domingo, 25 de março de 2012

Sons da Primavera

Prática hedonista do dia: organizar uma lista com a música que mais tenho ouvido nos últimos meses, especialmente nestas curtas férias da Páscoa. Tarefa nada fácil dada a quantidade de edições com que somos inundados diariamente…

1. Kurt Vile - Baby’s Arms
2. Jessica Lea Mayfield - Our Hearts Are Wrong
3. Tom Waits - Face To The Highway
4. Lykke Li - Sadness Is A Blessing
5. Nicolas Jaar - Space Is Only Noise If You Can See
6. Feist - A Commotion
7. Ghospoet - Liiines
8. SBTRKT - Wildfire
9. Beirut - Santa Fe
10. PJ Harvey - The Glorious Land
11. James Blake - Limit To Your Love
12. Jessie Ware - Wildest Moments
13. Anna Calvi - Blackout
14. Metronomy - She Wants
15. M83 - Midnight City
16. Kasabian - Days Are Forgotten
17. Florence & The Machine - Only If For The Night
18. The Horrors - Still Life
19. The Kills - The Last Goodbye
20. The Vaccines - Post Break-Up Sex

sábado, 24 de março de 2012

Pensamento do Dia


"Se há coisa que eu sei, é encontrar-me na escuridão."

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ler, Ver e Ouvir


As minhas leituras mais recentes passaram pela literatura lusófona de Gonçalo M. Tavares e Valter Hugo Mãe. Em “Jerusalém”, Gonçalo M. Tavares, debruça-se sobre as angústias do viver, do sentir, do amar e do morrer, utilizando uma escrita simples mas dura e apelativa. O título deve-se a uma referência bíblica citada pela esquizofrénica Mylia (página 170): “Se eu me esquecer de ti, Jerusalém, que seque a minha mão direita”.

Por sua vez, Valter Hugo Mãe em “A Máquina de Fazer Espanhóis”, aborda a última fase da vida do ser humano e a sua decadência na velhice. António Silva, de 84 anos, acaba de perder a sua companheira dos últimos 48 anos, Laura, e foi enviado pelos filhos para um lar onde apenas a morte o parece aguardar. Inicialmente, a solidão parece um tormento insuportável e não parece existir qualquer futuro mas aos poucos vai descobrindo novamente a amizade. Curiosa a apresentação do Esteves Sem Metafísica da tabacaria de Álvaro de Campos do Fernando Pessoa. Enfim, este “tsunami” da literatura portuguesa propõe-nos sem dúvida uma crítica mordaz à sociedade em que vivemos.

No que respeita a cinema, os últimos filmes que mais me entusiasmaram foram: Melancholia, de Lars von Trier; Habemos Papam, de Nani Moretti; The Help (As Serviçais), de Tate Taylor e The Tree Of Life (A Árvore da Vida), de Terence Malick.

Sobre os sons deste outono, ainda não me cansei de ouvir os últimos álbuns de Florence & The Machine, The Vaccines, Kurt Vile e Snow Patrol. E acabei de revisitar a obra dos The Smiths, Tindersticks e Belle & Sebastian.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

As Minhas Melhores Leituras de 2011


1. Guy de Maupassant - Contos Escolhidos
2. Carlos Ruiz Zafón - A Sombra do Vento
3. Gonçalo M. Tavares - Uma Viagem À Índia
4. David Gilmour - O Clube de Cinema
5. Haruki Murakami - A Rapariga que Inventou um Sonho
6. Roberto Bolaño - 2666
7. Joyce Carol Oates - A Filha do Coveiro
8. Reinaldo Moraes - Pornopopeia
9. Yann Martel - A Vida de Pi
10. Umberto Eco - O Cemitério de Praga
11. Mons Kallentoft - Anjos Perdidos em Terra Queimada
12. Liu Xiaobo - Não Tenho Inimigos, Não Conheço o Ódio

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Entrevista de Emprego

Entrevista com o Sr. Zé Silva
O Zé vai a uma entrevista de emprego para a função pública.
No fim da entrevista dizem-lhe:
- Muito bem, está tudo óptimo. Só faltam 2 questões. Tem algum problema de saúde ?
- Sim, tenho. Sou alérgico ao café.
- Muito bem. Tem alguma limitação física ?
- Bem, há 2 anos perdi os 2 tomates.
- Ok, ok. Está contratado. Começa amanhã e entra às 11h.
- Mas porque é que eu entro às 11h e os outros entram às 8h ?
- Porque a única coisa que fazemos entre as 8h e as 11h é tomar café e coçar os tomates!!!

