Finalmente tive oportunidade de caminhar pelos Passadiços do
Paiva, no concelho de Arouca, distrito de Aveiro. Localizam-se na margem
esquerda do Rio Paiva, são 8 km que proporcionam um passeio
"intocado", rodeado de paisagens de beleza ímpar, num autêntico
santuário natural, junto a descidas de águas bravas, cristais de quartzo e
espécies em extinção na Europa. O percurso estende-se entre as praias fluviais
do Areinho e de Espiunca, encontrando-se, entre as duas, a praia do Vau. Uma
viagem pela biologia, geologia e arqueologia que ficará, com certeza, no
coração, na alma e na mente de qualquer apaixonado pela natureza. Excelente!
quinta-feira, 24 de agosto de 2017
Passadiços do Paiva (Arouca)
segunda-feira, 17 de julho de 2017
domingo, 16 de julho de 2017
O Reinado Prossegue…
O melhor tenista de todos os tempos continua a fazer história. Apesar dos seus quase 36 anos anos, Roger Federer parece ser um atleta sobrenatural. Depois de na época passada ter sido eliminado nas meias-finais por Milos Raonic e praticamente ter terminado aí a sua época, poucos acreditariam que, em 2017, Federer voltaria a dominar o circuito e que poderá terminar o ano como número um mundial.
Este domingo dominou completamente a final de Wimbledon e conseguiu obter o título sem ter cedido qualquer set ao longo da quinzena. Impressionante!
A lista de recordes de Federer é enorme, já aqui falei dela, mas recordo os principais feitos deste atleta cujos gostos musicais passam por AC/DC, Metallica e Lenny Kravitz:
- 19 títulos do Grand Slam
- 29 finais do Grand Slam
- 42 meias-finais do Grand Slam
- 23 meias-finais seguidas no Grand Slam
- 50 quartos de final no Grand Slam
- 36 quartos de final seguidos no Grand Slam
- 321 encontros ganhos no Grand Slam
- 93 títulos na carreira
- 24 títulos seguidos em finais ATP
- 302 semanas como número um do ranking ATP
- 237 semanas seguidas como número um
- 65 encontros seguidos a ganhar em relva
- 0 sets perdidos em Wimbledon ‘2017 e Australia ’2017
Roger dixit:
"O segredo está em acreditar sempre em mim."
"Estar a cem por cento fisicamente é imprescindível."
segunda-feira, 10 de julho de 2017
O Leão, o Velho e a Loira
O dono do circo fala com os 2 candidatos e diz:
- Eu vou directo ao assunto. O meu leão é extremamente feroz e matou os meus dois últimos domadores. Ou vocês são realmente bons, ou não vão durar 1 minuto! Aqui está o equipamento - banquinho, chicote e pistola. Quem quer entrar primeiro?
Diz a loura:
- Vou eu!
Ela ignora o banquinho, o chicote e a pistola e entra rapidamente na jaula.
O leão ruge e começa a correr na direcção dela. Quando falta um metro para ser alcançada, a loura abre o vestido e fica toda nua, mostrando todo o esplendor do seu corpo.
O leão pára como se tivesse sido fulminado por um raio!
Ele deita-se na frente da loura e começa a lamber-lhe os pés!
Pouco a pouco, vai subindo e lambe o corpo inteiro da loura durante minutos!
O dono do circo, com o queixo caído até ao chão diz:
- Eu nunca vi nada assim na minha vida!
Vira-se para o senhor aposentado e pergunta:
- Você consegue fazer a mesma coisa?
E o velhinho responde:
- Claro! É só tirar de lá o leão...
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Sons de Verão
1. Emily Haines & The Soft Skeleton – Fatal Gift
2. Asgeir – Afterglow
3. Chromatics – Shadow
4. Tricky – The Only Way
5. Ariel Pink – Another Weekend
6. Lykke Li – Unchained Melody
7. Photomartyr – A Private Understanding
8. Broken Social Scene – Hug Of Thunder
9. The Horrors – Machine
10. Courage My Love – Animal Heart
11. King Gizzard & The Lizard Wizard – The Lord Of Lightning vs Balrog
12. Moses Sumney – Doomed
13. Angus & Julia Stone – Snow
14. Manchester Orchestra – The Alien
15. St. Vicent – New York
16. Kele Okereke – Streets Been Talkin'
17. Beach House – Chariot
18. Jen Cloher – Regional Echo
19. Radiohead – I Promise
20. Arcade Fire – Creature Confort
domingo, 2 de julho de 2017
Leituras de Verão
- W.G. Sebald - Austerlitz
- Ramon Gener - Se Beethoven Pudesse Ouvir-me
- Ana Margarida de Carvalho - Que Importa A Fúria Do Mar
- Adrian Goldsworthy - António E Cleópatra
- Michael Farquhar - As Vidas Secretas Dos Czares
- Peter Mendelsund - O Que Vemos Quando Lemos
sábado, 24 de junho de 2017
3 Álbuns Deslumbrantes!
Editados em 2017, são segundos álbuns de vozes femininas que fazem lembrar, por exemplo, Angel Olsen, Lisa Germano, Gillian Welch, Laura Marling ou Joanna Newsom, em que a intensidade dos temas desafia as influências óbvias.
São discos não aconselhados a quem ouve música a retalho na net e com o som comprimido, sem conhecimento do que foi sentido e pensado pelo artista.
Aldous Harding – Party
Esta neozelandesa, nascida Hannah Topp, em “Party” (editado pela 4AD e produzido por John Parish, colaborador de PJ Harvey) tem o dom de fazer a realidade parecer uma coisa muito frágil (“Blend”), por vezes penetrando numa escuridão convidativa e cativante (“The World Is Looking For You” e “Party”), invocando uma dor profunda (“Horizon”, recentemente apresentada de forma magistral no Later with… Jools Holland, da BBC 2) e um vício (“I’m So Sorry”), alternando o humor e as vozes sem esforço (“What If Birds Aren't Singing They're Screaming” e “Living The Classics”) e construindo assim uma obra surpreendente.
