segunda-feira, 17 de junho de 2019

11º CSE 1 e 2 (ESFH)

"Ensinarás a voar,

Mas não voarão o teu voo.

Ensinarás a sonhar,
Mas não sonharão o teu sonho.

Ensinarás a viver,
Mas não viverão a tua vida.

Ensinarás a cantar,
Mas não cantarão a tua canção.

Ensinarás a pensar,
Mas não pensarão como tu.

Porém saberás que cada vez que voarem,
Sonharem, viverem, cantarem e pensarem
Estará lá a semente do caminho ensinado e aprendido!"


Madre Teresa de Calcutá




Ao fim de dois anos de trabalho intenso, espero ter contribuído para que todos sejam um pouco mais conscientes do mundo que os aguarda. Não se esqueçam que as dificuldades são como as montanhas, pois só se aplainam quando avançamos sobre elas.

É o convívio com alunos assim que faz desta profissão de Professor algo de maravilhoso e único.

Desejo a todos as maiores felicidades e que o futuro vos sorria.

Até sempre,

CCB

terça-feira, 23 de abril de 2019

segunda-feira, 25 de março de 2019

Sons da Primavera


1. Placebo - Too Many Friends
2. Girl In Red - We Fell In Love In October
3. The Raconteurs - Now That You're Gone
4. Karen O And Danger Mouse - Woman
5. Island - The Day I Die
6. Pale Honey - Why Do I Always Feel This Way
7. Hey Juniore - En Cavale
8. Sofia Bolt - Get Out Of My Head
9. Hollow Coves - The Woods
10. Black Honey - Crowded City
11. Hailee Steinfeld & Grey (Ft. Zedd) - Starving
12. Sam Fender - Play God
13. Delerium (Ft. Emily Haines) - Glimmer
14. Calvin Harris (Ft. Florence Welch) - Sweet Nothing
15. Isak Danielson (Ft. Ane Brun) - Run To You
16. Weyes Blood - Everyday
17. Teeth & Tongue - There Is A Light That Never Goes Out
18. Lykke Li - Utopia
19. The XX - Missing
20. Peaky Blinders - Wonderful Life


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Remind Me Tomorrow - Sharon Van Etten


O ano ainda está no início e provavelmente está encontrado um dos melhores discos do ano: “Remind Me Tomorrow” de Sharon Van Etten.

Antes deste novo álbum, Sharon editou cinco discos, entre 2009 e 2015, álbuns essencialmente de ruptura amorosa e de coração despedaçado. Após 2015 a sua vida mudou muito: fim de relações, início de outras, um filho, digressões, pausas, representação (na série “The AO” e num episódio de “Twin Peaks”) e um curso de psicologia. Foram tempos de descoberta e mudança. Quando regressou ao estúdio, decidiu experimentar e fez um disco menos óbvio, que exige mais atenção da parte de quem o ouve. É um disco honesto e ambicioso. É um corpo coeso, mas tem uns quantos pontos chave que fazem a diferença:

Seventeen”. É uma grande canção. Enorme. Enorme canção. Dá para tudo. Para dançar e para pensar na vida. Para nos lembrarmos de quando tínhamos 17 anos ou para chegarmos à conclusão de que não fizemos nada de jeito quando tínhamos 17 anos. E por isso canta “I wish I could show you how much you’ve grown”. Tem um piano nos acordes menores certos para chorar, é nervosa, é ansiosa, é tranquila, mas um bocado a fingir. E tem um momento em que Sharon Van Etten perde a noção dos limites da sua voz e deita tudo para fora de uma forma absolutamente arrepiante. Já o fez ao vivo, está em vídeo e é de ver, rever, repetir e repetir outra vez.

Comeback Kid”. O primeiro single ideal. Perfeito para atirar uma de “então pensavam que já tinham visto tudo o que eu tinha para dar?”. Um misto de tanta coisa, esta cantiga. Dancing para o século XXI que gosta de bailar como faziam algumas das estrelas pop dos anos 80, mais místicas, mais góticas, o que quiserem chamar-lhe. Batida deliciosa, belo momento de inspiração.