domingo, 13 de novembro de 2011

sábado, 5 de novembro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Millennium 3: The Girl Who Kicked The Hornet’s Nest


Desenlace da trilogia criada pelo malogrado Stieg Larsson, não recomendável para quem não viu os dois primeiros filmes. Este capítulo inicia-se exatamente onde o segundo filme terminou com a espetacular Lisbeth Salander à beira da morte depois de ter enfrentado o seu pai Zalachenko e o seu meio-irmão Niedermann. Suspense inteligente, intrigas e desempenhos apaixonantes, apesar da linguagem sueca, que me faz duvidar da adaptação por Hollywood prometida já para Janeiro (com Daniel Craig no papel do jornalista da revista Millennium Mikael Blomkvist). Muito Bom.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Egas Moniz e António de Oliveira Salazar



As últimas obras que li foram duas biografias, género de literatura narrativa de uma vida real que sempre me entusiasmou, tanto em livro como em filme. Os dois homenageados foram Egas Moniz e Salazar.

Sobre o primeiro, trata-se de uma das mais fascinantes personalidades médicas do século XX, nascido em 1874 e o primeiro português a receber o Prémio Nobel da Medicina (em 1949). Escrita por outro médico, utiliza inúmeras referências a outras obras e correspondência pessoal de Egas Moniz para apresentar todo o percurso deste visionário do seu tempo.

A curiosidade em conhecer mais detalhadamente a vida do político António de Oliveira Salazar, que governou Portugal durante aproximadamente 36 anos, levou-me à obra do investigador português a lecionar atualmente na Irlanda. Em complemento também assisti ao filme “Salazar, A Vida Privada” de Jorge Queiroga.

sábado, 1 de outubro de 2011

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

sábado, 23 de julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Premiere, Empire, Total Film


A revista Premiere viu o seu monopólio terminar nos passados meses de Abril e Maio com a entrada no mercado português das revistas Total Film e Empire, respectivamente. Para os cinéfilos, apaixonados pelo cinema, que o vivem, que o discutem, que o coleccionam, que o defendem e que querem mais conhecimento é uma enorme satisfação.

A ex-monopolista Premiere, com mais de dez anos de idade em Portugal, parecia demasiado acomodada com a sua posição e não se poderia considerar um excelente guia de cinema mensal, além de que não primava pela inovação. Felizmente as duas últimas edições já melhoraram significativamente…

Em relação às duas estreias no mercado, ambas oferecem linguagem simples e directa, mas ao mesmo tempo rigorosa e mais completa e exaustiva que a Premiere.

A minha preferida: Empire.

Principais problemas: ambas se baseiam demasiado nas versões originais, com meras traduções para português da maior parte dos artigos e sem qualquer adaptação à nossa realidade (e ao nosso humor…). Além disso, será que existe mercado para as três revistas? As tiragens mensais passaram de 17 000 exemplares para cerca de 60 000 exemplares!!! Esperemos que sim e por muito tempo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Deolinda (Theatro Circo, 20 de Julho)


A pop acústica com algum fado e música popular portuguesa dos Deolinda fez-se ouvir num concerto só acessível por convite, o que deixou a esplendorosa sala muito pouco composta, e onde foram apresentados os principais temas dos dois álbuns da banda em cerca de 80 minutos, num ambiente animado onde não faltou uma versão de Funfagá da Bicharada de José Barata Moura. Ana Bacalhau foi a comunicadora de serviço, sempre bem disposta e bastante segura (de qualquer forma, que saudades da Teresa Salgueiro…). No encore a inevitável Parva Que Sou.

sábado, 2 de julho de 2011

Umberto Eco – O Cemitério de Praga




Um romance histórico interessantíssimo. Nem outra coisa seria de esperar de um mestre como Umberto Eco. O pano de fundo é dado pelas intrincadas intrigas políticas na nascente Itália e na velha França, no século XIX. Na península italiana, Garibaldi e Mazzini colocavam os reinos italianos a ferro e fogo. No entanto, as diversas facções digladiavam-se continuamente, com o Vaticano e a França sempre de permeio. Tal “embrulhada” de interesses e forças era terreno fértil para intrigas e jogos de poder onde reinavam os espiões e interesseiros como Simonini, o herói, ou melhor, o anti-herói deste livro.

