Mais uma noite no Estádio do Dragão, a provar que o FCP é a única equipa portuguesa a poder enfrentar qualquer conjunto europeu. Domínio absoluto na eliminatória mostraram o real valor deste FCP, que não deve ter receio das restantes sete equipas que também estão nos quartos-de-final da Champions League.
(Foto: Sony Cyber-Shot DSC-P200)
A minha última visita ao cinema fascinou-me. Há muito tempo que não via um filme que me despertasse o sentido da vida como este. A ideia base, original de F. Scott Fitzgerald, parece um pouco esquisita: a história de um homem que nasce com 80 anos mas depois vê a vida a andar ao contrário, literalmente, e morre como um bebé.
Espectacular o cruzamento de idades entre os protagonistas, Brad Pitt e Cate Blanchett e a sua caracterização.
É uma bela fábula, tecnicamente irrepreensível, drama q.b., com situações hilariantes (destaco dois momentos do filme, um primeiro momento em que B. Button afirma “Anytime!” e noutra situação responde categoricamente “Absolutely!”…)
Foram mais de duas horas e meia de puro entretenimento. Obrigatório.
Brincadeira da semana: o "sleeveface". É só pegar na colecção de discos de vinil, pensar e criar num cenário semelhante ao da capa do disco e dar a ilusão de continuidade entre a imagem do LP e a do nosso corpo. No exemplo, a “vítima” é uma capa do disco dos Eels – Souljacker, mas já experimentei com um álbum do Morrissey – Viva Hate e outro dos The Cure – Standing On A Beach. Adorei o resultado…
O seu sucesso deve-se essencialmente à divulgação na Internet de uma ideia extremamente simples, mas que numa aldeia global arranjou muito rapidamente adeptos. Para começar aconselho um video no YouTube: How to Sleeveface.
Fim de ano, época de balanços e de selecção dos melhores.
10 Discos:
1 - Vampire Weekend - Vampire Weekend
2 - MGMT - Oracular Spectacular
3 - The Ting Tings - We Started Nothing
4 - Kills - Midnight Boom
5 - Portishead - Third
6 - Kings Of Leon - Only By The Night
7 - Last Shadow Puppets - Age Of The Understatement
8 - Santogold - Santogold
9 - Cat Power - Jukebox
10 - Kaiser Chiefs - Off With Their Heads
10 Canções (mais viciantes):
1 - That's Not My Name (Ting Tings)
2 - L.E.S. Artists (Santogold)
3 - Time To Pretend (MGMT)
4 - Sex On Fire (Kings Of Leon)
5 - A-Punk (Vampire Weekend)
6 - Never Miss A Beat (Kaiser Chiefs)
7 - I'm Not Going To Teach Your Boyfriend How To Dance With You (Black Kids)
8 - Mercy (Duffy)
9 - I'm Good, I'm Gone (Likke Li)
10 - Human (The Killers)
1. Stieg Larsson - Os Homens que Odeiam as Mulheres
2. Haruki Murakami - Kafka À Beira-Mar
3. José Saramago - Ensaio Sobre a Cegueira
4. Pascal Mercier - Comboio Nocturno para Lisboa
5. Doris Lessing - O Sonho Mais Doce
6. Thomas Mann - Os Buddenbrook
7. Lars Saabye Christensen - Beatles
8. Markus Zusak - A Rapariga Que Roubava Livros
9. Amoz Oz - Uma História de Amor e Trevas
10. Herman Melville - Moby Dick
11. Asne Seierstad - O Livreiro de Cabul
12. Charles van Doren - Breve História do Saber
Para evitar acusações de plágio, o próximo livro de um conhecido escritor / jornalista / comentador / caçador / piloto, etc, será escrito em língua inventada pelo autor e por isso será imune às acusações de plágio que têm rodeado o seu mais recente best-seller por conter parágrafos reescritos de um livro alheio citado na bibliografia (o que não é plágio, é só muito feio). Quem o garante é o próprio autor, visto que o novo trabalho está a ser escrito numa língua fictícia inventada propositadamente para o efeito. Tendo como título “Blhac Nitratna Plofplof”, trata-se de uma apaixonante história sobre Xpneque, um jornalista veterano desiludido com a profissão e com o país em que vive (a República Tramblhablhesa), ocupando-se com crónicas publicadas no semanário “Bababum” e com os comentários semanais no canal WPK. Ao longo de 1 847 páginas de grande prosa escrita no “estilo único e inimitável” do autor (palavras do próprio), o protagonista vai casando e descasando com figuras mediáticas, alternando momentos de grande lucidez com outros de fanatismo furioso, sobretudo quando colocam em causa os seus gostos pessoais pelos 40 maços de “barluncas” que “mofifa” por dia ou a devoção cega ao seu clube do coração, o FC Trambik. Quanto às acusações de plágio, este autor prefere não falar mais no assunto por não lhe dar importância. Recorde-se que o autor estará presente no Pavilhão Carlos Lopes para desancar à paulada a quem duvidar da sua integridade, juntamente com todos os não-fumadores e adeptos do Benfica e Sporting que se apresentem à sua frente. A organização pede aos interessados para trazerem os seus próprios varapaus de casa.