Jupiter 4”. É uma canção de amor, é um agradecimento por um amor em particular, pelo amor em geral. É um desejo de amor para o mundo todo, o mundo que a quiser ouvir. E é tudo isto sobre um formato maquinal e robótico, a música é fria, quase gélida, é o amor a acontecer num ambiente digital onde não há calor em lado nenhum. Mas é a mesma canção em que Sharon canta “a love so real”. Repete a frase quatro vezes no final do tema. Estas contradições ficam-lhe tão bem. É que ficam mesmo. E esta “Jupiter 4” (que é o nome de um modelo de sintetizador da marca Roland) é de uma beleza tremenda. Sharon, cantas isto tão bem, pá. Tão bem.

I Told You Everything”. É um delicioso filme miserável. Duas pessoas num bar numa conversa difícil. Duas pessoas que têm coisas tramadas para discutir. Não sabemos qual é o tema, não sabemos o que aconteceu antes daquele momento e não sabemos como termina. Mas essa ausência de respostas torna a canção muito mais nervosa, há muito mais ansiedade naquelas poucas notas que por ali andam, meio a flutuar, meio presas ao chão. É uma forma muito densa e dramática de começar um disco, mas é uma forma perfeita de o fazer. E sabemos que uma canção é boa quando a ouvimos e ao mesmo tempo vemos as respectivas personagens à nossa frente, sem a ajuda de álcool ou de qualquer outro amigo da imaginação colorida.

Remind Me Tomorrow” é um belíssimo caos organizado onde Sharon Van Etten persegue, agora a todo o vapor, algumas das emoções mais sombrias, mas propulsivas que sempre se vislumbraram nos limites da sua música.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Howard Jacobson – A Questão Finkler




Este é um livro surpreendente, divertido, magnífico. Hooward Jacobson pratica a arte de brincar com coisas sérias.

Julian Treslove era um homem vulgar que não conseguia imaginar uma solidão maior que a sua. Sonhava poder ser ao menos um viúvo; ao menos poder ter tido uma mulher nos braços. Julian era um homem só. Algo faltava na sua vida, sem que ele o pudesse identificar. Julian Treslove invejava Finkler; ele era Finkler e ao mesmo tempo um finkler - um judeu. Era inteligente e imponente.

Houve uma época em que Finkler, professor de filosofia, escreveu quatro livros de autoajuda e ficou rico. Finkler tornou-se mais que um finkler. Treslove queria ser como ele mas não o podia revelar, nem sequer admitir.

A partir daqui, Jacobson constrói um enredo em que o riso esconde uma reflexão poderosa sobre a identidade judaica. Nunca tão bem se escreveu uma comédia sobre coisas muito sérias. O autor coloca-nos um sorriso nos lábios ao mesmo tempo que nos faz encarar de frente o Holocausto (“lá vamos nós outra vez!”), a faixa de Gaza e, acima de tudo, a angústia de ser judeu, com todas as contradições que a história foi construindo em torno deste povo.

De espírito melancólico, Treslove, na sua juventude, apaixonou-se por novelas românticas e ópera. Não aprendeu música porque não tinha ninguém para quem tocar.

O segundo amigo de Julian é Libor, um judeu de 90 anos que havia sido seu professor. Libor tivera uma vida feliz como marido e como judeu. Mas acabará a sua vida desiludido. Quase envergonhado.

Um dia uma mulher assaltou Treslove e chamou-lhe judeu. Ou pareceu-lhe ter ouvido tal insulto. Isto mudará a sua vida. A partir daí Julian reconstruirá a sua personalidade; ele havia de ser um judeu. Havia de aprender iídiche e haveria de casar com uma judia bem gorda – muita mulher judia. Antes disso haveria de ter um caso com a mulher de Finkler que ele julgava judia. Por um lado, era a esposa do amigo que invejava (“ele estava a pedi-las”) por outro lado, era uma judia e ele estava sedento de judaísmo.

Mas é com Hephzibah, uma imponente mulher judia, uma personagem fortíssima, sobrinha-bisneta de Libor que ele veio a casar e a realizar-se, pelo menos provisoriamente. Hep era uma mulher rechonchuda – a primeira mulher saudável da vida de Julian.