Simonini é perverso, perigoso, traiçoeiro. Mas é também um pouco estúpido. Esta é a grande lição da obra: um homem pouco inteligente mas tremendamente perverso e impiedoso pode pôr em risco toda uma nação.

Umas vezes ao serviço de Garibaldi, outras de Mazzini, dos piemonteses, dos franceses, dos austríacos ou até dos russos, Simonini tem apenas um princípio do qual nunca prescinde: um ódio profundo, mortal, aos judeus. Simonini é um personagem suficientemente perverso para que todos os leitores nutram por ele um sentimento de revolta a roçar o mesmo ódio que ele sente por todos, bem expresso nesta afirmação de um personagem com quem Simonini negoceia: “O ódio é a verdadeira paixão primordial - o ódio une os povos, desperta a esperança nos miseráveis e solidifica o poder instituído – seja o ódio aos judeus, aos maçons, aos estrangeiros…” (pág. 432).

Este livro demonstra também como a história pode ser forjada por interesses mais ou menos obscuros: Simonini, o espião ao serviço de quem lhe paga mais, especializa-se em forjar documentos. E mesmo aqueles que sabem tratar-se de documentos falsos, agem como se fossem verdadeiros. A História, muitas vezes é construída apenas por falsários. 

Um outro aspecto interessante deste livro é o facto de Simonini ser praticamente o único personagem ficcional. Freud e Garibaldi são apenas dois dos mais conhecidos intervenientes na narrativa. Outros são verdadeiros trapaceiros com existência histórica comprovada que Eco estudou afincadamente.  

Trata-se portanto de um livro cheio de emoção onde é possível “ver” nas suas páginas grande parte da realidade política de uma Europa muito conturbada, nos finais do século, anunciando já a Primeira Guerra Mundial que marcaria o início do século XX. Nascia a Itália, mas aprofundavam-se as guerras de bastidores entre austríacos, franceses, russos e ingleses.


Cemitério Judeu de Praga

domingo, 26 de junho de 2011

Sean Riley & The Slowriders (FNAC, Braga, 25/06)


Neste showcase de Braga, os Sean Riley & The Slowriders mostraram ao longo de meia hora alguns temas do último álbum, mas também recordaram temas mais antigos, como This Woman e Harry Rivers. Em relação ao disco acabado de sair ouvimos, de acordo com o vocalista Afonso Rodrigues, “versões adaptadas para o evento", de por exemplo, Sweet Little Mary, Silver, Everything Changes e Laying Low. Folk maduro e irreconhecível na actual cena pop/rock portuguesa, que nos transporta de imediato para o continente norte-americano.

sábado, 25 de junho de 2011

Uma nova escola pública

Atualmente as escolas públicas, apesar de terem recursos abundantes (como nunca no passado), estão incorretamente enquadradas, ou seja, estão mais centradas nos alunos e professores, mais preocupadas com pedagogia do que com os conteúdos, vocacionadas para que os alunos se sintam bem, esquecendo-se que eles devem aprender alguma coisa e negligenciando a assiduidade e a educação. Tudo a favor de um “bem maior”: a estatística, acabando com todo o tipo de chumbos e vigorando o facilitismo. Esta ideologia dominante, que pensa que as aulas são um espaço lúdico e os professores meros “entertainers”, ignora que o ensino deve ser a preparação para a vida, e que esta tem poucos espaços lúdicos. E, claro, conforta os alunos que “aprendem” que para ter sucesso na vida não é preciso trabalhar.

domingo, 12 de junho de 2011

Mais um final de ano...



"Para ser grande sê inteiro
Nada teu exagera ou exclui
Põe tudo quanto és no mínimo que fazes
Pois só assim a lua toda brilha
Em cada lago
Porque alta vive
".

Ricardo Reis

Gostei de vos conhecer e de partilhar convosco alguns momentos de satisfação e alegria, pelo que ides permanecer na minha memória.

Espero que consigam alcançar o que mais desejam na vida profissional e pessoal.

CCB

quarta-feira, 1 de junho de 2011


E este mês planeio ler:

- Paul AusterAs Loucuras de Brooklyn
- John UpdikeCorre, Coelho
- Harold BloomCânone Ocidental
- Ian McEwanExpiação

domingo, 29 de maio de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Férias, sol, praia


Quando entramos de férias
Tudo parece que muda; porquê?
Porque as férias trazem alegrias.