A actuação dos The National no Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, foi memorável. Energia, empenho, interacção com o público e boa disposição, caracterizaram a primeira apresentação da banda de Matt Berninger no norte do país. Ao longo de cerca de duas horas, ouviram-se temas dos quatro trabalhos da banda, com destaque evidente para os dois últimos, Alligator e Boxer. Um dos melhores espectáculos do ano.
Em "Ensaio Sobre a Cegueira" não há nomes; não há luz; há uma espécie de apocalipse, um colapso coletivo, uma marcha inexorável para o abismo. O fim da humanidade como um imenso buraco negro. Um caminho, uma vida, tudo num enorme caos. Assim vai a vida, assim vai o mundo, os destinos, a gente que percorre a escuridão como quem persegue o inferno.
Uma humanidade inteira que escapa à sua condição de ser coletivo; apenas uns milhares, quiçá milhões de indivíduos como uma soma imensa de egoísmos. Não há solidariedade; não há como acreditar nos outros; há, isso sim, uma guerra perpetuada pela desgraça, um rumo negro chamado destino.
Cegos somos todos. Este mundo traçado por Saramago em pinceladas de escuridão não é mais que uma imensa e monstruosa metáfora da sociedade humana em que nos afundamos. Uma sociedade humana sem humanidade. Sem luz nem redenção.
Este é talvez o livro em que Saramago assume o discurso narrativo mais objetivo, mais concreto. A mensagem metafórica concilia-se de forma notável com a objetividade da escrita. Só um génio conseguiria esta síntese, esta simbiose entre a estória e a mensagem; entre o concreto e o subliminar; entre o mundo das imagens e o universo das ideias.
Mas ao longo do livro, misteriosamente, um enorme oásis de sentimento se vai abrindo, como uma grande mancha de sol: a esposa do médico, uma mãe coletiva, assume-se como o anjo protetor e traço de união entre os cegos.
Globalmente, estamos perante uma refinada crítica social; uma espécie de grito de revolta perante uma sociedade tipicamente entorpecida pelas estruturas burguesas capitalistas, que a conduziram a um individualismo extremo. A cegueira dos personagens representa a forma egoísta com que o ser humano se distancia do seu semelhante, transformando a sua própria vida numa imensa solidão.
Muito interessante e significativa, também a forma como Saramago explora o incremento da capacidade auditiva nos cegos. O poder do que se diz, das mentiras e boatos; a capacidade que o ser humano tem para acreditar e fazer acreditar em pseudoverdades que só contribuem para o desastre coletivo da sociedade em que nos encontramos mergulhados.
Na adaptação cinematográfica deste livro, uma estranha e inexplicável epidemia de cegueira atinge a população. Um casal é atingido e são os primeiros a ser transferidos para uma unidade de quarentena criada pelo Governo. Um médico oftalmologista (Mark Ruffalo) e a sua mulher (Julianne Moore) são os primeiros a serem para lá transferidos, esta última que, curiosamente, não é atingida pela doença. A epidemia alastra rapidamente e assume grandes proporções; a unidade de quarentena é assim afetada à medida que mais cegos vão chegando. Neste espaço que se torna sobrelotado, gera-se o desespero, a sujidade e os conceitos sociais são postos à prova, à medida que acompanhamos este grupo de pessoas.
De uma forma geral, a película está bem feita, do ponto de vista narrativo e do ponto de vista cinematográfico, tem um leque excelente de atores, uma excelente interpretação da Juliane Moore e é fiel ao livro, no sentido de provocar no espectador (da mesma maneira que o livro sugeria ao leitor) uma multiplicidade de interrogações acerca da tão complexa desumanidade inerente à natureza humana.
O Festival Marés Vivas 2008, em Gaia, iniciou-se com a indie pop da banda sueca Shout Out Louds, a banda que soa a The Cure. Inevitável e infelizmente o momento de destaque foi o último tema apresentado, o tema da “Optimus”, Tonight I Have To Leave It, apesar de se encontrarem pérolas bem mais interessantes nos seus dois registos discográficos.
