 2016

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Stranger Things (1ª temporada)

Nas últimas férias de verão, e em sessões de binge-watching, tive oportunidade de ver temporadas completas de algumas séries de televisão que não param de melhorar:

- Breaking Bad (5ª temporada), final da série simplesmente espectacular, especialmente após o cunhado de Walter White descobrir o seu segredo. Foi um final excelente, sem pontas soltas, com o personagem principal a ter o fim que mostrou merecer a partir de determinado momento;

- Game of Thrones (6ª temporada), depois da quinta temporada e dos seus desenvolvimentos impressionantes (o destino sangrento de Jon Snow, a quase morte de Daenerys ou a humilhação pública de Cersei), a temporada seguinte não desiludiu com episódios arrepiantes nunca antes vistos em televisão, como o 9º episódio – “Battle of the Bastards”;

- Vikings (4ª temporada), em que um Ragnar bastante fragilizado regressa a Kattegat, onde a suspeita da sua morte provoca uma corrida à sua sucessão. Traições e lutas de poder entre os personagens Lagertha, Kalf, Rollo e Floki;

- Narcos (2ª temporada), retrata os últimos 14 meses de vida de Pablo Escobar e começa com a sua fuga da prisão La Catedral. Wagner Moura continua soberbo.

Atualmente, estou a ver Stranger Things, mais uma série distribuída pela Netflix, com apenas 8 episódios na sua primeira temporada, e apesar de ser inferior às 4 séries acima mencionadas, recomendo vivamente. Trata-se de uma história de ficção científica, emocionante e por vezes assustadora, onde não faltam alusões à obra de Spielberg, Carpenter ou Stephen King, em que algumas pessoas desaparecem sem deixar rasto, com forças sobrenaturais, uma miúda muito, muito estranha e um "mundo invertido". Personagens bastante credíveis, ritmo, drama, realização e uma excelente Winona Ryder no papel da mãe atormentada pelo desaparecimento do seu filho. Uma das atrações desta misteriosa série, passada na fictícia cidade de Hawkins, estado de Indiana, consiste em decorrer nos anos 80, onde são evidentes os elementos culturais da década e inclui uma excelente banda sonora baseada na electrónica de Kyle Dixon & Michael Stein (dos SURVIVE) mas onde também podemos ouvir, por exemplo, Joy Division, Echo & The Bunnymen ou The Clash!


Na lista de espera para ver em breve estão Vinyl (1ª temporada), Luke Cage (1ª temporada), The Night Manager (1ª temporada) e Blindspot (2ª temporada).

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Angel Olsen – My Woman


A americana já aqui aclamada no momento da edição do álbum anterior, um registo muito mais folk, o tal que tinha o tema “unfucktheworld”, regressa com a sua voz e um álbum brilhante, que após a primeira audição não apetece voltar a largá-lo. A primeira parte do disco é claramente mais alegre enquanto que a parte final é mais sombria. Diferente do anterior, usa e abusa de sintetizadores (“Intern”), do piano (“Pops”), de guitarras eléctricas (“Shut Up Kiss Me”, “Give It Up” e “Not Gonna Kill You”), e até nos deparamos com slows melancólicos (“Heart Shaped Face”). Nas letras tornou-se mais reflexiva, onde predominam temas como a dor, a tristeza e a esperança.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Noite inesquecível na Noruega!

Um industrial de Paços de Ferreira (a Capital do Móvel) foi à Noruega comprar madeira para a sua fábrica de móveis.
À noite, sozinho no bar do hotel, repara numa loira encostada ao bar.
Não sabendo falar norueguês, pediu ao barman um bloco e uma caneta.
Desenhou um copo com dois cubos de gelo e mostrou-o à loira.
Ela, sorriu e tomaram um copo.
De seguida começou a tocar uma música romântica.
Ele, pega novamente no bloco, desenha um casal a dançar e mostra-lhe.
Ela levanta-se e vão dançar.
Terminada a música, regressam ao bar e é ela que pega no bloco.
Desenha uma cama, uma cadeira e uma cómoda e mostra-lhe.
Ele vê e diz:
- Sim, sim, sou de Paços de Ferreira...

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Leituras de Verão


- Alice MunroA Vista de Castle Rock
- Kim GordonA Miúda Da Banda
- Donna TarttA História Secreta
- Dylan ThomasRetrato Do Artista Quando Jovem Cão E Outras Histórias

quinta-feira, 30 de junho de 2016

10º F


…there ain’t a class that comes close to you!

sábado, 23 de abril de 2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Leituras de Abril


- Roslund & ThunbergO Pai
- Carson McCullersContos Escolhidos
- Bernard CornwellO Último Reino
- Don DeLilloSubmundo

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Inglesices

Cábula de um inglês num supermercado Português

Um Inglês a viver em Portugal ia fazendo um esforço para dizer umas coisas em Português. Antes de ir ao ao supermercado elaborou a seguinte lista:

(Ler devagar e em Português para perceber…)

Pay she

MacCaron

My on easy

All face

Car need boy (may you kill oh!)

Spar get

Her villas

Key jo (parm soon)

Cow view floor

Pee men too

Better hab

Lee moon

Bear in gel

Ao chegar a casa, bateu com a mão na testa e disse:

Food ace! Is key see me do too mach! Put a keep are you!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Sons da Primavera


1. Fever RayIf I Had A Heart
2. FleurieSirens
3. Primal ScreamGolden Rope
4. The SubwaysRock and Roll Queen
5. Steve MasonPlanet Sizes
6. The NationalI Need My Girl
7. Emmy The GreatAlgorithm
8. Bill PritchardDéjà Vu Boutique
9. RadioheadBurn The Witch
10. Massive Attack (ft. Tricky & 3D)Take It There
11. Bloc PartyThe Love Within
12. TenderAfternoon
13. Kurt VileLife Like This
14. Tindersticks (ft. Jehnny Beth from Savages)We Are Dreamers
15. Dead Man’s BonesIn The Room Where You Sleep
16. Edward Sharpe & The Magnetic ZerosNo Love Like Yours
17. The KillsDoing It To Death
18. ShearwaterOnly Child
19. KALEO - All The Pretty Girls
20. Milky ChanceStolen Dance