Julie Byrne – Not Even Happiness
Abençoada com uma voz límpida e profunda, esta norte-americana brilha sem espalhafato ao longo de 9 canções da mais bela e hipnotizante folk, criando momentos sublimes. Os arranjos orquestrais são cuidados, as letras falam de felicidade, mas também de desejo, luta, força, sabedoria, integridade, viagens (“Melting Grid”) e de solidão: “I was made for the green, made to be alone,” canta em “Follow My Voice”. A voz de Julie é de uma delicada entoação. Aconchega-se ao ouvido, cola-se à pele, transmite tranquilidade mesmo quando canta infortúnios. A imagem que fica é de uma mulher intransigente nas suas tentativas de criar uma vida significativa - “I crossed the country and I carried no key” (em “Sleepwalker”).
Nadia Reid – Preservation
Cá está outro disco que mais parece uma daquelas receitas que de tão simples se tornam irresistíveis. Arranjos simples e muito silêncio para deixar a voz respirar. Quase não há ingredientes adicionados para desviar a atenção da voz, das melodias e das palavras. A neozelandesa Nadia Reid apostou em canções de arrepiante personalidade (em “Reach My Destination” canta There were two little words that I used, one was ‘fuck’, the other was ‘you’) onde o protagonismo é dado claramente à sua voz e à sua guitarra. É música simples, como as melhores coisas na vida são. Discos destes fazem crer que este mundo merece ser vivido.
Globalização
Se o Mundo só tivesse 100 pessoas, era tudo mais fácil de compreender. Um número redondo ajuda sempre. Convidei todos para uma festa cá em casa e ficou assim a guest list!
Metade dos 100 convidados são homens e outra metade
mulheres. Justo e perfeito! Se a gente não estragar nada, o futuro está
assegurado. Tem muito amor para acontecer.
As companhias aéreas seriam muito beneficiadas. Mais de
metade [60] vivem na Ásia. Da América do Sul viriam 9, acho que conheço quase
todos, das terras do Tio Sam e do Canadá 4, de África 14 e por via terrestre
apenas 11 europeus. O Oriente leva muita vantagem. Será que o Mundo vai ser
todo chinês?
Mandei 75 convites por telemóvel, mas como só 30 tinham
Internet, foi SMS para uns e Whatsapp para outros. Aos restantes 25 enviei
carta. Tomara que chegue a tempo; e que a saibam ler.
Os nossos convidados fazem muita coisa diferente. Mas
sobretudo vivem vidas muito desiguais. O Mundo não é bom para todos.
Como no género, também se dividem a meio no lugar onde
escolheram, ou têm, de viver. 51 em cidades e 49 no campo; e também a meio no
dinheiro que têm para gastar. 49 têm menos de dois dólares por dia. 1,77 euros,
menos de 8 reais. Ainda assim, 21 são gordos, 15 comem menos do que é preciso e
há um que está esfomeado. Vou organizar a ementa do jantar para responder a
isso.
Tanta diferença é mais fácil de entender se soubermos como
foi a infância de cada um. Embora 83 saibam ler e escrever, 17 não saberiam
entender o endereço cá de casa.
Apenas 7 acabaram a universidade, mas nem todos saberiam
falar entre eles. A maior diferença nos nossos convidados é a língua. Vejam só:
12 falam chinês, 5 espanhol e outros 5 inglês. Há quatro grupos de 3. Os
falantes de português, árabe, hindi e bengali. Dois falam russo, outros dois
japonês. Os outros sessenta e três falam cada um a sua língua! Babel! Je
comprend rien.
Para fazer a ementa e as mesas tomei em conta a religião. Há
33 cristãos que comem de tudo, 22 muçulmanos que não bebem álcool, 14 hindus
que não comem vaca, 7 budistas que são vegetarianos e 12 sem religião nenhuma
que se sentam onde quiserem.
No final, quando agradeci por terem vindo, desejei um bom regresso
a casa. Mas 23 ainda não foram embora porque não têm um teto para morar.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
11º F
“Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos – a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo.”
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego
Muita sorte e felicidade. Desejo que a alegria na vossa vida seja infinita e constante.
Acreditem na vossa força interior, vocês são capazes…
CCB
sábado, 10 de junho de 2017
Pensamento do Dia
“Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo.”
Oscar Wilde
quarta-feira, 7 de junho de 2017
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Rufus Wainwright, Theatro Circo, 31 de Maio de 2017
Inserido no ciclo “Respira! – O piano como pulmão” promovido pelo Theatro Circo, Rufus Wainwright apresentou um concerto único nesta sala bracarense completamente esgotada. Sem formato banda, apenas alternando a utilização de um piano com uma guitarra acústica. Esperava um alinhamento baseado nos primeiros discos de estúdio, esquecendo as últimas incursões pela ópera, pelos sonetos de Shakespeare e por Judy Garland e foi isso mesmo que aconteceu.