Finkler, crítico mordaz do sionismo se bem que nunca prescindindo dos seus objetivos individuais, torna-se um judeu envergonhado. Pode ser-se isso sem ter vergonha de si próprio? Esta é, talvez a questão fulcral deste livro: a sua identidade como judeu e a identidade do povo judeu. Como conciliar o ser individual com o grupo ao qual ele está umbilicalmente ligado? Os judeus são vítimas da história. Mas… e a Faixa de Gaza? E os colonatos? A desunião é cada vez mais visível. Os críticos do sionismo são os envergonhados. No entanto, nem eles deixam de ser vítimas do anti-semitismo. Por outro lado, de certa forma, também eles são anti-semitas. É este mundo confuso, esta miscelânea de interesses e angústias que povoa a vida de Libor, Finkler e Treslove.

O efeito humorístico desta situação deriva, em grande parte do facto de Treslove ser uma espécie de retrato invertido de Finkler: ele é o gentio que quer ser judeu, que é atraído por uma certa melancolia própria da alma judaica e Finker é o judeu envergonhado, que procura no sucesso individual um certo triunfo sobre a realidade histórica em que está envolvido. Ambos lutam contra a sua própria identidade. Quando, finalmente, Treslove se torna judeu, encontra a angústia e a desgraça…

sábado, 5 de janeiro de 2019

Linha de Apoio ao Cliente


A experiência de ligar para uma linha de apoio está a tornar-se cada vez pior. Na última vez que liguei para um Hospital Privado demorei vários minutos até finalmente falar com alguém.
Publicidade, promoções, Já Sabia Que…?, etc. Diga sim, se é o assunto certo; caso contrário, mantenha-se em silêncio e escolha uma das seguintes opções:

1 – quer ouvir uma ladainha sobre os nossos espectaculares serviços e promoções?
2 – quer perder 15 minutos a falar com a assistente que, apesar da simpatia, nada poderá fazer porque a culpa é do sistema?
3 – quer esperar 45 minutos a ouvir “Master Of Puppets” dos Metallica em versão “pan pipes” e depois falar com outra assistente que, apesar da simpatia não conseguirá resolver nada e vai passar a chamada que nunca será feita porque a ligação vai cair?

Obrigado por ter ligado para a nossa linha de apoio. Clique. SMS – A chamada que fez não está incluída na sua mensalidade, por isso toca a desembolsar mais uns euros. É um prazer estar aqui para cobrar, perdão, para servi-lo.

E já conhecem o novo voice mail das escolas? Para escutá-lo é só carregar AQUI

domingo, 30 de dezembro de 2018

Os Melhores Discos do Ano 2018


Não há como evitar. Chegada esta altura do ano perdemos algum tempo a tentar elencar os melhores do ano na música que foi sendo feita. É o tipo de eleição que vale o que vale, pois tenho para mim que a música não é a mesma coisa que uma corrida de Fórmula 1.


- Low - Double Negative
- Idles - Joy As An Act Of Resistance
- Cat Power - Wanderer
- Shame - Songs of Praise
- Arctic Monkeys - Tranquility Base Hotel & Casino
- Snail Mail - Lush
- Father John Misty - God’s Favorite Customer
- The Saxophones - Songs of the Saxophones
- Car Seat Headrest - Twin Fantasy
- The Breeders - All Nerve
- Spiritualized - And Nothing Hurt
- Yo La Tengo - There’s a Riot Going On
- Lucy Dacus - Historian
- Marlon Williams - Make Way for Love
- Anna Calvi - Hunter
- Iceage - Beyondless
- Kurt Vile - Bottle It in
- Wild Pink - Yolk In The Fur
- Belle & Sebastian - How To Solve Our Human Problems (Parts 1-3)
- Beach House - 7


sábado, 29 de dezembro de 2018

As Minhas Melhores Leituras de 2018


1. Yuval Noah Harari – Sapiens – De Animais A Deuses – História Breve Da Humanidade
2. Gunter Grass – Descascando A Cebola
3. Javier Marias – Berta Isla
4. Halldór Laxness – Os Peixes Também Sabem cantar
5. Jennifer Egan – A Praia De Manhattan
6. Herta Muller – Hoje Preferia Não Me Ter Encontrado
7. Arturo Pérez-Reverte – Homens Bons
8. Frank McCourt – O Professor
9. Paul Theroux – Comboio-Fantasma Para O Oriente
10. Enrique Vila-Matas – Suicídios Exemplares
11. Elena Ferrante – História De Quem Vai E De Quem Fica
12. Bruno Vieira Amaral – As Primeiras Coisas