Com as férias já podemos descansar
Para podermos testemunhar
Coisas que acontecem.

Nas férias podemos estar,
Com os amigos,
Novos e antigos.

Férias são férias e temos que as aproveitar!

Leitura: biografia de Aristides de Sousa Mendes – Um Homem Bom de Rui Afonso

Música: os novos discos de Lykke Li, The Vaccines, James Blake e PJ Harvey

sábado, 23 de abril de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Black Swan


Acabei de ver o último dos dez filmes seleccionados para a categoria de melhor filme relativa à cerimónia dos Óscares a realizar já no próximo dia 27 em Hollywood. Este ano a qualidade dos filmes seleccionados para a categoria de melhor filme é claramente superior ao ano passado. Se fosse eu a escolher venceria a película “Black Swan” e Natalie Portman e Colin Firth seriam os actores vencedores.

Black Swan é um filme poderoso e intenso, com um final surpreendente, uma realização notável e uma interpretação inspirada (e exigente) de Natalie Portman. A história baseia-se na ambição desregrada de uma bailarina que procura a perfeição ao desempenhar o papel principal do bailado de Tchaikovsky, deambulando pela ansiedade permanente, patente na forma como trata a mãe e o seu próprio corpo e na sua impetuosidade sexual (masturbação e lesbianismo).

Sobre os restantes, e por ordem de preferência:

- The Social Network – foi uma agradável surpresa este retrato do criador da rede social mais famosa do mundo, Facebook, facto a que não será alheia a realização de David Fincher.

- 127 Hours – também baseado numa história verídica, com um final estonteante que já levou a vários desmaios em algumas salas de cinema!

- True Grit – o regresso do género “morto” Western com Jeff Bridges em boa forma e os irmãos Cohen a reconstruir um original de 1969, que deu o Óscar de melhor actor ao rei do género: John Wayne.

- The King’s Speech – filme favorito mas demasiado sobrevalorizado. Parece “made for the Óscares”. Vale pela relação entre o rei “Colin Firth” e o seu terapeuta da fala “Geoffrey Rush” (que afinal não era…).

- The Kids Are All Right – aqui uma família de lésbicas é vista como se de uma família normal se tratasse (e não é assim que deve ser?). As mães são notáveis, especialmente Annette Bening e claro a lindíssima filha Mia “Alice” Wasikowska.

- Winter’s Bone – exemplo de como um filme de baixo orçamento pode competir com pesos pesados. Adorei o desempenho de Jennifer Lawrence e a notável realização de Debra Granik, mostrando o modo de vida de uma comunidade muito peculiar numa bonita zona montanhosa entre os estados do Missouri e Arkansas.

- The Fighter – filme competente mas penalizado pelo excesso de filmes sobre boxeurs (The Wrestler, Million Dollar Babby, Cinderella Man, Ali, Raging Bull ou Rocky). Curiosa a ida ao cinema para ver Belle Époque (1992) de Fernando Trueba com Penélope Cruz...

- Inception – considerado por muitos como uma obra-prima mas, apesar de já o ter visto por duas vezes, ainda não consigo adorar este filme…

- Finalmente, em relação a “Toy Story 3”, e apesar de ser uma excelente animação, não deveria concorrer directamente com os restantes filmes. Afinal para que serve a categoria relativa à melhor Animação? Se assim fosse, poderíamos ter aqui algum dos filmes esquecidos pela Academia, como Hereafter, de Clint Eastwood ou You Will Meet A Tall Dark Stranger, de Woody Allen.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Glee


A segunda temporada da série Glee (do criador de Nip / Tuck) já começou e numa altura em que a palavra mais falada no país é “crise”, nada melhor do que uma série que garanta entretenimento de qualidade, combinando um enredo cómico-dramático, num contexto que envolve uma escola secundária e as paixões, intrigas, dramas, ambições e falhanços dos seus professores e alunos, incluindo a encenação de elaborados números musicais, desde clássicos pop a êxitos mais recentes. A diversidade de personagens cativa, dificultando a escolha dos preferidos, mas consigo destacar os professores Will Schuester e Sue Sylvester e os alunos Kurt e Rachel. Hilariante.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Sessão de Terapia de Grupo