Logo a seguir os góticos britânicos Sisters Of Mercy foram a desilusão da noite, com uma actuação monótona e por demasiadas vezes imperceptível.
Finalmente, o senhor Bauhaus, Peter Murphy, que com uma sólida carreira a solo de oito discos em nome próprio, mostrou que continua em grande forma. Enérgico e com uma voz irrepreensível, deu um grande espectáculo, encerrado em apoteose com um encore que incluiu Marlene Dietrich’s Favourite Poem, She’s In Parties e She Cuts You Up.
Belíssimo concerto das irmãs Casady, muito bem acompanhadas por Quinn Walker e, especialmente, pelo músico da “beatbox”, insuperável ao microfone. Ouviram-se temas dos três álbuns de originais, com uma variedade enorme ao nível da instrumentação (harpa, sintetizadores, brinquedos, instrumentos de percussão, etc) o que comprova a sua identidade própria. Gostei especialmente de “By Your Side”, “Japan” e “Beautiful Boyz”. Na primeira parte, foi estranho ouvir aquela versão de “Let’s Groove” de Earth, Wind and Fire…
(Foto: Sony Cyber-Shot DSC-P200)
O álbum de estreia dos Vampire Weekend é, até ao momento, o disco que mais tem rodado no meu leitor de cd’s, no ano de 2008. No entanto, só após a terceira ou quarta audição é que se tornou viciante, o que normalmente é um bom indicador. A banda pratica uma música catalogada como indie pop/rock com influências de afro-beat. Trata-se de punk dançável altamente contagiante. São originários de Nova Iorque e lançaram o disco de estreia em Janeiro deste ano. No dia 30 deste mês espero vê-los ao vivo na Casa da Música, Porto. Outros concertos a que pretendo assistir: CocoRosie, Rufus Wainwright e The National.
Revi um dos meus filmes preferidos dos últimos anos. Trata-se de uma comédia alemã sobre uma manipulação - um filho monta para a mãe o cenário de uma RDA eterna, como se o Muro de Berlim não tivesse caído. Para isso, inventa programas de televisão como os que existiam antes, inunda a casa de objectos e marcas já desaparecidos — chega mesmo a inverter a História: os carros de marcas novas, os milhares de transeuntes com ar de forasteiros que a mãe vê da janela, explica ele, são refugiados de Berlim Oeste que conseguiram fugir do inferno capitalista para o paraíso comunista. Realizado por Wolfgang Becker, em 2003, é protagonizado por Daniel Bruhl e Katrine Sass, e conta com uma banda sonora de Yann Tiersen.
Uma semana de ténis ao vivo. Muita chuva. Federer demolidor. Fast-Food. Brindes. João Sousa, a surpresa. A elegância de Maria Kirilenko. Celebridades. Davydenko, desilusão na final. Federer demolidor.
(Foto: Sony Cyber-Shot DSC-P200)
Aviso inicial: apesar de Sune Rose Wagner estar afónico, o concerto não vai ser cancelado.
Esta limitação levou a que só se ouvissem os temas interpretados pela “Blondie” Sharin Foo, suficientes para levar uma multidão frenética para a frente do palco. Ao fim de uma hora de espectáculo, e de um encore de três minutos, apetece dizer que soube a pouco…
Dois reparos à organização do Theatro Circo:
1) como é possível no momento da compra dos bilhetes ser informado que os lugares são marcados e no dia do espectáculo ser informado de que as pessoas podiam escolher o lugar que entendessem?
2) será correcto permitir a algumas pessoas ir para a frente do palco dançar, quando a maioria continua sentada e, consequentemente, sem poder continuar a visualizar o que se passa no palco?
(Foto: Sony Cyber-Shot DSC-P200)
Tarefa do dia: corrigir testes. É a forma mais fácil de constatar que proliferam alunos mal educados no facilitismo, na falta de rigor, sem qualquer espírito de sacrifício e que alguma vez obtenham bons resultados no mundo real de uma economia globalizada.
Lista de erros detectados: exeço; resseber; anus anteriores; curajem; cumércio; nessecita; jestão de empresas; intistuições bancárias; kasa; impresa.
A “pop inteligente” das nova-iorquinas Au Revoir Simone, formada quase exclusivamente com um único instrumento, fez-se ouvir ontem à noite no Theatro Circo. A actuação destacou essencialmente o segundo álbum da banda “The Bird of Music” lançado no presente ano. Ao longo do espectáculo, as três meninas mostraram boa disposição e glamour q.b. especialmente a mais extrovertida, Annie, que até chegou a tentar dizer em português e a partir de uma cábula, “Obrigado por terem vindo esta noite”. No final, na zona do merchandising, todas se mostraram muito simpáticas e receptivas a comunicar directamente com os seus fãs, que aproveitaram para obter autógrafos e fotografias.