“Agnus Dei” (de Want Two) teve as honras de abertura do espectáculo, revisitando de seguida os 7 álbums de estúdio (com excepção do disco menos conseguido de 2010, All Days Are Nights: Songs for Lulu), ora cantando com uma guitarra na mão, ora se sentando no piano para apresentar o próximo tema. “This Love Affair”, “Out Of The Game”, “Grey Gardens”, “Jericho”, “In My Arms” (aqui enganou-se na letra o que levou à gargalhada geral e a um forte aplauso) sucederam-se num ambiente bastante intimista. Wainwright mostrou-se muito comunicativo com o público. Referiu-se por duas vezes à cidade de Braga: quando visitou "umas 5 igrejas" e quando se deslumbrou com o Bom Jesus. Tentou, com sucesso, a comédia quando contou a sua recente passagem pelos arredores de Barcelona e pelo momento em que recebeu uma massagem de um profissional que não dominava a língua inglesa e que lhe pediu para “inspire” e “expire” (inhale, exhale) e que também lhe perguntou “Do you like depression?”…
O artista emocionou-se quando apresentou uma cover de Lhasa de Sela (falecida em 2010), a magnífica “I’m Going In”. Houve ainda tempo para apresentar uma nova canção “The Sword Of Damacles” que “soon will be released”, contando previamente que foi inspirada por uma amiga francesa chamada Bernardette. Anunciou que irá apresentar a sua primeira ópera "Prima Donna" na próxima semana em Paris e que já está a preparar a próxima ópera baseada no imperador Adriano.
Sem grande surpresa as últimas quatro canções foram: “Cigarettes And Chocolate Milk”, “Going To A Town” (a mais ovacionada da noite), “Hallelujah” (original de Leonard Cohen) e, surpreendentemente, encerrou a noite com “Poses”, do disco com o mesmo nome que verdadeiramente celebrizou Wainwright como compositor (nesta última interpretação voltou a esquecer-se da letra – “it’s getting late”, justificou o homem). Agradeceu e elogiou o público bracarense: "What a discovery!".
Rufus Wainwright provou que o artista é um bom artista, mostrou uma das suas facetas mais fortes, a de cantautor sozinho ao piano ou à guitarra, longe das orquestrações pomposas que costumam marcar presença nas suas canções. E tão cedo não se apagará esta actuação nas mentes de quem a presenciou.
domingo, 23 de abril de 2017
sábado, 22 de abril de 2017
Museu do Dinheiro (Lisboa)
Acabei de visitar o Museu do Dinheiro, na Baixa Pombalina. Após um minucioso controle electrónico, a entrada foi feita pelo imponente hall da antiga Igreja de São Julião, e iniciou-se de seguida uma viagem pela máquina do tempo…
Nove salas temáticas do Museu, propriedade do Banco de Portugal, com muita interacção multimédia, dão-nos a conhecer a origem do dinheiro, quem o fabrica e a relação que se foi estabelecendo ao longo dos tempos entre o Homem e o dinheiro. A lógica subjacente a este museu temático é: ver, tocar, experimentar e partilhar.
A visita guiada começa com o convite a tocar numa barra de ouro de mais de doze quilos e meio, que valerá, dependendo da cotação, meio milhão de euros, a manusear uma moeda virtual, a viajar num mapa, a trocar bens por dinheiro com um computador que simboliza o deus grego Hermes (deus do comércio e das trocas), a posar para que a nossa cara apareça numa nota, a utilizar o simulador de um poço de desejos e a deixar um depoimento sobre a relação que se tem com o dinheiro. Importante, foi também conhecer alguns dos objectos que eram usados antigamente nos bancos assim como máquinas, chapas de impressão, esboços e desenhos que estão na origem das moedas e notas.
Na cripta da antiga igreja foi-nos dado a conhecer um troço da Muralha de D. Dinis, classificada como Monumento Nacional (descoberta nas escavações arqueológicas realizadas em 2010), uma construção medieval que nos levou numa viagem, percorrendo mais de 1000 anos da história de Lisboa.
Também tivemos a oportunidade de apreciar uma exposição alusiva aos 500 anos do nascimento (1517-2017) do pintor, desenhador, arquitecto, ensaísta, idealista, Francisco D’Holanda, um homem ímpar na história da cultura portuguesa. Esta exposição propõe um olhar de síntese sobre a vida e a obra deste artista de relevo na cena renascentista nacional e internacional.
Dada a quantidade de informação que nos é fornecida, se desejarmos relembrar e partilhar nas redes sociais com os amigos esta incursão pela história do dinheiro, podemos chegar a casa e, com o bilhete de entrada no museu, recriar o percurso e tudo o que se fez no computador, ou seja, acabamos por terminar a visita na nossa própria casa. Enfim, uma excelente viagem pela nossa história…
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Queridas Mães, Queridos Filhos
terça-feira, 4 de abril de 2017
quarta-feira, 22 de março de 2017
Sons da Primavera
Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'
1. Ryan Adams – Do You Still Love Me?
2. Laura Marling – Next Time
3. Temples – Strange Or Be Forgotten
4. Cigarettes After Sex – Nothing’s Gonna Hurt You Baby
5. The Flaming Lips – There Should Be Unicorns
6. Lana Del Rey – Love
7. Father John Misty – Pure Comedy
8. MIYNT – Cool
9. Bishop Briggs – Wild Horses
10. The Molochs – You And Me
11. Anna Of The North – Oslo
12. AOE – I'm Right This Time
13. Majical Cloudz – Downtown
14. Goldfrapp – Ocean
15. The Magnetic Fields – Be True To Your Bar
16. Grandaddy – A Lost Machine
17. The Big Moon – Formidable
18. Elbow – Magnificent (She Says)
19. Cage The Elephant – Cigarette Daydreams
20. Communist Daughter – Keep Moving
quinta-feira, 2 de março de 2017
Leituras de Março
- Alberto Manguel - A Biblioteca À Noite
- Charles Dickens - História Em Duas Cidades
- Geraldine Brooks - As Memórias Do Livro
- Margaret Atwood - O Coração É O Último A Morrer
- Philip K. Dick - O Homem Do Castelo Alto
domingo, 29 de janeiro de 2017
King Roger
O campeoníssimo suíço Roger Federer acabou de escrever uma nova página na sua lenda na história do ténis, ao vencer o seu quinto Open da Austrália, o seu 18º título do “Grand Slam”, ampliando ainda mais o recorde que já detinha. Era uma final de sonho, um clássico do ténis mundial, um confronto entre dois nomes maiores da modalidade e que, para os fãs, constituía um regresso ao passado embora para mim Federer seja claramente o melhor tenista de todos os tempos.