Quatro pacientes estão reunidos.
O terapeuta pede que todos se apresentem, digam qual é sua actividade e que comentem porque a exercem.
O primeiro diz:
- Chamo-me Francisco, sou médico porque me agrada tratar da saúde e cuidar das pessoas.
O segundo apresenta-se:
- Chamo-me Ângelo. Sou arquitecto porque me preocupa a qualidade de vida das pessoas e como vivem.
A terceira diz:
- Chamo-me Maria e sou lésbica. Sou lésbica porque adoro mamas e rabos femininos e fico louca só de pensar em fazer sexo com mulheres.
Faz-se um silêncio. Então o quarto diz:
- Sou Manuel Joaquim e até há pouco achava que era pedreiro, mas acabo de descobrir que sou é lésbica...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

As Minhas Melhores Leituras de 2010


1. Hilary Mantel - Wolf Hall
2. José Luís Peixoto - Livro
3. Saul Bellow - As Aventuras de Augie March
4. Jø Nesbo - Vingança a Sangue-Frio
5. José Rodrigues dos Santos - O Anjo Branco
6. Fiódor Dostoievski - Crime e Castigo
7. Orhan Pamuk - Museu da Inocência
8. J. M. Coetzee - Verão
9. William Faulkner - O Som e a Fúria
10. Jaroslav Hasek - O Valente Soldado Chveik
11. Kiran Desai - A Herança do Vazio
12. Yasunari Kawabata - Kyoto

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Cinema do Mundo


Ultimamente a minha preferência cinematográfica vai para filmes oriundos de culturas bem diferentes da norte-americana e dos seus blockbusters. A lista que apresento a seguir mostra o que de melhor se vai fazendo por esse mundo fora, proporcionando-nos viagens espantosas com histórias inesquecíveis…


1 - Mother (Bakjwi - Mãe), de Bong Joon-ho - Coreia do Sul: relata o drama de uma viúva que dedica a vida ao seu único filho, que apesar dos seus 28 anos, é totalmente dependente dela, por ter um ligeiro atraso mental. Impressionante a determinação desta mulher em provar a inocência do filho, apesar da sua condenação parecer inevitável. Argumento engenhoso, realização e interpretações notáveis.

2 - Vincere (Vencer), de Marco Bellocchio - Itália: história triste, da mulher renegada pelo ditador Benito Mussolini, e que não consta da sua biografia oficial. Inicialmente Ida Dalser acreditou e apostou tudo o que tinha nesse homem mas acabou por ser ignorada, torturada e levada para um manicómio, longe do filho. No entanto, Vincere também não deixa de ser um filme sobre o presente (olá, Berlusconi)…

3 - Millennium I - Man Som Hatar Kvinnor (Homens Que Odeiam As Mulheres), de Niels Arden Oplev - Suécia: baseia-se na trilogia Millennium do autor sueco Stieg Larsson, publicada após a sua morte em 2004 e faz lembrar Hitchcock. O enredo fascina desde o início, o suspense é constante e Noomi Rapace no papel de Lisbeth Salander deslumbra, fazendo esquecer o também excelente Michael Nyqvst.

4 - De Usynlige (Troubled Water - Águas Agitadas), de Erik Poppe - Noruega: devido a uma brincadeira que acaba de forma trágica com a morte de uma criança, Jan Thomas cumpre uma pena de prisão. Apesar de tudo, negou o crime até ao fim e esperava poder deixar o passado para trás ao conseguir emprego como organista numa igreja em Oslo. Lá, acaba por se envolver com a pastora Anna, e cria laços afectivos com Jens, o filho dela. Um dia, a igreja recebe a visita da professora Agnes e dos seus alunos. Observando o talentoso organista, Agnes reconhece em Jan o suposto assassino do seu filho. Uma história dramática sobre culpa, redenção e segundas oportunidades.

5 - El Secreto De Sus Ojos (The Secret In Their Eyes - O Segredo Dos Seus Olhos), de Juan José Campanella - Argentina: aborda o sistema judicial, as leis e a corrupção com bastante drama e romance. Elenco notável e realização soberba. O final é surpreendente. Assim vale a pena ver cinema.