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Leituras de Janeiro


- Pedro Marta SantosOs Dez Livros De Santiago Boccanegra
- Paul BowlesO Céu Que Nos Protege
- John Le CarréO Amante Ingénuo E Sentimental
- Javier MariasAssim Começa O Mal

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Os Melhores Discos do Ano 2015


2015 trouxe álbuns fantásticos, uma mão-cheia de revelações e novas vidas de artistas consagrados. Na lista compilada abaixo encontram-se aqueles que mais ouvi: 

- Car Seat HeadrestTeens Of Style
- FoalsWhat Went Down
- Jamie XX - Colours
- Ryan Adams1989
- Torres (Mackenzie Scott) - Sprinter
- Father John MistyI Love You, Honeybear
- Robert ForsterSongs To Play
- Joanna NewsomDivers
- Sufjan StevensCarrie And Lowell
- GrimesArt Angels
- Benjamin ClementineAt Least For Now
- Wolf AliceMy Love Is Cool


Como 2015 foi um ano rico em edições, destaco ainda outros lançamentos que também mereceram a minha atenção: Beach House (dois discos fantásticos separados por dois meses!), Blur, Tame Impala, Alabama Shakes, Low, Destroyer, Sun Kill Moon, Laura Marling, El Vy (Matt Berninger fora dos The National), Guy Garvey (vocalista dos Elbow), FFS, Belle & Sebastian, Lana Del Rey, The Maccabees, Kurt Vile, Julia Holter e Yo La Tengo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As Minhas Melhores Leituras de 2015


1. Richard Ford – Canadá
2. Garth Risk Hallberg – Cidade Em Chamas
3. Jonathan Frazen - Purity
4. Philip Roth – A Humilhação
5. V. S. Naipaul – Uma Casa Para Mr. Biswas
6. J. G. Ballard – Arranha-Céus
7. Karl Ove Knausgard – A Minha Luta 2: Um Homem Apaixonado
8. Carlos Ruiz Zafón – A Trilogia Da Neblina
9. António Tavares – O Coro Dos Defuntos
10. Jø Nesbo – O Fantasma
11. James Salter – Tudo O Que Conta
12. Rafael Chirbes – Na Margem

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Je Suis Paris

Arc de Triomphe



Boulevard St Germain

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Macaulay Culkin

Vinte e cinco anos depois, o filme Sozinho em Casa continua a ser o mais exibido pelas televisões nesta época festiva. A saga de uma criança de oito anos esquecida sozinha em casa pela família que partira de férias e que a protege estoicamente do assalto de dois bandidos trapalhões.

E o que é feito de Macaulay Culkin? Pois bem, actualmente conduz um táxi na série DRYVRS: de cabelo comprido, barba rala e unhas sujas, a criança de Sozinho em Casa é agora um homem casado, irritado (com a mulher que consumiu demasiada droga na noite anterior), amargurado (ainda não esqueceu o que a família lhe fez) e definitivamente perturbado (há um assaltante no episódio e a coisa não acaba bem). Vale a pena ver...

domingo, 20 de dezembro de 2015

Winter Sleep (“Sono de Inverno”)

Durante a visualização deste filme aconteceu-me algo inédito e estranho. A história que me estava a ser apresentada fez-me recordar na íntegra um conto fabuloso de Anton Tchekhov, “A Minha Mulher”, que li há vários anos. No livro, Pavel Anndreievitch vive na sua casa de campo, com Natália Gavrilovna, sua mulher. Cada um vive numa parte da casa, vivendo separados há já uns anos. Natália não suporta Pavel, demonstrando-lhe um ódio que Pavel não consegue compreender. Pavel vive sozinho e angustiado sem que consiga descortinar uma única razão para o seu desconforto interior. Quando recebe uma carta anónima pedindo-lhe que faça algo pela população empobrecida de uma localidade vizinha, sente-se entusiasmado pela ideia e, formula planos para organizar uma comissão de solidariedade que angarie os fundos necessários à causa e os distribua de forma justa. Quando expõe a sua ideia à mulher, descobre que esta já estava há muito tempo empenhada no auxílio desta população, tendo inclusive a tal comissão já formada.


No filme “Sono de Inverno”, que dura mais de três horas (mas como acontece em todos os grandes filmes, mal se dá pelo tempo a passar), Pavel é Aydin, um antigo ator, dominado pelo seu ego e pelas fantasias que dissimulam o sonho frustrado de grandiosidade. Aydin gere uma estalagem nas montanhas da Anatólia que fica isolada com a chegada do Inverno, juntamente com a sua irmã recentemente divorciada e a sua jovem mulher, Nihal, muito mais nova, que oscila entre a vontade de se emancipar e a de permanecer numa situação de comodismo privilegiado. Além destas personagens, deparamo-nos com os inquilinos das propriedades desta família, alguns dos quais dominados por uma atitude de servilidade, outros por um violento ressentimento, que parece estar prestes a fazê-los entrar em confronto e rutura.

E tal como o livro citado, o filme também é intenso pois leva-nos a mergulhar em questões de fundo e universais das relações sociais e humanas, acentuando tensões e expondo dilemas e conflitos.

Numa altura em que a ano está quase a terminar, elaborei uma lista com mais alguns filmes que vi e que me proporcionaram puro entretenimento e um afastamento da realidade do quotidiano. E são eles:

- Mandariinid (Tangerinas)
- Turist (Força Maior)
- Clouds of Sils Maria (As Nuvens de Sils Maria)
- Mia Madre (Minha Mãe)
- Dark Places (Lugares Escuros)
- Que Horas Ela Volta?
- Gui Lai (Coming Home)
- Phoenix
- Bolgen (The Wave)
- Mad Max: Fury Road


No que respeita às séries de televisão continuei a seguir Homeland (a sexta temporada ainda vale a pena), Fargo e True Detective (as segundas temporadas são bem inferiores às primeiras) e claro, continuei a seguir Game of Thrones. De entre as estreias, segui Narcos (excelente), Mr Robot, Jessica Jones e Blindspot. Tudo em binge-watching

sábado, 19 de dezembro de 2015

Gillian Flynn - Lugares Escuros


Gillian Flynn já me tinha deixado uma excelente impressão quando li “Em Parte Incerta” (Gone Girl). Este “Lugares Escuros” possui um enredo com vários elementos parecidos, como o clima tenso, o drama familiar e uma situação de violência extrema. Chocante e perturbador, por vezes a fazer lembrar a escrita e o ambiente criado por Stephen King nas suas obras.