(Foto: Sony Cyber-Shot DSC-P200)
Anedota contada pelo Tony ao amigo Pussy, no episódio 9 da série 2:
Um homem rico e um homem pobre fazem anos de casados no mesmo dia. Cruzam-se sempre em Madison Avenue a comprar uma prenda para a mulher. O pobre pergunta:
“O que compraste para a tua mulher?”.
O rico diz, “Comprei um anel de diamantes e um Mercedes novo”.
O pobre diz: “Por que compraste duas coisas?”. O rico responde: “Se ela não gostar do anel de diamantes, pode devolvê-lo no Mercedes e continua contente”.
O rico diz ao pobre: “Que compraste à tua mulher?”. Ele responde, “Comprei-lhe um par de chinelos e um vibrador”.
O rico questiona, “Por que compraste duas coisas?”.
O pobre responde, “Se não gostar dos chinelos, que se foda”.
Neste livro, Rushdie presenteia-nos com uma obra fantástica, cheia de pormenores sobre a história da Índia no século XX. Este livro, publicado em 1981, precedeu o famoso “Versículos Satânicos” em oito anos. Mas já aqui Rushdie deixa clara a sua tendência para abordar os costumes religiosos numa perspetiva muito crítica, irónica e até bastante mordaz. Exemplo disso é a forma como brinca com o culto das vacas sagradas e a valorização da bosta. Mas não é só o hinduísmo o alvo da crítica; há um padre católico que afirma que Jesus Cristo é azul, justificando: "o importante é evitar o preto e o branco”. O avô de Aziz, por exemplo, odeia as religiões porque ensinam a odiar.
Todo o livro é uma imensa caricatura da Índia e não é só a religião que contribui para a paródia: são os costumes, as injustiças, e até o sofrimento de milhões; são mais de quatrocentas páginas de humor negro e sarcástico. Outro exemplo significativo é o costume dos velhos de Bombaim cujo passatempo favorito era cuspir para uma escarradeira a vários metros de distância, enquanto as crianças se divertem passando entre os jatos de expetoração, evitando ser atingidos por elas.
O poder político é outro grande alvo. Os FILHOS DA MEIA NOITE são, afinal, os filhos da Índia livre que Indira Gandhi condenou. De facto, a senhora Gandhi (que governou a Índia de 1966 a 1977 e de 1980 a 1984) é o principal alvo de Rushdie.
Quanto ao herói do livro, Saleem Sinai, não passa de um menino-prodígio tornado vítima da própria Índia e de um conjunto de conflitos totalmente insanos. As guerras com o Paquistão, a Guerra do Bangladesh e os conflitos com a China fazem com que a vida de Sinai nada tenha de autónomo, de individual; tudo se passa como se ele não tivesse vida própria e fosse levado por uma enxurrada de acontecimentos trágicos, de tal forma que a vida não passa de isso mesmo: uma sucessão de desgraças e misérias.
Para o leitor, esta sucessão de desgraças pode tornar-se algo fastidiosa, no entanto, a escrita irónica e o tom de humor que o autor imprime à escrita tornam a leitura agradável e fluida.
Domesticated Lovers Never Know They’ll Will Find… Assim começou o espectáculo de ontem à noite. Ao longo de apenas 70 minutos debitou 16 temas, que considerou “our best songs”, divididos pelos seus últimos quatro álbuns, ignorando assim “Dressed Up Like Nebraska”, “Home” e “Under Cold Blue Stars”.
Para mim, Rouse limitou-se à incumbência que o trouxe cá, esteve indiferente e pouco comunicativo com o público e parecia que estava cheio de pressa. No entanto, na parte final do concerto, conseguiu empolgar a assistência quando ao interpretar uma versão longa de Love Vibration chamou o público para a frente do palco, iniciativa a que este prontamente aderiu, e levantou toda a gente das cadeiras. O único encore veio logo de seguida com It’s The Nighttime e Why Won’t You Tell Me What.