6 - Celda 211 (Cela 211), de Daniel Monzón - Espanha: Juan, funcionário de uma prisão, apresenta-se ao serviço na nova prisão e quando ainda estava a conhecer o local sofre um acidente pouco antes do início de um motim no sector dos presos mais temidos e perigosos. Os seus colegas de trabalho só conseguem salvar as suas próprias vidas e abandonam Juan, desmaiado, à própria sorte na Cela 211. Ao despertar, Juan compreende a situação e tenta-se passar por um preso a mais entre os amotinados. A partir deste momento, Juan vai ter que jogar com astúcia, mentir e arriscar, sem saber o que o destino lhe tem reservado.

7 - Amintiri Din Epoca De Aur (Tales From The Golden Age – Histórias da Idade de Ouro), de vários realizadores romenos - Roménia: retrato da Roménia comunista de Ceausescu dos anos 80, onde a sobrevivência prevalecia em relação aos princípios, com situações surpreendentes, cómicas e por vezes bizarras, como dois jovens a burlar cidadãos, com o objectivo de obter garrafas de vidro vazias para depois as vender; um motorista de um galinheiro que rouba ovos ou um carrossel que não pára durante uma visita oficial de um alto membro do partido.

8 – Partir, de Catherine Corsini – França: é um drama sobre adultério com ênfase no poder da paixão. A mulher adúltera é a belíssima Kristin Scott Thomas, que interpreta Suzanne, uma mulher casada com um médico e com dois filhos adolescentes mas cansada com que a vida que leva e que, após conhecer Ivan, o responsável pelas obras na sua casa, debate-se com o dilema família ou amor, proporcionando um final imprevisível.

9 - The Stoning Of Soraya M., de Cyrus Nowrasteh - Irão: história assustadora para a qual é necessário estar psicologicamente preparado. Baseia-se em factos verídicos e conta a história da iraniana Soraya M. por um jornalista franco-iraniano. Os últimos trinta minutos, momento em que se efectiva o apedrejamento, são de uma violência quase insuportável. Interpretações a destacar: Shohreh Aghdashloo (vista recentemente na 4ª temporada da série 24) e Jim Caviezel (The Passion Of Christ). Recentemente, e também na vida real tem sido muito divulgada na comunicação social um caso semelhante ao de Soraia M. e que ainda não está concluído. Neste caso, a mulher iraniana condenada chama-se Sakineh Ashtiani.

10 - La Teta Asustada (The Milk Of Sorrow – A Teta Assustada), de Cláudia Llosa – Peru: drama forte, curioso, realista e denso. Fausta tem "a Teta Assustada", uma doença que é transmitida pelo leite materno das mulheres que foram violadas ou maltratadas durante a guerra do terrorismo no Peru. A guerra acabou, mas Fausta vive para recordá-la porque "a doença do medo" lhe roubou a alma. A súbita morte da sua mãe vai obrigá-la a enfrentar os seus medos e o segredo que oculta no seu interior: ela introduziu uma batata na vagina, como escudo, como um protector, e acredita que assim ninguém se atreverá a tocá-la.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Os Melhores Discos do Ano 2010


Com o fim do ano não muito longe do horizonte, já é possível destacar os discos que se evidenciaram e que ainda não pararam de rodar:

1. The National – High Violet
2. Arcade FireThe Suburbs
3. The Drums – The Drums
4. Karen ElsonThe Ghost Who Walks
5. Broken BellsBroken Bells
6. Beach HouseTeen House
7. Vampire Weekend – Contra
8. Caribou – Swim
9. LCD Soundsystem – This Is Happening
10. Isobel Campbell & Mark Lanegan - Hawk
11. The Books - The Way Out
12. Stars - The Five Ghosts

E as canções mais viciantes:

1. Hurts - Better Than Love
2. The Drums - Forever And Ever Amen
3. Florence & The Machine - You’ve Got The Love
4. Marc Ronson & The Business INTL - Bang Bang Bang
5. Scissor Sisters - Fire With Fire
6. The Courteeners - You Overdid It Doll
7. 30 Seconds To Mars - Kings And Queens
8. Delphic - Counterpoint
9. We Are Scientists - Nice Guys
10. Funeral Party - NYC Moves To The Sound Of LA
11. Sub Focus (Ft Coco) - Splash
12. Hot Chip - I Feel Better

domingo, 21 de novembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Orhan Pamuk - O Museu da Inocência



Em termos formais estamos perante um romance perfeito; a estrutura da obra é muito bem conseguida, dividida em cerca de oitenta pequenos capítulos e com uma coesão interna em termos de enredo que fazem deste livro um romance agradável de ler, mau grado o seu grande tamanho.