O livro está dividido em diversos capítulos que estão intercalados no tempo, o que inicialmente poderá originar alguma confusão. Na atualidade (ano de 2009), a bizarra Libby Day vive assombrada com os acontecimentos de há 24 anos atrás, quando a sua mãe e as duas irmãs foram brutalmente assassinadas na casa onde viviam. Libby, na altura com 7 anos, conseguiu sobreviver mas fica com traumas que vão ajudar a moldar a sua personalidade, que a própria assume conhecer bem: anti-social, mentirosa, cleptomaníaca e preguiçosa (vive do dinheiro doado por pessoas que sentiram pena dela). Trata-se de uma personagem principal bastante imperfeita e por vezes até detestável que “partia do princípio de que tudo de mau podia acontecer, porque tudo o que havia de mau no mundo já tinha acontecido”.

Na outra linha temporal é descrita a véspera e o dia dos assassinatos de acordo com as perspectivas da mãe da Libby (Patty) e do irmão (Ben), que foi declarado culpado dos crimes e que se encontra actualmente na prisão. Ben foi acusado e condenado devido ao testemunho da sua irmã mais nova, Libby. É um personagem misterioso, revoltado e sombrio, e no decorrer de todo o livro ficamos com dúvidas sobre se foi ele mesmo o autor do massacre da sua família.

O título da obra é explicado na página 22 e está relacionado com as recordações de Libby do dia dos assassinatos : “…classifiquei essas lembranças como se fossem um lugar particularmente perigoso: um lugar escuro”. No entanto, passados tantos anos Libby já não tem realmente a certeza do que viu e ouviu naquela noite e a falta de provas físicas contra o irmão levam-na a querer descobrir o que realmente se passou.

A autora desenvolve muito bem toda a trama e o recurso narrativo de alternar entre o presente e o passado, resulta por completo pois prende o leitor de uma forma soberba. Por vezes ao ler um policial consegue-se prever o desfecho da história, mas neste caso Gillian Flynn deixa o leitor completamente baralhado sem saber em quem ou em que acreditar durante quase toda a obra. Suspeitos não faltam: Lou Cates (o pai da miúda que acusou Ben de a ter molestado), Runner Day (o egocêntrico marido de Patsy e pai das crianças, que tinha abandonado a família), Trey e Diondra (os amigos satânicos de Ben). Apenas nas últimas páginas, que são surpreendentes, é que se percebe o sucedido e por isso não vou revelar mais detalhes da história. Deixo apenas as primeiras linhas deste romance:

"O clã dos Day podia ter vivido para sempre
Mas Ben Day não regulava bem da mente
De Satanás cobiçava o negro poder
Por isso matou a família com todo o prazer

A pequena Michelle de noite ele estrangulou
A seguir foi Debby que ele esquartejou
A mãe Patty para o fim ele guardou
Com um tiro de caçadeira a cabeça ele lhe rebentou

Da chacina a bébé Libby escapou
Mas para o resto da vida com sequelas ficou.

---- Cantilena entoada no recreio das escolas por volta de 1985."

Tal como o anterior “Gone Girl”, esta obra também originou um filme, realizado por Gilles Paquet-Brenner em 2015, protagonizado pela excelente Charlize Theron (Libby) e pela deslumbrante Chloë Grace Moretz. O ambiente denso e pesado do livro é transcrito de forma exemplar para o filme, que segue de forma rigorosa o seu conteúdo.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sons de Inverno


1. Jamie XX (ft Romy)Loud Places
2. Car Seat Headrest Something Soon
3. Swim DeepFueiho Boogie
4. Savages The Answer
5. Kurt VilePretty Pimpin
6. BalthazarNightclub
7. Mercury RevThe Queen Of Swans
8. The Dead WeatherI Feel Love
9. Eagles Of Death MetalSkin Tight Boogie
10. LydiaLate Nights
11. HalseyNew Americana
12. Wolf AliceMy Love’s Whore

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Para os viajantes...

Dicionário de Lugares Imaginários, de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi


O apelo da viagem está na compreensão. Visitamos lugares exóticos, descobrimos novas culturas e o mundo deixa de nos parecer tão assustadoramente grande. Quanto mais conhecemos, mais queremos conhecer. E facilmente nos apercebemos de que cada cenário tem as suas próprias histórias e as suas próprias lições. Também é este o papel da literatura. A demonstrá-lo estão as mais de mil páginas que constituem o Dicionário de Lugares Imaginários. Nelas, Alberto Manguel e Gianni Guadalupi descrevem 1200 lugares que conhecemos apenas dos livros, do País das Maravilhas à Ilha do Capitão Sparrow, passando por Xanadu e pelo Reino do El Dorado. É o presente perfeito para viajar por terras incógnitas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

RIP Scott Weiland

Ten, Nevermind e Core foram dos discos que mais ouvi no início dos anos 90, de um tipo de rock que vingou nesse período e que deu origem ao rock alternativo. Aos 48 anos, o frontman dos Stone Temple Pilots faleceu após uma vida conturbada.

I wanna be as big as a mountain
I wanna fly as high as the sun

(from “Where The River Goes”)

domingo, 8 de novembro de 2015

The Cinematic Orchestra (Theatro Circo, 7 de Novembro)


A Cinematic Orchestra apresentou-se no dia de ontem no Theatro Circo em Braga para revisitar a carreira e apresentar alguns temas novos que deverão ser incluídos no novo disco que deverá ser lançado em 2016. A sala estava completamente esgotada há meses.