(Foto: Sony Cyber-Shot DSC-P200)
A actividade docente é cada vez mais uma actividade de risco e pouco atractiva, transformada num pesadelo: aturar alunos malcriados; mudança constante de escola; divisão, pouco clara, da classe em professores titulares e não titulares, minando o seu status profissional; contratos de trabalho fragilizados; aulas de “substituição” que não o são realmente; avaliação do desempenho surrealista; quase obrigatoriedade de passar os alunos, em prol das estatísticas; impossibilidade de inovar porque o Estado pretende regulamentar tudo o que se passa na sala de aula; desconfiança constante por parte dos elementos do Ministério da Educação; etc.
Na minha área disciplinar, Contabilidade e Administração, cometeu-se a proeza de a associar à área de Economia, o que possibilitou a professores desta área, muitos dos quais com formação em Direito, a leccionação de Contabilidade! O mesmo ocorreu noutras áreas e tudo devido à sovinice dos responsáveis pela educação em Portugal.
Além disso, a actividade docente deixou de ter como principal finalidade ensinar, que foi o que me levou ao ensino. Hoje um professor tem, sobretudo, de fazer relatórios, de elaborar e estudar projectos e desempenhar “cargos”. Enfim, quase tudo menos dar aulas…
A primeira semana após a abertura da FNAC Braga Parque já me permitiu assistir ao vivo às actuações de A Jugsaw, Blind Zero e na última quarta-feira (22h) Slimmy.
Slimmy fez uma apresentação do seu álbum de estreia (dos 11 temas tocou 9) e ainda interpretou mais 3 temas: Sex & Love, Missile e Game Over. A sala da FNAC tornou-se demasiado pequena para a multidão que delirou com um espectáculo que, apesar de curto, mostrou um Slimmy em forma e a justificar o êxito que tem tido além-fronteiras. Apesar da sonoridade não ser inovadora, as suas canções facilmente ficam no ouvido e as suas referências marcadamente sexuais entusiasmam o público feminino, premiado com dois encores, o último dos quais com a repetição do single Beat Sound Loverboy.
(Foto: Sony Cyber-Shot DSC-P200)
Para quem ainda tinha dúvidas, o último fim-de-semana confirmou: Roger Federer é bom demais para a sua geração e é, provavelmente, o melhor tenista de todos os tempos. Venceu mais uma Masters Cup, derrotando quatro jogadores do top ten e, aos 26 anos, o seu currículo desportivo já está muito próximo do de Pete Sampras e muito possivelmente o superará a muito curto prazo.
O seu jogo é impressionante, não tem pontos fracos, os adversários não necessitam de perder muito tempo a montar uma estratégia para o defrontar, pois esta não existe. O próprio Rafael Nadal confirmou este facto ao dizer a David Ferrer (finalista no último domingo perante Federer) que não havia nada que ele pudesse fazer para derrotar o número um.
A grandiosidade de Federer também se manifesta fora dos courts: quando foi derrotado por Fernando Gonzalez no primeiro jogo desta edição da Masters Cup, soube elogiar o adversário e reconhecer que foi superado, qualidade digna de um campeão. A maior parte dos jogadores, quando perde arranja logo uma desculpa, ao invés de valorizar o jogo do oponente, facto que até eu constato quando jogo no meu clube.
A não perder pelos portugueses que adoram ténis é a sua exibição no Estoril Open 2008 (14 a 20 de Abril), apesar de a tarefa de arranjar ingressos para os seus jogos não se mostrar muito facilitada…
Facto nº 1: Os cds originais de música, na altura do seu lançamento no mercado, ultrapassam os 15 euros.
Facto nº 2: A geração mp3 não compra cds originais, pois facilmente efectuam o seu download da net.
Consequência: a indústria discográfica está a morrer (os Radiohead confirmam).
Quem são os principais responsáveis: as editoras ou os consumidores? Eu alinho na primeira opção. E qual é a resposta da indústria fonográfica?
A indústria fonográfica avisa que os MP3 transmitem doenças: a batalha contra a pirataria musical conhece novos desenvolvimentos com a revelação alarmante de que os ficheiros MP3 são portadores de inúmeras doenças facilmente transmissíveis a quem com eles contactar. Esta revelação vem no seguimento da notícia amplamente divulgada que alertava todos os que recorrem ao download ilegal de música para a possibilidade de serem investigados pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica e receberem em casa uma carta solicitando o pagamento de multas até 5000 euros, notícia essa que ensinou aos portugueses que:
- a indústria fonográfica é uma instituição policial reconhecida em Portugal e autorizada a conduzir investigações e passar multas;
- o download de mp3 é punido com o dobro da multa máxima por conduzir alcoolizado.