Depois de nas etapas anteriores vulgarizar 3 Top Ten da modalidade (Berdych, Nishikori e Wawrinka) hoje foi dia de mais Momentos Federer: alturas em que, ao ver o helvético a jogar, o queixo nos cai, os olhos nos saltam das órbitas e soltamos sons que fazem aparecer quem está nas redondezas para verificar se estamos bem. Claro que os momentos são mais intensos se tivermos jogado ténis tempo suficiente para compreender a impossibilidade daquilo que acabámos de o ver fazer.
Subtileza, inteligência, técnica, elegância. A direita de Federer é uma formidável chicotada fluida e a esquerda uma pancada com uma só mão capaz de aplicar uma bola seca, carregada de efeito ou cortada. O serviço possui uma velocidade de classe mundial e uma colocação e variedade que ninguém se aproxima sequer de igualar. O vólei, smash e o lob são exemplares. A capacidade de antecipar a jogada e a noção de posicionamento no campo são sobrenaturais e no jogo de pés é exímio. Desta forma, as proezas desportivas de Federer são extraordinárias. Os seus recordes na modalidade podem ser visualizados numa página da Wikipédia.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
As Minhas Melhores Leituras de 2016
1. Marlon James – Breve História De Sete Assassinatos
2. Carlos Ruiz Zafón – O Labírinto Dos Espíritos
3. Lucia Berlin – Manual Para Mulheres De Limpeza
4. Don DeLillo – Submundo
5. Júlia Navarro – História De Um Canalha
6. Donna Tartt – A História Secreta
7. Javier Marias – Assim Começa O Mal
8. Alice Munro – A Vista De Castle Rock
9. Roslund & Thunberg – O Pai
10. Zia Haider Rahman – À Luz Do Que Sabemos
11. Kim Gordon – A Miúda Da Banda
12. Bruce Springsteen – Born To Run
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
Os Melhores Discos do Ano 2016
Ao nível cultural, vive-se cada vez mais em pequenos nichos que não se tocam entre si, mergulhados na imensidão do espaço digital, procurando, com ansiedade, a qualidade no meio de imensa quantidade. Com tamanha segmentação de estilos, gostos e subculturas, parece que caminhamos todos os dias para infinito.
Para as pessoas da minha geração, as mortes deste ano constituíram um forte abalo, senão mesmo a morte, da sua adolescência. 2016 foi um ano em que a morte pairou e vai deixar muitas saudades dos que viu partir: logo em Janeiro foi David Bowie, Prince em Abril, Leonard Cohen em Novembro e agora George Michael no dia de Natal. Claro que mais do que chorar a morte, devemos celebrar a vida mas…
Este ano, alguns dos discos que mais me impressionaram foram assombrados pela morte, como os álbuns de David Bowie e de Leonard Cohen, mas também de Nick Cave, cujo filho Arthur, de 15 anos, faleceu numa queda de um penhasco de 18 metros em Brighton, Inglaterra, ou do malogrado membro dos A Tribe Called Quest, Phife Dwag, que ainda participou na gravação do último disco e nos deixou aos 45 anos.
São discos com canções comoventes e dramáticas, mas ao mesmo tempo belas e esperançosas. No fundo, trata-se de ver tudo à volta a sucumbir, e mesmo assim, tentar dar algum sentido à vida, por muito difícil que seja, socorrendo-se sempre da sua arte.
Cá vai então a lista das minhas preferências musicais de 2016:
- Nick Cave & The Bad Seeds – Skeleton Tree
- Elza Soares – A Mulher Do Fim Do Mundo
- David Bowie – Blackstar
- PJ Harvey – The Hope Six Demolition Project
- Radiohead – A Moon Shaped Pool
- Leonard Cohen – You Want It Darker
- Angel Olsen – My Woman
- Kevin Morby – Singing Saw
- Hope Sandoval & the Warm Inventions – Until The Hunter
- Iggy Pop – Post Pop Depression
- Heron Oblivion – Heron Oblivion
- Lambchop – Flotus
Com uma menção honrosa destaco Anohni (“Hopelessness”), Savages (“Adore Life”), Cass McCombs (“Mangy Love”), Daughter (“Not To Disappear”), Warpaint (“Heads Up”), Car Seat Headrest (“Teens Of Denial”), Christine and the Queens (“Chaleur Humaine”), Michael Kiwanuka (“Love And Hate”), Tegan and Sara (“Love You To Death”) e Bon Iver (“22, A Million”).
Finalmente, guilty pleasures que também editaram no presente ano e que continuam a deliciar-me: The Kills (“Ash And Ice”), Suede (“Night Thoughts”), Tindersticks (“The Waiting Room”), James (“Girl At The End Of The World”), The Divine Comedy (“Foreverland”), Explosions In The Sky (“The Wilderness”) e Pixies (“Head Carrier”).
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
Yrsa Sigurdardóttir – O Silêncio do Mar
Esta nova história da aclamada série de thrillers com a advogada Thóra Gudmundsdóttir no papel de protagonista, foi baseada em factos verídicos de grandes embarcações que apareceram no destino desprovidas de vida como o caso do Mary Celeste, um iate de luxo construído em 1872.