O concerto do colectivo liderado por Jason Swinscoe foi introduzido por um trio de cordas feminino e português que apenas ensaiou com a banda durante a tarde (soube-se durante o concerto) e que se juntou em palco aos diversos músicos que compõem a Cinematic Orchestra, um conjunto de multi-instrumentistas que funde jazz e música eletrónica em camadas instrumentais de uma intensidade notável.


Em palco, durante pouco mais de uma hora, os temas percorridos pela banda foram essencialmente dos discos — “Motion”, “Everyday” e “Ma Fleur” (deste último, surpreendentemente não se ouviu a banda sonora deste blog, o tema To Build A Home). As canções mantêm a sua estrutura complexa e são uma delícia para os ouvidos vê-la crescer, facto a que a excelência da acústica do Theatro Circo não é alheia.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Marketing da Sagres

Um tipo levou a namorada para uma praia deserta. Desaperta-lhe o top do biquíni e ela começa a refilar porque ali não dava jeito, que havia muita areia, que ainda se arranhavam e ia entrar areia por todo o lado, etc.... O rapaz disse então: - Calma! Não há nada que não se resolva!!!

E foi ao carro buscar uma grande toalha da SAGRES, que estendeu. A namorada deitou-se em cima da toalha. Ao puxar-lhe a cueca do biquíni, uma rajada de vento levantou a ponta da toalha e ela reage novamente, dizendo que se iam encher de areia, que a toalha voava, que se arranhavam, etc... E ele: - Calma! Tudo se resolve.

Foi ao carro e trouxe 4 latas de SAGRES, colocando uma em cada canto da toalha, para esta não esvoaçar. Como ela estava sempre a implicar com tudo, teve a ideia de trazer também uma venda do carro para lhe pôr à volta dos olhos.

Continuaram...

Já a rapariga estava nua, quando perguntou: - Trouxeste preservativo?
E o namorado: - Aqui não tenho, vou buscar ao carro.

Enquanto foi ao carro, passou um gajo que andava a fazer jogging. Ao deparar com a tipa nua e vendada, deitada na toalha, primeiro aproxima-se, começa a mexer e, como ela não se nega, não hesita e aqui vai disto, salta-lhe para cima!!!

Após o acto consumado, afasta-se e diz:

- Fo..........-se! Com uma campanha destas, agora é que eles rebentam mesmo com os gajos da Super Bock...

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Leituras de Verão


- Rafael ChirbesNa Margem
- André MalrauxA Esperança
- Don DeLilloGreat Jones Street
- Jo NesboO Morcego
- Claudio MagrisAlfabetos

sábado, 15 de agosto de 2015

Documentário The World Wars (History Channel)

 


Excelente série documental dividida em 6 episódios com cerca de 60 minutos cada. Com pouco mais de 20 anos a separar os dois conflitos mais cataclísmicos do século XX – a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais – muitos historiadores defendem que não foram contendas individuais, mas um contínuo sangrento que começou por afetar a Europa e se estendeu ao resto do mundo.

Assim, as figuras mais icónicas da 2ª Guerra Mundial, aquelas que associamos à glória em combate ou ao terrível fascismo, estiveram elas próprias envolvidas em ambos os conflitos – primeiro, nas trincheiras de Ypres e do Somme, e, anos mais tarde, muitas vezes no mesmo local, na Batalha das Ardenas ou na invasão da Normandia.

Adolfo Hitler, Benito Mussolini, George S. Patton, Charles de Gaulle, Douglas MacArthur… Antes de serem gigantes, foram soldados de infantaria e soldados rasos na “guerra que poria termo a todas as guerras”. Esta é a história dessas três devastadoras décadas de confrontos na perspetiva dos homens que se fizeram nas trincheiras e viriam a comandar um mundo à beira do abismo.


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Philip Roth - Humilhação


O trigésimo livro de Philip Roth, com apenas 127 páginas, aborda a tragédia do declínio, do envelhecimento, de forma simples mas com inteligência, subtileza e mesmo alguma psicanálise. Além da questão da decadência do indivíduo também somos obrigados a meditar em temas como o suicídio, a pedofilia e a homossexualidade. As descrições sexuais explícitas também estão presentes. Ao contrário do que é habitual em Roth, não há personagens que pertençam às tradicionais famílias judaicas nem discussões em torno de qualquer religião.

Simon Axler, de 65 anos, é um actor em crise, que já não consegue desempenhar o seu papel quando sobe ao palco e se vê “… aprisionado no papel do homem privado do seu próprio ser, do seu talento e do seu lugar no mundo.” O seu talento foi “desfeito em ar leve” (palavras do seu personagem Próspero de “A Tempestade” de Shakespeare. Também representou MacBeth).

Simon é casado com Victoria, uma bailarina frustrada, que já vai no terceiro casamento e que o abandona após o seu colapso. Apesar dos pensamentos suicidas, Simon prefere contactar o seu médico e o internamento num hospital psiquiátrico. Aí permanece durante vinte e seis dias e conhece Sybil van Buren, que foi lá parar após surpreender o marido a violar a filha!

Meses depois de Axler ter saído do hospital, o seu enteado morreu de sobredose e o casamento da bailarina desempregada com o actor desempregado acabou em divórcio e chegou ao fim mais uma dos muitos milhões de histórias de homens e mulheres em união infeliz.” Simon inicia assim um período de reclusão.

Entra então em cena Megeen, de 40 anos, filha de um casal de amigos de Simon desde o tempo da juventude (Asa e Carol Stapleford), lésbica desde os vinte e três anos mas decidida a mudar a sua orientação sexual e por isso tornam-se amantes. Megeen tinha acabado recentemente uma relação amorosa de seis anos com Priscilla e mais recentemente tivera um caso de apenas três semanas com a reitora de uma faculdade que lhe tinha arranjado o seu último emprego.