O pano de fundo é fornecido pela Turquia do último quartel do século XX (a maior parte do enredo passa-se em 1975). Este país, encruzilhada entre a Europa e a Ásia vivia uma época de grandes conflitos internos. Para lá dos eternos e conhecidos conflitos religiosos, vivia-se uma fase de quase guerra civil, com confrontos frequentes entre extremistas de direita e de esquerda. Perante isto, o governo respondia com um autêntico estado de sítio, com recolher obrigatório e um poder discricionário por parte das autoridades.

É sobre este pano de fundo que decorre uma história de amor marcada pelo insucesso. Kemal, o herói do livro, é o homem ofuscado pelo amor por Füsun, doze anos mais jovem e, pior que tudo, proveniente de um grupo social inferior. Estamos assim perante o tradicional confronto com a sociedade que nos seus extratos mais altos aceita mal esta união mas, muito mais que isso, estamos perante uma união frustrada pelo destino; esta frustração, aliada a um amor alienado, conduzem Kemal a esse projeto que ele vai pondo em prática de colecionar tudo o que direta ou indiretamente dizia respeito a Füsun, colecionando milhares de objetos que constituirão o seu Museu da Inocência.

Por trás deste enredo está uma magnífica reflexão sobre o destino humano que por vezes construímos sobre sonhos que se revelam quimeras. Despersonalização e Intemporalidade são dois palavrões que podem servir de síntese à mensagem deste livro. Kemal submete-se a um sentimento que, paulatinamente, vai tomando posse de si, da totalidade do seu ser. Nada mais faz sentido fora daquilo que se relacione com Füsun. E Kemal escraviza-se ao sentimento. Despersonaliza-se.

Por outro lado, ao contar a história na fase final da sua vida, é nítido o imenso peso do passado na vida de Kemal; esse tempo passado é outra forma de escravatura: a tirania do tempo a contribuir para a anulação do Eu. E Kemal procura essa intemporalidade; procura como que uma eternização do passado, uma negação da mudança, uma paragem no tempo; uma intemporalidade. O recurso ao cinema é outra metáfora usada pelo autor para reforçar essa ideia de intemporalidade: os filmes são uma forma de manter o passado presente, da mesma forma que o museu; ao optar pelo colecionismo de tudo quanto se relacionasse com Füsun, Kemal não procura mais que essa intemporalidade, esse perpetuar da sua própria despersonalização. Na página 509 desta edição Presença, o autor usa uma expressão que de uma forma muito bela sintetiza o estado de espírito de Kemal: "PRESO NUM SONHO".

sábado, 9 de outubro de 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Blood Red Shoes (Festival Manta 2010)


Os Blood Red Shoes vieram a Guimarães apresentar o seu mais recente álbum Fire Like This. Durante cerca de 75 minutos, ouviu-se rock na sua forma mais pura e criativa, com destaque para Don´t Ask e Colours Fade. As incursões pelo disco de estreia Box Of Secrets animaram o pouco mas animado público presente essencialmente em I Wish I Was Someone Better e It’s Getting Boring By The Sea. No palco, a dicotomia entre os dois elementos da banda, Steve Ansell e Laura-Mary Carter, foi assaz evidente com o elemento masculino muito mais seguro, enérgico e expressivo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Kiran Desai – A Herança do Vazio




Antes de tudo, este livro é um brilhante testemunho da História da India no século XX, nascida de um passado brilhante mas vítima da opressão e exploração europeia. A Índia foi sucessivamente delapidada por Impérios europeus: primeiro os portugueses, depois os franceses e holandeses, finalmente os Ingleses, os senhores da Civilização e da opressão. Mais uma vez, o tema tantas vezes debatido e sempre tão actual: o choque de culturas. 

A acção decorre na Índia pós-colonial onde ainda se debate a contradição entre o paradigma civilizacional inglês e a prevalência de uma cultura ancestral identificada com as raízes religiosas e mentais mas que, ao mesmo tempo, envolve um quadro socio-económico arcaico. A pobreza está por todo o lado, justificando um misto de ódio e admiração pelos ingleses: ódio por parte daqueles que lhe atribuem a causa de todas as desgraças, admiração por parte daqueles que se encontram revoltados perante o conservadorismo da sociedade tradicional indiana. 