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

sábado, 13 de outubro de 2018

Sons de Outono


1. Jarvis CockerBaby’s Coming Back To Me
2. Zola JesusWiseblood
3. Leon BridgesRiver
4. Kings Of LeonOver
5. Wild BeastsPlaything
6. Palma Violets14 + Brave New Song
7. Courage My LoveAnimal Heart
8. Billie EilishCopycat
9. HeavenIt’s Not Enough
10. The LumineersDead Sea
11. TemplesThe Golden Throne
12. Jonathan WilsonWaters Down
13. Jenny HvalFemale Vampire
14. Nick Cave & The Bad SeedsPush The Sky Away
15. DestroyerChinatown
16. Jamie WoonNight Air
17. College & Electric YouthA Real Hero
18. Sufjan StevensTonya Harding
19. Cecilia KrullMy Life Is Going On
20. La Casa de PapelBella Ciao


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Domingos Amaral – Enquanto Salazar Dormia




Com oitenta e cinco anos de idade, Jack Gil, espião britânico em Portugal durante a segunda guerra mundial, recorda as suas aventuras naquele período, numa Lisboa que vivia a Guerra de uma forma diferente, num autêntico ninho de espiões e contra-espiões.

No entanto, mais do que um relato dos problemas políticos da época, é um reviver de memórias pessoais e românticas. O rumo da narrativa é mais “as mulheres de Jack” do que “Jack, o espião”. Quer dizer, estamos perante uma espécie de James Bond para quem as bond girls são mais importantes do que as suas funções como espião.

Não se trata de uma obra literária de grande fôlego; as personagens são caracterizadas de forma algo superficial e o enredo é algo previsível. Mas há outros aspetos que me fazem recomendar este livro.

Em primeiro lugar, é uma leitura fácil e divertida. A emoção não falta, os diálogos são simples e diretos, não há descrições nem reflexões enfadonhas. É uma leitura que prende o leitor pela emoção e suspense.

Em segundo lugar (e este é o aspecto que considero mais importante), é um romance bastante pedagógico porque desfaz alguns mitos muito arreigados na mente simplista de muita gente: tal como a revista Visão explicava há pouco tempo, Salazar não teve grande mérito na famigerada neutralidade portuguesa durante a Segunda Guerra Mundial. Salazar manteve Portugal fora da Guerra porque, na verdade, a Inglaterra nunca teve qualquer interesse na nossa participação porque não estava interessada em criar mais uma frente de combate. Por outro lado, foi Hitler que nunca quis invadir a Península Ibérica por considerar Portugal e Espanha países amigos.

Este livro mostra-nos bem que essa neutralidade nunca existiu: o Portugal de Salazar colaborou claramente com a Alemanha de Hitler, quer através do fornecimento de volfrâmio para o armamento alemão, quer pelo apoio ou pelo menos o “fechar os olhos” a combates aéreos que se deram em território nacional, a ataques sistemáticos dos submarinos alemães a navios aliados em águas portuguesas ou a perseguições a refugiados por parte dos espiões alemães.

Em suma, estamos perante um livro que merece ser lido pela leveza com que aborda o assunto mas também pela informação que podemos retirar do livro sobre este período tão controverso da história contemporânea portuguesa.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Sons de Verão


1. Marlon Williams & Aldous Harding - Nobody Gets What They Want Anymore
2. Cigarettes After Sex - Crush
3. First Aid Kit - Rebel Heart
4. Ty Segall - My Lady’s On Fire
5. Unknown Mortal Orchestra - Everyone Acts Crazy Nowadays
6. Courtney Barnett - Need A Little Time
7. Protomartyr (Ft. Kelley Deal) - Wheel Of Fortune
8. Beach House - Black Car
9. The Kills - List Of Demands (Reparations)
10. Lower Dens - Hand Of God
11. Simian Mobile Disco - Hey Sister
12. Chvrches (Ft. Matt Berninger) - My Enemy
13. Gulp - Morning Velvet Sky
14. Young Fathers - Toy
15. Superorganism - Everybody Wants To Be Famous
16. Adrianne Lenker - Symbol
17. Spiritualized - Here It Comes (The Road) Let’s Go
18. Christine And The Queens (Ft. Dâm-Funk) - Girlfriend
19. Haley Heynderickx - The Bug Collector
20. Father John Misty - God’s Favorite Customer