Simon apaixona-se, recupera o ânimo perdido e chega mesmo a pensar em ter um filho. Megeen corresponde, expõe os seus maiores desejos eróticos e apenas receia a opinião dos pais em relação a este romance. E mais não conto apesar de considerar que o fim, com uma referência ao conto de Anton Tchekhov, “A Gaivota”, ser um pouco previsível…

Sobre o título da obra, penso que tem a ver não só com o facto de Simon desaparecer do seu mundo, da sua incapacidade de actuar, mas também com a bailarina desempregada, a reitora obcecada ou a esposa que vê a filha ser violada pelo marido.

O livro foi adaptado ao cinema em 2014 por Barry Levinson (já premiado com um Óscar em 1988 por “Rain Man”) e Simon Axler é interpretado pelo excelente Al Pacino que logo na primeira cena olha para a sua imagem num espelho e questiona a sua capacidade de encarnar outra pessoa. Magnífico!

Existem algumas diferenças em relação ao livro. No filme por vezes a imaginação mistura-se com a realidade, ignora-se a esposa Victoria, há referências a Hemingway, há um comboio na casa do Simon, Priscilla reaparece, há uma gata Emily que leva a uma visita ao veterinário, há uma interpretação do “Rei Lear”, é dado um grande destaque a Sybil, a abordagem sexual é bastante soft e, acima de tudo, tem um final diferente e surpreendente.

Por curiosidade refiro que ainda este ano vi mais três filmes de 2014 bastante interessantes sobre actores em crise: Birdman (de Alejandro G. Iñárritu); Maps To The Stars (de David Cronenberg) e Clouds Of Sils Maria (de Olivier Assayas).

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Sons de Verão


1. The Antlers Kettering
2. Wolf Alice Silk
3. Tame Impala Cause I’m A Man
4. The Weeknd Can't Feel My Face
5. Patrick Watson Love Songs For Robots
6. Alabama Shakes Don’t Wanna Fight
7. John Father Misty I Love You Honeybear
8. FoalsWhat Went Down
9. Florence & The Machine What Kind Of Man
10. Franz Ferdinand + Sparks - Johnny Delusional
11. Damon AlbarnSister Rust
12. The Naked And The Famous Girls Like You

sexta-feira, 31 de julho de 2015

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Fernando Tordo - Biografia Involuntária dos Amantes


A imaginação é a chave que temos para manter a morte fechada no seu quarto escuro.”

Li os seis livros anteriores de João Tordo: O Livro dos Homens Sem Luz; Hotel Memória; As Três Vidas; O Bom Inverno; Anatomia dos Mártires e O Ano Sabático. Em termos de géneros são difíceis de catalogar. De uma forma geral, gosto da beleza da sua narrativa e da forma como cria personagens únicas, inteligentes, consistentes, em ambientes normalmente enigmáticos, densos, melancólicos e muito diversificados de livro para livro.

A ideia que tenho sobre a sua obra é que predomina a errância dos protagonistas, sempre longe do seu país natal (talvez relacionada com a sua frustração pessoal e profissional – o escritor frustrado em O Bom Inverno, o músico de O Ano Sabático, o estudante a quem morre a namorada em Hotel Memória ou o narrador de As Três Vidas a quem morre o pai).

Tal como em outras obras anteriores, nesta Biografia Involuntária dos Amantes, o narrador não tem nome. É um professor universitário de Língua e Literatura Inglesa em Santiago de Compostela, divorciado de Paula, solitário, com um programa semanal de rádio em Pontevedra e pai de uma adolescente problemática de 16 anos, Andrea. Este personagem conhece o mexicano Miguel de Saldaña Paris no Café Universo no centro de Pontevedra, onde figura uma estátua do poeta espanhol Ramon Valle-Inclán (foto abaixo). Miguel, outro poeta, vivia com uma melancolia persistente, especialmente após o acidente com o javali e o relato da sua história no programa de rádio do narrador.


Miguel foi casado uma portuguesa que conheceu numa viagem de comboio – Teresa de Sousa Inútil (o segundo apelido é inventado – “Inútil” foi o título dado ao primeiro livro, que tentou publicar em Paris), que o abandonou após cinco anos de casamento. Posteriormente, Teresa morreu de cancro e deixou-lhe um manuscrito. Como Miguel não tem coragem para ler esse documento pede ao narrador que o faça, o que o vai motivar a descobrir a raiz da amargura e do desencanto com a vida do seu amigo. Este manuscrito, que se revelaria ser apócrifo, ocupa todo o terceiro capítulo (num total de oito capítulos), único que é narrado por Teresa, a personagem mais complexa do romance, que relata parte da sua vida, desde as suas primeiras relações amorosas com Jaime, colega do liceu, e mais tarde com Raul, até às relações pessoais com os pais e o tio Franquelim.

O narrador não nomeado, decepcionado com os actuais alunos pois “…os alunos pareciam-se cada vez menos tocados pela literatura e cada vez mais distraídos pelas banalidades de um mundo tingido de monotonia”, inicia então um périplo que o vai levar a Londres (entrevista Antonia McKay, anterior chefe de Miguel), ao Canadá (conhece Luís Stockman, vizinha de Teresa em Mont-Tremblant e protagonista em O Ano Sabático – este cruzamento de personagens nos romances de Tordo é habitual. Recordo-me por exemplo de Elsa Gorski de O Bom Inverno e O Ano Sabático), a Lisboa (fala com Jaime e visita Franquelim na prisão), e finalmente, o regresso a Pontevedra.

Os dois biógrafos involuntários da obra são: o Benxamín, o bibliotecário que enviou o manuscrito ao Miguel, e que foi o biógrafo involuntário de Teresa e o narrador não nomeado que acaba por ser o biógrafo involuntário do Miguel.

Como habitualmente existe uma forte ligação à cultura anglo-saxónica, com inúmeras referências (Yeats, Eliot, Auden, Joyce, Woolf, Byatt, McEwan, Ishiguro, Amis, Wilde, Pinter, Kane, Marías, Borges, Bolaño, Byron, Kafka, Charles Mingus, Delphine Seyrig e o filme O Último Ano em Marienbad) e o destaque a escritores que fumam: Pessoa, Camus, Kerouac, Cardoso Pires, Mark Twain, Dylan Thomas, Cortázar e Samuel Beckett. Outros episódios de relevo: a lenda de Léonard du Revenant, a fuga do pai da Teresa para Espanha e a seguir a da própria Teresa com o tio; o affair com a amiga da Andrea, Débora; o esquema falso de prostituição; o contrabando de aparelhos de vídeo VHS e o significado simbólico do postal com uma pintura de Edward Hopper, Rooms By The Sea (foto abaixo): “esperar que, mais cedo ou mais tarde, uma porta se abra e se mude de vida”.