Trata-se da relação colonizador/colonizado por detrás da luta entre a tradição e uma modernidade tão atractiva como decepcionante. Mas há algo mais que isso: o conflito entre a pobreza e a riqueza, o dilema entre a tradição e a modernidade, o pôr em causa dessa mesma modernidade; a dúvida entre o aceite e o imposto. Por outro lado, o conflito político; o dilema daqueles que serviram um senhor que se revelou opressor. E a América, sempre a América como pano de fundo de uma esperança apenas aparente. A revolta perante um mundo de desilusão; a vida destruída entre conflitos que se impõem de um exterior vasto e devorador: os ingleses mas também a fabulosa América que inebria e corrói. A liberdade conquistada e o choque brutal com um país onde a liberdade, frágil construção humana, deixa germinar outras guerras. As minorias. Os nepaleses e o desejo de libertação. A violência no reino da tradição. 

Este é um livro sobre a solidão. Sobre almas que pendem sob os Himalaias, dependuradas num destino fabricado noutras paragens, por outras gentes. A civilização, admirada nos odiados ingleses avassala este mundo de personagens humildes e pobres. Sim, porque aqui, nesta Índia à procura de identidade, nem os ricos são ricos: todos sofrem, mesmo que de solidão. Fica a escrita brilhante tirada das profundezas da alma. Uma escrita sentida, cuidada e muito pessoal.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Editors, Ben Harper e dEUS (Festival Marés Vivas 2010)



Mais de 25 000 pessoas presenciaram o regresso dos dEUS a Portugal. Durante cerca de uma hora apresentaram temas dos dois primeiros álbuns (Worst Case Scenario e Ideal Crash), com especial destaque para Instant Street e Little Arithmetics, revisitando também os mais recentes Pocket Revolution e Vantage Point.

De seguida, aquela que será a banda actual mais influenciada pelos Joy Division e que a maioria das pessoas parecia esperar, os Editors, entrou em Palco. Como seria de esperar, o destaque foi para In This Light And On This Evening. Devido a problemas técnicos, Tom Smith, visivelmente irritado com a situação, abandona o palco no início do tema Smokers Outside The Hospital Doors. Toda a banda o acompanha e durante cerca de 15 minutos o público não percebe o que se passa. Quando regressam, tocam apenas mais dois temas e o sentimento de desilusão é bem patente em muitos espectadores, apesar do recinto estar completamente cheio.

Finalmente, o senhor Ben Harper e a sua mais recente banda Relentless7 surgem e a noite volta a animar-se. Empenho e profissionalismo não faltaram, com o rock e guitarras poderosas de White Lies For Dark Times, apesar da inicial Diamonds On The Inside e as incursões por territórios alheios (ouviu-se Billie Jean de Michael Jackson, pelo meio do tema Lay There And Hate Me e mais tarde também Heartbreaker dos Led Zeppelin).

domingo, 1 de agosto de 2010

Sonic Youth (Coliseu do Porto)


Os nova-iorquinos Sonic Youth, autêntica instituição do rock, entraram em palco poucos minutos após as 22 horas e durante cerca de 90 minutos apresentaram essencialmente o seu mais recente álbum, The Eternal (tocaram onze das doze faixas do disco, incluindo a belíssima Massage The History). Apesar do recinto não estar esgotado, não foi difícil a banda conquistar o público com os habituais feedback e rock avassaladores. Energia, emoção e entrega não faltaram aos cinco elementos da banda, apesar dos quase 30 trinta anos de carreira e mais de duas dezenas de discos.

Quem preferia revisitar a carreira da banda e ceder a alguma nostalgia, terá ficado decepcionado apesar do concerto terminar com temas de álbuns da década de oitenta: The Sprawl, ‘Cross The Breeze, Candle e Death Valley 69. No final, e sob fortes aplausos, Thurston Moore junta-se à multidão em êxtase na frente do palco e grava o momento a partir do seu telemóvel. Inesquecível, apesar de ter sabido a pouco...

sexta-feira, 2 de julho de 2010


Os quatro livros que me vão acompanhar este mês são:

- Andrés NeumanO Viajante do Século
- Don DeLilloCães em Fuga
- Gao XingjianA Montanha da Alma
- Augustín Sánchez VidalA Chave Mestra

quinta-feira, 1 de julho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010