Neste livro trata-se de um iate de luxo chamado Lady K que chega a Reiquejavique sem a família e a tripulação que nele seguiam a bordo desde Lisboa. Ægir, a sua mulher Lára e as filhas gémeas de quatro anos Arna e Bylgja (os nomes dos personagens são típicos do seu país de origem, a Islândia) estavam entre esses passageiros bem como três elementos que compunham a tripulação: Halldor, Loftur e o capitão Thráinn. Caberá a Thóra, uma advogada com uma secretária (Bella) que faz mais downloads ilegais do que mostrar trabalho, que após ser contratada pelos pais de Ægir, tentará descobrir o que terá ocorrido. Em caso de terem morrido durante a viagem, os pais de Ægir pretendem assegurar que o seguro de vida do seu filho seja pago pois os mesmos pretendem que a neta de dois anos (Sigga Dogg) que ficou em terra continue aos seus cuidados.
A autora consegue manipular a percepção do leitor pois a narrativa divide-se entre a actualidade, vivida na capital islandesa, que acompanha a vida familiar e profissional de Thóra e o relato de todos os esforços no sentido de descobrir o que se terá passado e a viagem de barco, onde o leitor é posto à prova para tentar descobrir se a razão para os corpos que vão sendo encontrados em arcas congeladoras e aqueles que são deitados borda fora são causa humana ou um fenómeno sobrenatural.
A parte técnica não é descurada e são apresentados inúmeros procedimentos e conceitos ligados à navegação em alto-mar, como os coletes de mergulho BCD (Bouyancy Control Device) ou os sonares, aparelhos de detecção por meio de som que permitem a localização de submarinos.
Também devo destacar uma interessante leitura do estado da economia vivida na Islândia. E foi essa instabilidade financeira que fez com que o Lady K tenha mudado de donos e Ægir, membro da comissão liquidatária de um banco falido, entre em cena depois de um dos membros da tripulação ter partido uma perna não podendo assim assegurar os serviços a bordo. A viagem que deveria ser agradável e uma extensão das férias da família de Ægir transforma-se num pesadelo para quem teve por destino fazer este malfadado percurso.
Yrsa Sigurdardóttir sabe contar uma história com a sua escrita sóbria, inteligente e perspicaz mas também profundamente emocional. A descoberta do mistério que encerra aqueles personagens decorre devagar e partilhamos do medo que os tripulantes sentem naquele navio, bem como a angústia dos que os procuram.
Este mistério sobre o mar, Lisboa, a família, a fama, negócios obscuros e, como sempre, o mal e a conspiração do ódio, acaba por ter uma explicação realista e bastante convincente (e nada previsível), apesar de inicialmente estarmos tentados a evocar uma explicação sobrenatural para os factos. O ambiente sombrio, a investigação profunda e um desfecho espectacular, conferem uma elevada experiência ao nível do suspense a este excelente thriller.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
8 Séries de Televisão
1 - “The OA”, é precisamente uma das mais recentes séries da Netflix. Inicialmente parece que estamos perante uma nova “Stranger Things”, mas é bastante diferente. Trata-se de um drama com contornos paranormais. Composta por oito episódios, conta-nos a história de uma jovem cega que desaparece aos vinte anos e que reaparece sete anos depois. O seu nome é Prairie Johnson (Brit Marling, que eu já tinha adorado no filme “Another Earth”), conhecida pela sigla OA (“I’m the OA” - Original Angel), e a cegueira fazia parte de si quando desapareceu, mas já não faz. A visão restaurada é apenas uma das diferenças desta jovem misteriosa que nos vai enfeitiçar. Episódio a episódio, Prairie vai contando o que lhe aconteceu, e cada revelação é mais chocante e esquisita do que a anterior. Curioso também o pacto entre os dois protagonistas logo no primeiro episódio e a referência à sua origem: o magnífico Strangers On A Train, filme de 1951, realizado por Alfred Hitchcock.
2 - “Westworld”, combina ficção científica, drama, mistério e western! A criação é da HBO e cruza vários géneros com uma abordagem completamente nova da clonagem humana e das relações entre os seres humanos e a inteligência artificial. “Westworld” é a concretização da visão do Dr. Ford (Sir Anthony Hopkins), criador de tudo o que se vê no parque futurista que serve de cenário à série. Genericamente trata-se de um parque pensado para concretizar os sonhos dos mais afortunados, sem quaisquer limites. Matar, violar, torturar. Tudo está à disposição dos que entrarem neste mundo paralelo.
3 - “Black Mirror” renasceu em 2016 pela Netflix depois de duas temporadas (em 2011 e 2013, com apenas três episódios cada) desenvolvidas para o Channel 4 britânico. Logo na sua estreia, na temporada 1, primeiro episódio, The National Anthem, uma princesa inglesa é raptada e os raptores limitam-se a exigir que o primeiro ministro tenha relações sexuais com um porco! Este ano, a série regressou com a terceira temporada (6 episódios). Uma particularidade desta série é que em cada episódio há novas histórias independentes. Trata-se de ficção científica mas com muitas semelhanças com a realidade. Tudo parece (quase) normal e há apenas pequenos pormenores que fogem ao que todos conhecemos. Por vezes, até parece que a realidade já terá ultrapassado a ficção. A reflexão sobre o mundo moderno está presente, abrindo-nos os olhos para a influência da tecnologia nas nossas vidas e para o mundo assustador em que todos vivemos sem saber. A tecnologia transformou todos os aspectos da nossa vida e isso pode não ser positivo e são mesmo muitos os espelhos negros de “Black Mirror”. Para dar alguns exemplos, a série conta histórias como a de uma sociedade em que todas as pessoas são sujeitas a um sistema de ratings — em que basta a perda de uma estrela para que se perca a oportunidade de aceder a determinados serviços —, a de um jogo de realidade virtual que consegue interagir com as nossas memórias ou a de um militar cuja visão é trabalhada para que o inimigo seja visto como um monstro.