No final da história e apesar do tormento das personagens, em conflito com o passado e sem aceitar o presente, a referida “porta” é aberta. Gostei imenso de ler este livro, será um dos meus preferidos do autor, em conjunto com O Livro dos Homens Sem Luz; As Três Vidas e O Ano Sabático.


terça-feira, 28 de julho de 2015

The Pervert's Guides

Acabei de rever dois documentários fascinantes sobre cinema realizados por Sophie Fiennes e apresentados pelo esloveno Slavoj Žižek (penso que se lê “Slavói Tchitchéqui”). Žižek é um filósofo e sociólogo, com mais de uma dezena de livros traduzidos e publicados em Portugal, o último dos quais chamado “O Islão é Charlie?” onde faz uma reflexão crítica sobre os acontecimentos que tiveram lugar em Paris a 7 de Janeiro de 2015, nos escritórios do jornal Charlie Hebdo.


The Pervert's Guide to Cinema (2006)

No primeiro filme, de 2006, analisa de forma psicanalítica e filosófica diversos filmes (cita 43 películas!) com destaque para a filmografia de Alfred Hitchcock, David Lynch, Charles Chaplin e Andrei Tarkovski. Trata-se de uma análise essencialmente pessoal, e por isso subjectiva, de alguém apaixonado pelo cinema, mas também irreverente e por vezes controverso e com um fortíssimo sotaque inglês (“and so on, and so on”). Por sua vez, o principal contributo da realizadora foi colocar Žižek nas cenas dos filmes e assim criar a ilusão de que Žižek fala a partir do interior dos próprios filmes.

Relativamente ao conteúdo do filme, Žižek começa por abordar a dicotomia entre a realidade e a ficção, depois desenvolve um tema bem Freudiano, a libido, e termina a discutir os valores simbólicos apresentados nos filmes. Achei bastante interessante a análise da casa de Norman Bates em “Psico”, com três andares e a consequente distinção entre ego, super ego e id, a tentativa de explicar os modelos de comportamento de Hollywood bem como os sonhos de David Lynch, onde a realidade e a fantasia caminham lado a lado, e a figura opressiva dos pais nos seus filmes. Também adorei ver extractos de alguns dos meus filmes preferidos e alguns personagens que já não via há algum tempo (como o Bobby Peru, de “Wild At Heart”).

Na minha opinião, o que Žižek pretende é, através de revelações psicoanalíticas, dizer que falar sobre os filmes é falar sobre nós mesmos.


The Pervert's Guide to Ideology (2012)


No segundo filme, realizado seis anos mais tarde, Žižek continua a procurar significados escondidos em filmes mas em torno do conceito de “ideologia”, destacando-se essencialmente a vida em sociedade, os regimes de governação e a religião. O número de filmes abordados é inferior (24) mas são referidos outros factores que terão influenciado a tal “ideologia”: um anúncio comercial da Coca-Cola e outro do Ovo Kinder Surpresa; a Nona Sinfonia de Beethoven (Hino à Alegria); a revolta em Londres em 2011; os atentados de Oslo (Breivik); uma música dos Rammstein; a política comercial da Starbucks; o cemitério de aviões no deserto de Mojave; a Primavera de Praga em 1968; as armas de destruição maciça no Iraque e a expressão de Sartre de 1943: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”. No entanto, o principal factor é apresentado como “The Big Other”…

Estes documentários são para se ver várias vezes pois a primeira visualização pode deixar-nos um pouco perdidos no meio de tanta informação, o que me levou a consultar alguns livros sobre cinema da minha biblioteca (foto abaixo). A segunda visualização já permite compreender melhor a complexidade psicológica apresentada por Žižek. Spoiler alert: alerto para o facto de que quem não viu alguns filmes citados vai ficar a conhecer o seu final.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Futebol vs Sexo

Um homem assistia a um jogo de futebol pela televisão, mas mudava de canal a cada momento, do canal de desporto para um filme porno, que mostrava um casal em plena acção.
- "Não sei se assista ao filme, ou se veja o jogo", disse para a mulher.
- "Pelo amor de Deus, assiste ao filme..." respondeu ela. "Futebol já tu sabes jogar".

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Livros sobre Livros (e Bibliotecas)


Nos últimos meses li várias obras sobre o amor desmesurado pelos livros, bibliotecas e pela literatura. Obras que mostram como os livros são maravilhosos, reconfortantes e surpreendentes.


A Casa de Papel – Carlos María Domínguez

Neste minúsculo livro, Bluma Lennon é uma professora universitária que é vítima de um acidente mortal enquanto lia um poema de Emily Dickinson. O seu substituto na universidade, recebe um envelope dirigido à falecida que contém um exemplar do livro de Joseph Conrad “A Linha da Sombra”. No entanto, este exemplar tem a capa e a contracapa cheias de cimento, e quem o recebeu não resiste a procurar o remetente de tal objecto...

O amor pelos livros está patente ao longo de todo o livro: “Os livros avançam pela casa, silenciosos, inocentes. Não consigo detê-los” (página 15); “Preciso de ler todo o aparato, esclarecer o sentido de cada conceito e, por isso, dificilmente me sento a ler um livro sem vinte ao lado, às vezes para completar a interpretação de um só capítulo” (página 31) ou “Eu fodo com cada livro e, se não houver marcas, não há orgasmo” (página 35).


Jacques Bonnet – Bibliotecas Cheias de Fantasmas

Mais uma preciosidade para os amantes da leitura. Este livro está dividido em nove capítulos e o autor, com base na sua experiência pessoal, aborda temas como as bibliotecas gigantes, as bibliomanias, a arrumação dos livros e as práticas de leitura. Como a minha biblioteca já ultrapassou o milhar de exemplares, identifiquei-me com alguns dos “problemas” que o autor relata no capítulo “Arrumar e Classificar”.