Segundo Edward Teach, representante em Portugal dos cruzados internacionais contra a pirataria, "os MP3 podem transmitir doenças como a SIDA, a gripe das aves, a lepra, a peste bubónica ou o ébola bem como maleitas menores como a impotência, a calvície, a frigidez, a celulite e a tendência obsessiva para ouvir música dos Delfins e do André Sardet". Enfim, ...
“Será que, afinal, eu não sou prisioneira da casa solitária e do deserto de pedra mas sim deste meu monólogo empedernido?” Magda é uma mulher só. Todo o livro é o seu monólogo da solidão. O pai casou com uma mulher jovem; a mãe morrera quando ela era criança. Hendrik, o criado que irá ser também um dos seus algozes, casou com uma mulher jovem, talvez ainda criança, que comprara ao pai por 5 notas e 5 cabras.
Neste livro pode sentir-se todo o desencanto de Coetzee para com o seu próprio país; todos, tanto os descendentes de colonos como os negros, dependem da terra, mas o trabalho e a vida são sempre solitários.
A escrita de Coetzee é de uma força brutal. A narradora, Magda, conta-nos os seus pensamentos de uma forma muito dura, violenta mesmo. Ela odeia-se, odeia tudo, odeia todos. É uma mulher feia e abandonada. Sonha matar o pai e a madrasta com requintes de malvadez; talvez seja o ódio que a faz viver.
Só a jovem mulher de Hendrik, Anna, trata a protagonista pelo nome. Afinal de contas, as mulheres são companheiras na desgraça. É também por Anna que Magda sente alguma ternura; o único resquício de amor que sentirá em toda a vida.
O sexo surge na narrativa como uma arma de submissão ao poder masculino; nada mais do que submissão e poder. Lágrimas e sofrimento. “Será que isto faz de mim uma mulher?”, pergunta Magda depois de ser violada.
Este livro foi escrito em 1977. Há 30 anos. No entanto, demonstra a mesma qualidade literária dos seus livros mais recentes, especialmente "Desgraça", publicado em 1999. Este é um dos aspectos que define um escritor genial: ele não precisa de experiência para atingir a genialidade.
E já neste seu primeiro sucesso literário estão patentes os traços fundamentais da sua obra: a solidão, a pobreza e o desencanto pelos dramas humanos do seu país, a África do Sul.
Estou ansioso pela chegada do dia 15 de Novembro. É nesse dia a estreia do filme Control, um bio-pic sobre o mítico vocalista dos Joy Division, Ian Curtis e a sua vida angustiada, que atingiu o ponto culminante com o suicídio por enforcamento. Aliciantes do filme: pelas fotos que já vi, o actor principal Sam Riley é extremamente parecido com Ian Curtis; a crítica internacional não se fartou de o aplaudir (o que pode até nem ser bom indicador) e existem novas versões de alguns temas que prometem (por exemplo, de David Bowie, Iggy Pop e The Killers).
Os Joy Division foram “apenas” a banda que me fizeram despertar para o mundo da música. Foi no início dos anos 80, que os álbuns Closer e Unknown Pleasures, foram quase os únicos a rodar no gira-discos e no gravador de cassetes. Anteriormente, e por influência do meu irmão ouvia essencialmente rock sinfónico dos anos 70.
Mesmo actualmente quando ouço temas como Atmosphere, She’s Lost Control e Love Will Tear Us Apart (a melhor canção alguma vez feita) apesar de traduzirem um abatimento profundo de tristeza, nunca me deixam indiferente. Para combater a nostalgia, uma alternativa é ouvir os nova-iorquinos Interpol, principalmente o seu primeiro disco de 2002, Turn On The Bright Lights. Para mim são os “novos” Joy Division, tal é a semelhança no som e imagem. Apenas parecem diferenciar-se na saúde e estabilidade mental do vocalista.
Este estado de impaciência é semelhante aquando da estreia do filme-documentário 24 Hours Party People, de Michael Winterbottom, no ano 2000, que recorda os Joy Division mas também aborda toda a cena de Manchester (New Order, Happy Mondays) e a ascensão e queda da Factory Records de Tony Wilson (que nos deixou no passado dia 10 de Agosto), dos anos 80 até meados de 90, com momentos visuais únicos. A banda sonora é imperdível.
Sofia é a palavra grega para “sabedoria”; daí, penso eu, a escolha do nome da personagem principal. Este é, de facto, um livro sobre o saber. Mas é também um livro sobre a totalidade da alma humana; mais do que retalhos de emoções, pensamentos, ideias, perceções sensoriais, etc., nós somos um todo; uma totalidade.
Não é por acaso que este livro foi escolhido para o primeiro volume da épica coleção Grandes Narrativas, da Presença. E não é por acaso que estamos perante um campeão mundial de vendas.