4 - “Queen Of The South” é uma série sobre narcotráfico protagonizada pela brasileira Alice Braga (sobrinha da actriz brasileira Sónia Braga) e pelo português Joaquim de Almeida (como Don Epifanio Vargas, líder do cartel Vargas e político corrupto). Enquanto não chega a terceira temporada da série Narcos da Netflix, o filão sobre o universo do narcotráfico, continua a ser explorado e tem mais um formato de ficção baseado na obra com o mesmo nome, que li recentemente, do jornalista espanhol Arturo Pérez-Reverte, e conta a história de Teresa Mendoza, uma jovem que se vê transportada para o submundo dos cartéis de droga mexicanos.
5 - “Fleabag” é cómica, fofa, nonsense, triste e brutal. Apesar da curta duração dos seus episódios (cerca de 25 minutos) provoca um turbilhão de emoções. Fleabag (Phoebe Waller-Bridge) é uma jovem adulta que enfrenta problemas quase universais sob o ponto de vista feminino: problemas de relacionamento, conflitos familiares, frustração sexual e profissional. Uma mulher moderna que vive em Londres, a tentar curar uma ferida enquanto recusa ajuda daqueles à sua volta, mantendo a sua intimidade o mais reservada possível, mas que está constantemente em interacção com o espectador, olhando-o directamente, com comentários à parte das respectivas cenas. Por vezes, fez-me recordar Californication e mesmo Secret Diary of a Call Girl da Belle de Jour Billie Piper. Um manual de instruções para compreender a mulher que se diz moderna, não recomendado para ver em família…
6 - “The Young Pope”, é outra série hilariante onde podemos ver um papa a fumar desenfreadamente, a beber Cola Light ou a despertar com um iPhone. No início da série, Jude Law é Lenny Belardo, o futuro Papa Pio XIII (ficcional) e Diane Keaton é a Irmã Maria, que o ajudou a criar desde tenra idade num orfanato. Estamos em 1998 e será ele a tomar as rédeas do Vaticano. É um Papa jovem, muito mais jovem do que os seus antecessores, e os cardeais esperam controlá-lo a partir de dentro, fazendo dele um fantoche público enquanto continuam a reinar nos bastidores. Mas não é isto que acontece. O novo líder da Santa Sé já conseguiu o que queria, chegar ao poder, e agora vai revolucionar a Igreja como a conhecemos. O realizador italiano Paolo Sorrentino (que dirigiu o belíssimo La Grande Bellezza, em 2013) pegou na personalidade do actual Papa, Francisco, e virou-a do avesso para construir um sacerdote diferente de todos os que já conhecemos.
7 - “Medici: Masters Of Florence”, com carimbo da Netflix, dá a conhecer a dinastia Medici, a partir do século XV. O principal protagonista chama-se Cosimo e herdou o Banco dos Medici, após o seu criador, o seu pai Giovanni (Dustin Hoffman), ter sido misteriosamente envenenado em 1429. A partir de flashbacks de há 20 anos atrás, conhecemos a Florença da época e a relação entre Giovanni e os seus dois filhos, Cosimo e Lorenzo e acompanhamos a criação do primeiro grande banco europeu.
8 - “The Crown”, outra série da Netflix que retrata de forma exemplar os primeiros anos de reinado de Isabel II. A história começa em 1947, ainda no reinado do seu pai Jorge VI, quando este descobre e mantém em segredo que tem uma doença terminal. A primeira temporada termina no final da primeira década de reinado de Isabel II. Durante este período temos a possibilidade de rever algumas das datas mais importantes da sua vida e somos tentados a parar a visualização dos episódios para confirmar e investigar alguns factos na internet. Os desempenhos são notáveis, desde Clare Foy (como rainha Isabel II) a John Lithgow (como Sir Winston Churchill).
domingo, 25 de dezembro de 2016
Hello, My Son
Hello, my son
Welcome to earth
You may not be my last
But you'll always be my first
Wish I'd done this ten years ago
But how could I know
How could I know
That the answer was so easy
I've been told you measure a man
By how much he loves
When I hold you
I treasure each moment I spend
On earth, under heave above
Grandfather always said God's a fisherman
And now I know the reason why
And if some times daddy has to go away
Please don't think it means I don't love you
Oh, how I wish I could be there everyday
Cause when I'm gone it makes me so sad and blue
And holding you is the greatest love I've ever known
When I get home it breaks my heart
Seeing how much you've grown all on your own
Hearing you cry makes me cry
It made me cry
Hearing me cry
A thousand miles away
Every cry
(greatest love I've ever known)
(ever known)
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Sons de Inverno
1. Hope Sandoval ft. Kurt Vile – Let Me Get There
2. Warpaint – New Song
3. Kevin Morby – I Have Been to the Mountain
4. Mitski – Your Best American Girl
5. The 1975 – Somebody Else
6. PJ Harvey – The Wheel
7. Hamilton Leithauser + Rostam – A 1000 Times
8. Porches – Be Apart
9. Bat for Lashes – Sunday Love
10. The Last Shadow Puppets – Everything You've Come To Expect
11. Whitney – No Woman
12. Rag‘N’Bone – Human
13. Jenny Hval – Conceptual Romance
14. Car Seat Headrest – Fill in the Blank
15. Bon Iver – 22 (OVER S∞∞N)
16. Savages – Adore
17. A Tribe Called Quest – We The People....
18. Rae Sremmurd ft. Gucci Mane – Black Beatles
19. Frank Ocean – Ivy
20. Radiohead – Daydreaming
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Cinema do Mundo
Elle, de Paul Verhoeven – França, Alemanha, Bélgica (2016)
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Elza Soares – “A Mulher do Fim do Mundo”
Elza Soares terá (porque não o admite) 79 anos e desde a década de 1950 foi um dos maiores nomes do samba. No passado fez inúmeras gravações mas nunca lançou qualquer álbum de originais. Este é o primeiro! E o que se ouve não é propriamente samba, é algo difícil de catalogar como género mas irresistível aos ouvidos. Samba rock, samba jazz, enfim, o samba é o coração que bate nesta música híbrida, intemporal, cheia de electricidade rock, pulsão electrónica e tensão pós-punk.