Ao longo da obra deparamo-nos com inúmeras referências literárias o que nos leva a querer ler mais e melhor, descobrir coisas diferentes e alargar os nossos horizontes. A título de exemplo, no capítulo oito é feita uma alusão a um episódio de The Twilight Zone (A Quinta Dimensão), a série de televisão dos anos 60, chamado "Time Enough At Last", no qual um bancário não tem tempo para se dedicar à sua actividade preferida: a leitura…


Daniel Pennac – Como Um Romance

Retrata a iniciação ao mundo da leitura, desde a infância até à idade adulta e está repleto de citações e histórias surpreendentes sobre o amor aos livros. Contém os conhecidíssimos direitos inalienáveis do leitor (no foto abaixo) e 21 razões para ler (páginas 68 e 69).


Neste tratado sobre a leitura, Pennac considera que «ler» não deve ser um trabalho forçado. O ideal é tirar o melhor partido de um livro e ler acima de tudo com gosto.

Há quem nunca tenha lido e por isso tenha vergonha, há os que já não conseguem arranjar tempo para ler e que por isso se lamentam, há os que nunca lêem romances, só livros úteis, ensaios, obras técnicas, biografias, livros de história; há os que lêem tudo, que «devoram» e, cujos olhos brilham, há os que só lêem os clássicos, meu caro senhor, «pois a melhor crítica é o crivo do tempo», há os que passam a idade madura a «reler», e os que leram o último de fulano e o último de cicrano, porque, meu caro senhor, temos de estar a par…
Mas todos, todos, em nome da necessidade de ler
” (página 66).


Zoran Zivkovic – A Biblioteca

Nesta viagem de ida ao mundo dos livros entramos em simultâneo no mundo da magia e fantasia. São 6 contos, todos com a palavra Biblioteca no início do título ao que acresce Virtual, Particular, Nocturna, Infernal, Minimal e Requintada. Aqui encontramos um escritor que descobre na sua caixa de e-mail um link para uma Biblioteca Virtual que afirma ter lá “tudo”; um homem que sempre que abre a sua caixa de correio encontra o mesmo livro (chamado “Literatura Universal”) originando problemas de arrumação na sua casa; a existência de uma biblioteca especial só com livros de todas as vidas do planeta; um indivíduo que tem de prestar contas no inferno por não ter lido nenhum livro durante toda a sua vida (claro que a terapia obrigatória é a leitura!); um livro que muda de título e conteúdo sempre que é aberto e uma pessoa avessa a edições de bolso mas que não se consegue livrar delas… Delicioso!


Jorge Luis Borges – O Livro de Areia


Este livro contém 13 contos e vou destacar apenas o último, “O Livro de Areia” pois é o único que versa sobre o mundo dos livros. A história é similar às histórias de Zivkovic, com um elemento fantástico presente: um indivíduo é convencido a comprar um livro que não tem nem a primeira nem a última página (daí a origem do título do conto, pois nem o livro nem a areia têm princípio nem fim).

Por curiosidade menciono que 31 anos antes (e em muito melhor forma), Borges na sua obra-prima “Ficções” de 1944 incluiu o famosíssimo e obrigatório conto metafísico “A Biblioteca de Babel”, retratando uma realidade em que o mundo é composto por uma infinidade de livros em que estes abarcam todas as possibilidades da realidade.


Umberto Eco – A Biblioteca


Este opúsculo, de leitura bastante rápida, baseia-se na conferência dada no dia 10 de Março de 1981, data da comemoração dos vinte e cinco anos de actividade da Biblioteca Municipal de Milão, pelo sempre provocatório e genial Umberto Eco.

Eco começa por apresentar as razões para a existência das bibliotecas (“a principal função da biblioteca é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importante para nós”) concluindo que uma Biblioteca deverá ter como principal objectivo ser um espaço convidativo à permanência, à consulta, à leitura e à pesquisa no local. Posteriormente estabelece de forma irónica várias alíneas que sustentam uma biblioteca ideal (da letra a à letra s).


Umberto Eco e Jean-Claude Carrière – A Obsessão do Fogo


A obra consiste “apenas” num diálogo sobre o papel dos livros no decurso da História, protagonizado por Umberto Eco e um escritor e cineasta francês, Jean-Claude Carrière. Li as 305 páginas do livro em menos de 48 horas, tal o seu interesse, asserção e humor.

Os autores viajam pelos livros e bibliotecas ao longo de milhares de anos, expondo e trocando pontos de vista, estórias e reflexões que os levam a meditar sobre a “idiotia” e a imbecilidade do mundo, acabando por revelar a eterna preocupação do Homem pelo fogo, principalmente em relação às bibliotecas. Uma conclusão partilhada por ambos: o livro não morrerá, sobrevirá ao e-book: “O livro é, tal como a roda, uma espécie de perfeição inultrapassável na ordem do imaginário”.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Gomorra – A Série


Acabei de ver em apenas três dias os 12 episódios da primeira temporada da série italiana “Gomorra” baseada no livro de Roberto Saviano (que já tinha originado um filme em 2008, realizado por Matteo Garrone). Benditas boxes dos tempos modernos!

Nesta série confrontam-se dois dos clãs mais poderosos da Camorra, envolvidos no tráfico de drogas: o clã Savastano e o clã Conte. Don Pietro Savastano apoia-se em Ciro Di Marzio, seu braço direito, um homem inteligente e ambicioso, no seu filho Genny e na sua mulher Immacolata.

Sem querer desvendar a história apenas acrescento que em todos os episódios há assassinatos e violência q.b., , numa guerra sem moral entre quem se quer impor num mundo fora da lei. As interpretações são apaixonantes e cruas, as relações familiares são dramáticas e ferozes e a descrição da forma como a Camorra gere o seu território é impressionante.

No décimo segundo episódio assiste-se a uma autêntica reviravolta nos acontecimentos após a simulação e fuga de Don Pietro, a morte de Donna Immacolata e a emboscada no túnel, perspectivando uma excelente segunda temporada.