A receita é muito simples: uma história da filosofia para principiantes, intercalada numa história de ficção. Mas não se iludam os adeptos do romance: a “estória” não é lá muito elaborada. Um filósofo escolhe uma miúda de 15 anos para lhe contar a história dos grandes filósofos e a parte ficcionada anda em torno desse misterioso contacto. O certo é que, na minha opinião, o livro vale muito mais pela parte filosófica do que pela ficção. Numa linguagem simples e até atrativa são percorridos os grandes momentos da filosofia, desde as explicações mitológicas do mundo pré-clássico até às grandes correntes do século XX como o existencialismo e o marxismo.
O facto de a componente ficcional não ser especialmente elaborada não impede que cumpra em pleno a sua principal função: a de mostrar que para lá das querelas históricas entre empiristas e racionalistas, entre existencialistas e idealistas, entre platónicos e aristotélicos, há uma componente na alma humana que nunca se pode negligenciar: a capacidade de fantasiar. Podemos ser inteligentes, sensíveis, emocionais ou idealistas; mas temos sempre a imaginação e a capacidade de sonhar; é essa, a meu ver, a grande lição de Sofia.
Em conclusão, trata-se de uma obra que todos os que gostam de livros devem ler; e guardar bem perto para consulta quando a dúvida surgir sobre Hume, Espinosa, Platão, Marx, Sartre ou qualquer outro grande nome da filosofia.
Hoje, e ao fim de diversas tentativas, finalmente coloquei em ordem a minha colecção de discos. É uma tarefa minuciosa e demorada, mas bastante aprazível. Retirar todos os CD do armário, verificar e ordenar alfabeticamente e colocá-los novamente no seu lugar. Desta vez decidi empreender outra tarefa: elaborar uma lista com os meus cem discos preferidos, aqueles que mais me influenciaram, desde a adolescência até à actualidade. O resultado está aqui ao lado.
Desde o passado fim-de-semana que vamos ter que conviver diariamente com mais um Luís Filipe. Desta vez Menezes. Já tínhamos o Vieira e o Scolari. Qual ganhará o título de maior néscio ?
O Vieira, o homem da “equipa-maravilha”, está integrado numa instituição cujos líderes mais recentes (um advogado e um empresário) servirão para utilizar em case-studies de muitos mestrados e doutoramentos em liderança. Recordo-me de algumas das suas frases mais conhecidas: “Vamos arrasar em Portugal e pela Europa fora”; “O objectivo é termos 500 mil sócios daqui a três anos” ou “Muito em breve seremos demolidores”. O resultado está bem à vista. Por mim, espero que continue a reinar por muito mais tempo…
Quanto ao Scolari, já devia estar a insultar jornalistas e qualquer pessoa que o conteste noutro país. E não é só pela “agressão” ao jogador sérvio, pelas suas ridículas explicações ou por deslustrar o nosso país. A principal razão é a qualidade do futebol que a nossa selecção praticou nos dois últimos jogos em casa: débil, despretensioso e sem garra. Será que não há ninguém em Portugal capaz de expurgar a imundície dos responsáveis pelo nosso futebol?
Resta o Menezes. E só recordo as palavras do Soares que resumem tudo: “Foi uma desgraça”. Quem não deve parar de motejar é o Engenheiro, para quem o tumulto vivido dentro dos laranjinhas veio na hora certa e a vitória nas próximas legislativas é certa. Pessoalmente nunca acreditei na ressurreição de defuntos como o Santana, Sarmento ou o Arnaut, nem num contra-ataque sulista, elitista e liberal. Confesso que também não dava muito crédito ao outro candidato à liderança do PSD. Onde andam os outros eternos candidatos a líderes do partido? Esperam por uma hecatombe em 2009? Acho que é um pouco tarde demais e não se devia perder tempo com líderes a prazo, especialmente tendo em conta a celeridade de danos insupríveis causados à nossa sociedade pelo actual governo.
No passado mês de Agosto voltei a visitar um país que adoro: o Brasil. A combinação do clima, língua e ambiente natural bem como a boa disposição dos habitantes, transformam estas viagens em experiências extremamente encantadoras. O pior é passar oito horas seguidas dentro de um avião, ao lado de um casal com um recém-nascido aos berros durante toda a viagem! É difícil imaginar semelhante suplício…
A primeira semana passada no Recife, mostrou uma cidade bastante populosa, com um centro histórico muito concorrido, com particular destaque para a zona de Olinda. No entanto, os indicadores das grandes cidades brasileiras estão bem visíveis: a penúria da população, um quase permanente odor ascoroso e a pouca segurança para quem calcorreia a cidade.