“A Mulher do Fim do Mundo” é um álbum de luta e de vida, onde o racismo, a discriminação (“Benedita”, “Pra Fuder”) e a violência (“Maria da Vila Matilde”), são temas dominantes com que esta diva da “bossa negra” nos encanta com a sua voz rouca, cheia e quente, arrancada à terra e arrancada do fundo da alma:
Eu quero cantar até o fim
Me deixem cantar até o fim
Eu vou cantar até o fim
Eu sou mulher do fim do mundo
Eu vou cantar, me deixem cantar até o fim (em "Mulher do Fim do Mundo").
domingo, 20 de novembro de 2016
25 Provérbios da Era Digital
2. Amigos, amigos, passwords à parte.
3. Antes só do que em chats da treta.
4. A arquivo dado não se olha o formato.
5. Diz-me que fórum frequentas dir-te-ei quem és.
6. Para bom entendedor uma pass basta.
7. Não adianta chorar sobre arquivo apagado.
8. Em zangas de e-namorados não se mete o rato.
9. Hacker que ladra não morde.
10. Mais vale um arquivo no disco do computador do que dois em download.
11. Melhor prevenir do que formatar.
12. O barato sai caro. E lento.
13. Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem um vírus em anexo.
14. Quem muito clica seus males multiplica.
15. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
16. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.
17. Quem nunca errou que aperte a primeira tecla.
18. Quem semeia e-mails colhe spams.
19. Quem tem dedo vai a Roma.com
20. Vão-se os arquivos, ficam os backups.
21. Diz-me que computador tens e dir-te-ei quem és.
22. Uma impressora disse para outra: “Essa folha é tua ou é impressão minha?”.
23. Aluno de informática não copia, faz backup.
24. O problema do computador é sempre o USB (User Super Burro).
25. Na informática nada se perde, nada se cria... Tudo se copia... E depois cola-se.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Hineni, Hineni - I'm Ready, My Lord
A voz grave do poeta, músico e escritor canadiano Leonard Cohen calou-se no dia de ontem, dia em que, aos 82 anos, “morreu tranquilamente na sua casa em Los Angeles” de acordo com o comunicado oficial. Dono de um timbre melancólico inconfundível, Cohen inspirou gerações com canções eternas. Temas como Hallelujah, Suzanne, The Partisan, First We Take Manhattan, Dance Me To The End Of Love, I'm Your Man ou So Long Marianne (Marianne, a musa de Cohen com quem este viveu na década de 60 na ilha grega de Hydra e que faleceu no passado mês de Julho), viverão para sempre nas páginas de ouro da Música.
O seu último disco editado há menos de um mês, “You Want It Darker” (14º álbum de estúdio) é um disco intimista, em que a voz, tão grave como sempre, mas envelhecida, cansada, amarfanhada, canta, ou quase diz, canções sobre a mortalidade, a despedida, a resignação.
I'm leaving the table, I'm out of the game...
sábado, 5 de novembro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Bob Dylan - Prémio Nobel da Literatura 2016
The Times They Are A Changin. Bob Dylan wins Nobel Prize for literature. Great to see the Nobel committee do the right & creative thing. I'm still euphoric...
O cânone foi derrotado, se bem que já o tivesse sido no ano passado com a atribuição do Nobel à jornalista bielorrussa Svetlana Alexievich, pois pela primeira vez distingue-se um autor por um corpo de textos (letras de canções) que não foram criadas para serem publicadas em livro. Entusiasmado, só posso louvar a Academia Sueca não só pela sua coragem e pela sua resistência às pressões das editoras mas sobretudo por alargar as fronteiras do literário. E se Bob Dylan continuar igual a si próprio até apostaria que não vai aparecer na cerimónia de entrega do prémio, em Estocolmo, entregue pelas mãos do rei da Suécia…
Like A Rolling Stone - clique e veja o fantástico video interactivo do tema que a revista Rolling Stone em 2006 considerou como a melhor canção de todos os tempos.