Absolutamente genial.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Cees Nooteboom - Rituais


Esta foi a minha primeira incursão pela obra deste autor holandês. Inni Wintrop é a personagem principal que procura constantemente respostas para as diversas questões do mundo contemporâneo (principalmente sobre Deus, as religiões e o dinheiro), vivendo constantemente em insegurança, com medo, angustiado e deveras cético, pois “o epicentro da estatística parecia encontrar-se perto dele e as estatísticas eram infalíveis”.

Para ele, as convicções políticas “são uma ligeira doença da alma”. As suas crenças são postas em causa por duas pessoas que conhece ao longo da sua vida: Arnold Taads e Philip Taads (pai e filho). Aliás, o livro está dividido em três partes: em 1953 convive com o pai Arnold, em 1963 relata-se o pseudo-suicídio e em 1973 trava conhecimento com o filho Philip.

Na primeira parte, ficamos a saber que Inni, órfão, viveu num colégio interno, foi expulso de quatro escolas e entregue pela sua tia Thérèse a Arnold Taads, ateu e misantropo (gosta mais do seu cão do que das outras pessoas), durante alguns dias. O pai de Inni, que morreu em 1945 num bombardeamento, traiu a mãe com a empregada doméstica e abandonou-a. Era um homem “cujo relacionamento com o mundo tinha falhado”. Em relação a Philip, tratava-se de um monge solitário, que adoptou a reclusão como forma de vida. Sobre o suicídio apenas adianto que Inni foi traído pela mulher Zita, com um fotógrafo italiano.

A obra está carregada de referências a pintores e escritores holandeses, mas também são citados Virginia Woolf, Theodor Fontaine, Yasunari Kawabata, Kitagawa Utamaro, Jean-Paul Sartre e uma água-forte de Baccio Baldini (Sibila Líbia, na foto abaixo). Logo no início, Stendhal anuncia:

Personne n’ est, au fond, plus tolérant que moi. Je vois des raisons pour soutenir toutes les opinions; ce n’est pas que les miennes ne soient fort tranchées, mais je conçois comment un homme qui a vécu dans des circonstances contraires aux miennes a aussi des idées contraíres”.

(No fundo, ninguém é mais tolerante do que eu. Vejo razões para sustentar todas as opiniões; não porque as minhas não sejam mais nítidas, mas porque concebo que um homem que viveu em circunstâncias contrárias às minhas tenha ideias contrárias.)

A escrita é leve mas cativante e proporciona uma forma densa de pensar sobre os dilemas vitais do homem moderno sem apresentar qualquer panaceia, considerando apenas o homem como ser solitário, incomunicável e egoísta (“o homem é um triste mamífero que se penteia”). Na última página da obra é feita uma alusão a Rikyu, o maior mestre de chá de todos os tempos, que acaba por ser fundamental para a compreensão da história.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

No – El Prado

Ouvi pela primeira vez os No (anteriormente conhecidos como Black English), nos créditos finais do filme “Miss Meadows”, através do tema The Long Haul. Procurei de imediato a sua discografia que era composta apenas por um álbum editado em 2014. As influências são notórias, soam demasiado a The National, uma das minhas bandas preferidas (é incrível a semelhança da voz de Bradley Hanan Carter com a de Matt Berninger), e por isso passaram a fazer parte das minhas audições frequentes.

O disco, extremamente consistente, melancólico, com um som enquadrado no indie rock, arranca de forma certeira, com Leave The Door Wide Open onde sobressai a voz de Carter (canta “We come together / We fall apart / We make some noise inside a room and call it art”).

Tal como sucede com os The National, as músicas dos No também se adequam à sua inclusão em filmes pois conseguem aumentar o impacto emocional de qualquer cena, deixando tudo muito mais intenso e poético.


domingo, 12 de julho de 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Rui Sousa Basto – Contos do Efémero


Para mim os livros de contos são livros que se vão lendo. Neste caso, e apesar de não ser tarefa fácil, pois estamos a falar de micro-contos, muitas vezes constituídos por um único parágrafo, mantive esta regra.

De uma forma simples, o autor barcelense consegue descrever algumas situações-limite, reveladoras do frágil equilíbrio em que se baseiam as normas vigentes no nosso mundo. Aqui encontramos um escritor obrigado a resumir o seu romance de mil páginas numa única frase, a forma de identificar um líder num grupo, a dificuldade em identificar a mais velha profissão do mundo, políticos internados de urgência devido à corrupção, agentes da autoridade escrupulosos no cumprimento das leis severas mas apenas fora das horas de serviço, octogenárias que, por recusarem os sinais do tempo, não abdicam do uso de máscaras...

De uma maneira geral, estes 30 contos, apesar de efémeros, são deliciosos, devem ser lidos e relidos, surpreendem e são inesquecíveis. Os meus preferidos dão pelo nome de “O Escritor”, “Words, Words, Words”, “Anarquia”, “O Editor” e “Bibliofilia” que reproduzo de seguida:

Palenberg é um bibliófilo compulsivo. A sua biblioteca possui mais de cinquenta mil títulos. Arruma-os nas estantes com um desvelo inigualável. Limpa-os com múltiplos cuidados, dia após dia, do pó que teima em depositar-se em cada volume que repousa nas prateleiras. Ama-os como se fossem filhos seus, carne da sua carne. Todavia, entristece-se por não serem todos do mesmo tamanho – uns mais altos, outros mais baixos -, porque isso dificulta o seu alinhamento. Depois de pensar, pensar e voltar a pensar, tomou uma decisão extrema: cortou todos os livros pela altura do exemplar mais pequeno. Ainda bem que Palenberg não sabe ler.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Técnicos de Comércio


O meu sucesso como professor está no êxito dos meus alunos e nas suas realizações.

Desejo a todos as maiores felicidades pessoais, académicas e profissionais e que o futuro vos sorria.

Até sempre,

CCB

domingo, 7 de junho de 2015

Pensamento do Dia


"Um dia sem riso é um dia perdido".

Charlie Chaplin