Por sua vez, na segunda semana, estive num cenário bastante distinto, Porto de Galinhas. Apesar de distar pouco mais de 70 km da cidade do Recife, parece tratar-se de outro país. Mais elitista e quase dedicado ao turismo, onde o próprio nível de vida é mais elevado, é um local muito mais calmo, com as praias mais bonitas que alguma vez vi e que permite excelentes passeios de buggy. A paisagem natural é extraordinária.
(Foto: Sony Cyber-Shot DSC-P200)
Porque é que os estrangeiros vêem o nosso país e a nossa história de uma forma mais clara e acertada do que nós próprios? Esta questão há muito que me preocupa e fascina. Mas fiquemo-nos por este livro.
O autor, inglês, é conhecido internacionalmente como escritor policial. No entanto, nesta obra, ele vai bastante além das fronteiras do género.
Antes de mais nada deve dizer-se que não é um livro ambicioso, embora muito extenso. Não é um livro brilhante, mas lê-se com tremendo agrado. A narrativa de Wilson tem qualquer coisa de muito peculiar: sem imprimir um ritmo muito acelerado à ação, ele nunca deixa de nos prender totalmente a atenção. Por outras palavras: a qualidade da sua escrita permite criar uma envolvência tão grande que o autor se pode dar ao luxo de imprimir um ritmo por vezes algo lento, a não ser talvez nas últimas páginas.
Mas o que mais me impressionou neste livro foi a leitura tão clara, concisa e acertada que o autor faz da participação indireta de Portugal na Segunda Guerra Mundial. Ele desmonta como nunca ninguém conseguiu, o velho erro que muitos de nós cometemos ao acreditar piamente que Salazar nos manteve afastados da guerra. Pelo contrário, Wilson demonstra-nos com clareza a forma descarada como o ditador negociou com Hitler, fornecendo-lhe o volfrâmio que ajudou a matar tantos milhões de pessoas, ao mesmo tempo que negociava também com a outra parte, os ingleses. Ao mesmo tempo, explica-se como o ouro nazi veio parar a Portugal, ouro sujo pelos crimes perpetrados contra os judeus e não só. Assim, retrata-se um Portugal afundado na miséria, enquanto Salazar dormia sobre o ouro nazi.
Mas também a revolução de 25 de Abril tem lugar neste livro; mais uma vez, vista de forma muito clara e objetiva, mostrando-nos mesmo algumas facetas pouco esclarecidas pelos (talvez envergonhados) escritores portugueses; é o caso, por exemplo, da história ainda muito mal contada da fuga dos "Pides" para o Brasil e da inserção de outros, muitas vezes camuflados, nas forças de segurança do Portugal democrático. Dessa forma, muitos criminosos da tortura fascista acabaram por se integrar cobardemente na sociedade democrática, muitas vezes com falsas identidades.
Em termos formais, este livro apresenta-se também de forma muito interessante, com duas estórias separadas no tempo (anos 40 e anos 90), mas que acabarão por se cruzar nos finais da década de 90 do século XX. O enredo é digno da melhor literatura policial. O estilo é direto, objetivo, fácil. Enfim, um livro muito agradável para ler em férias, mas também uma obra cheia de informações preciosas para quem pretende conhecer melhor o século XX português.
There is a house built out of stone
Wooden floors, walls and window sills
Tables and chairs worn by all of the dust
This is a place where I don't feel alone
This is a place where I feel at home
And I built a home
For you
For me
Until it disappeared
From me
From you
And now, it's time
To live
And time
To die
I'm in the garden where we planted the seeds
There is a tree as old as me
Branches were sewn by the colour of green
Ground had arose in past its knees
By the cracks of the skin I climbed to the top
I climbed the tree to see the world
When the gusts came around to blow me down
Held on as tightly as you held on me
Held on as tightly as you held on me
And I built a home
For you
For me
Until it disappeared
From me
From you
And now, it's time
To live
And time
To die
O Coiote vai começar a fazer-se ouvir. Dissertará sobre banalidades do dia a dia. Por vezes fará breves incursões por temas sérios como literatura, música e cinema. Como profissionalmente se dedica ao ensino, este tema não será menosprezado e o seu nickname destaca o seu actual estado de espírito. O desporto não será olvidado, pois este coiote é um contumaz praticante de ténis.
Há quem diga que os coiotes são encontrados apenas na América do Norte e Central, mas este habita em Braga, Portugal. Há quem diga que vivem sós e que por diversas vezes se organizam em matilhas...