domingo, 9 de outubro de 2016
Leituras de Outono
- Lucia Berlin – Manual Para Mulheres De Limpeza
- Haruki Murakami – Sono
- Michael Cunningham – Uma Casa No Fim Do Mundo
- Elena Ferrante – A Amiga Genial
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Sons de Outono
1. Bon Iver - Holocene
2. Yeasayer – I Am Chemistry
3. Hinds – And I Will Send Your Flowers Back
4. Chairlift – Crying In Public
5. PJ Harvey – Near The Memorials To Vietnam And Lincoln
6. The Dandy Warhols – You Are Killing Me
7. Golden Fable – Through The Night
8. ANOHNI – Drone Bomb Me
9. Gia Koka – Come Pick Me Up
10. Massive Attack (ft. Ghostpoet) – Come Near Me
11. Zach Schimpf – What’s It Like, Tomorrow?
12. Rosie Lowe – Woman
13. Mystery Jets – 1985
14. ANIMA! – Silver Screen
15. Everything Everything – No Reptiles
16. Daughter – No Care
17. Beck – Wow
18. Pixies – Tenement Song
19. Lana Del Rey – I Want You Boy (Free Fall)
20. Michael Kiwanuka – Cold Little Heart
domingo, 2 de outubro de 2016
Nick Cave & The Bad Seeds – The Skeleton Tree
O novo disco de Nick Cave, figurará com toda a certeza na lista que elaborar dos melhores do ano. E muito provavelmente em primeiro lugar. O seu tom é sombrio e elegíaco e a perda e a morte são temas recorrentes, devido à morte de um dos seus filhos gémeos, em Julho de 2015, então com 15 anos, resultando num conjunto de canções íntimas e pessoais, bem diferentes de temas épicos como “Jubilee Street” ou “Higgs Boson Blues” do seu anterior registo Push The Sky Away de 2013. Também existe a evocação a uma mulher, talvez uma companheira recente mas o principal objectivo de Nick Cave é ultrapassar aquela perda (“You fell from the sky, crash landed in a field”, em “Jesus Alone”), bem patente em todos os 8 temas do álbum. A sua voz revela claramente um trauma inconsolável (“I call out, right across the sea, but the echo comes back empty”, em “Skeleton Tree” ou “Nothing really matters when the world you love is gone” em “I Need You”, a canção mais emotiva do disco) e nem um abraço parece ajudar (“Don’t touch me,” canta ele em “Girl In Amber”).
Trata-se de um processo de criatividade activada pela dor que aspira a servir de terapia ao seu autor:
- With my voice, I am calling you (“Jesus Alone”);
- The phone, it rings, it rings and you won't stay (“Girl In Amber”);
- All the things we love, we love, we love, we lose (“Anthrocene”);
- Soon the children will be rising, this is not for our eyes (“Distant Skies”).
Ccontinuo ansioso por ver o filme documentário relativo à criação deste disco: “One More Time With Feeling”, que para já apenas foi exibido num único dia em Portugal, em 8 de Setembro passado, mas que regressará aos cinemas em Dezembro próximo.
sábado, 1 de outubro de 2016
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Stranger Things (1ª temporada)
- Breaking Bad (5ª temporada), final da série simplesmente espectacular, especialmente após o cunhado de Walter White descobrir o seu segredo. Foi um final excelente, sem pontas soltas, com o personagem principal a ter o fim que mostrou merecer a partir de determinado momento;
- Game of Thrones (6ª temporada), depois da quinta temporada e dos seus desenvolvimentos impressionantes (o destino sangrento de Jon Snow, a quase morte de Daenerys ou a humilhação pública de Cersei), a temporada seguinte não desiludiu com episódios arrepiantes nunca antes vistos em televisão, como o 9º episódio – “Battle of the Bastards”;
- Vikings (4ª temporada), em que um Ragnar bastante fragilizado regressa a Kattegat, onde a suspeita da sua morte provoca uma corrida à sua sucessão. Traições e lutas de poder entre os personagens Lagertha, Kalf, Rollo e Floki;
- Narcos (2ª temporada), retrata os últimos 14 meses de vida de Pablo Escobar e começa com a sua fuga da prisão La Catedral. Wagner Moura continua soberbo.
Atualmente, estou a ver Stranger Things, mais uma série distribuída pela Netflix, com apenas 8 episódios na sua primeira temporada, e apesar de ser inferior às 4 séries acima mencionadas, recomendo vivamente. Trata-se de uma história de ficção científica, emocionante e por vezes assustadora, onde não faltam alusões à obra de Spielberg, Carpenter ou Stephen King, em que algumas pessoas desaparecem sem deixar rasto, com forças sobrenaturais, uma miúda muito, muito estranha e um "mundo invertido". Personagens bastante credíveis, ritmo, drama, realização e uma excelente Winona Ryder no papel da mãe atormentada pelo desaparecimento do seu filho. Uma das atrações desta misteriosa série, passada na fictícia cidade de Hawkins, estado de Indiana, consiste em decorrer nos anos 80, onde são evidentes os elementos culturais da década e inclui uma excelente banda sonora baseada na electrónica de Kyle Dixon & Michael Stein (dos SURVIVE) mas onde também podemos ouvir, por exemplo, Joy Division, Echo & The Bunnymen ou The Clash!
Na lista de espera para ver em breve estão Vinyl (1ª temporada), Luke Cage (1ª temporada), The Night Manager (1ª temporada) e Blindspot (2ª temporada).
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Angel Olsen – My Woman
A americana já aqui aclamada no momento da edição do álbum anterior, um registo muito mais folk, o tal que tinha o tema “unfucktheworld”, regressa com a sua voz e um álbum brilhante, que após a primeira audição não apetece voltar a largá-lo. A primeira parte do disco é claramente mais alegre enquanto que a parte final é mais sombria. Diferente do anterior, usa e abusa de sintetizadores (“Intern”), do piano (“Pops”), de guitarras eléctricas (“Shut Up Kiss Me”, “Give It Up” e “Not Gonna Kill You”), e até nos deparamos com slows melancólicos (“Heart Shaped Face”). Nas letras tornou-se mais reflexiva, onde predominam temas como a dor, a tristeza e a esperança.
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Noite inesquecível na Noruega!
À noite, sozinho no bar do hotel, repara numa loira encostada ao bar.
Não sabendo falar norueguês, pediu ao barman um bloco e uma caneta.
Desenhou um copo com dois cubos de gelo e mostrou-o à loira.
Ela, sorriu e tomaram um copo.
De seguida começou a tocar uma música romântica.
Ele, pega novamente no bloco, desenha um casal a dançar e mostra-lhe.
Ela levanta-se e vão dançar.
Terminada a música, regressam ao bar e é ela que pega no bloco.
Desenha uma cama, uma cadeira e uma cómoda e mostra-lhe.
Ele vê e diz:
- Sim, sim, sou de Paços de Ferreira...


