sexta-feira, 6 de julho de 2018

domingo, 17 de junho de 2018

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Torres – Three Futures



Não será fácil juntar canções tão ecléticas quanto aquelas que Torres selecionou para este terceiro álbum, Three Futures, quando tudo gira em torno de uma voz tão vincada… mas a norte-americana fá-lo com distinção. Afastada das guitarras ásperas e ambientes tendencionalmente lo-fi do antecessor Sprinter, pega numa paleta onde permanecem os tons do rock que sempre abraçou mas na qual inclui novas cores, mais garridas e de hoje. A espiral sintetizada do magistral «Helen in the Woods» rouba o protagonismo num disco que ainda nos oferece, sempre com uma certa dose de violência latente, a passada sombria de «Tongue Slap Your Brains Out», a intimidade de «Skim» e «Three Futures», as picadas eletrónicas de «Bad Baby Pie» e «To Be Given a Body» e a assertividade de «Righteous Woman».


quarta-feira, 23 de maio de 2018

RIP Philip Roth (1933-2018)

 


Ontem faleceu um dos meus escritores contemporâneos favoritos, Philip Roth (outros são, por exemplo, o também norte-americano Paul Auster, os britânicos David Lodge e Ian McEwan e o japonês Haruki Murakami).

Philip Roth morreu aos 85 anos, publicou mais de 30 obras, a maioria publicada em Portugal, sendo os temas recorrentes essencialmente a cultura na América, o sexo, o anti-semitismo, a morte e a luxúria. A título de exemplo, AQUI podem ler a minha opinião sobre três das suas obras.


segunda-feira, 30 de abril de 2018

Enigmas Matemáticos

A Matemática é um desafio aliciante para uns e uma grande dor de cabeça para outros, mas poucos lhe ficam indiferentes - até porque não dá para fugir dela na escola. Nos dois enigmas que apresento abaixo é só fazer contas e juntar alguma perspicácia.
Não custa nada tentar, pois as contas de somar que surgem nestes problemas, aparentemente erradas, têm uma lógica. No primeiro enigma devemos procurar uma explicação lógica para as diversas "igualdades" e no segundo desafio encontrar o valor em falta.

Para mais enigmas é só abrir o ficheiro ao lado intitulado "Quebra-Cabeças (nº 8)", que contém mais de 250 problemas matemáticos.


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Julien Baker – Turn Out The Lights




O segundo disco de Julien Baker assume a sua missão de diário confessional. Não de uma artista jovem, que o é, mas sim de uma artista madura. Tal como aconteceu em Sprained Ankle, usa as canções de Turn Out The Lights para fazer um retrato de si mesma. Um retrato duro e auto depreciativo. Ao piano ou à guitarra, com a ajuda ocasional de sopros ou cordas, Baker apresenta um conjunto de baladas onde expõe e expurga os seus fantasmas e receios num disco que transparece como honesto. Entrar aqui é aceitar os termos do contrato; ninguém vem para encontrar um escape, somente para dar de caras com a dura realidade. E no caminho encontrar canções de enorme beleza. Quem entrar depois feche a porta a apague as luzes.



quarta-feira, 25 de abril de 2018

Estupidez Humana

A citação, supostamente de Albert Einstein, “há duas coisas que são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta”, é daquelas expressões que “bombam” nas redes sociais e confere ao autor do post uma espécie de grandeza intelectual e filosófica.

Fico surpreendido com as pessoas que se indignam com a estupidez dos adolescentes, como se a sua estupidez adolescente tivesse sido imaculada. Ainda mais surpreendido fico com quem se admira que os adolescentes, na sua estupidez inescapável, mas de expressão contemporânea, gravem e partilhem publicamente os exercícios imberbes a que naturalmente se dedicam.

Os indignados são provavelmente os mesmos pais que mostram online os seus filhos – de cara destapada -, praticamente desde que nascem. E são os mesmos pais que expõem diariamente a sua banal intimidade nas redes sociais. Dão um mau exemplo e estabelecem as regras para uma nova e estranha normalidade, em que não há qualquer problema na exibição pública do que devia ficar sempre na esfera privada. Ao menos para ensinar aos filhos que a estupidez na net é eterna.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Lana Del Rey – Lust For Life




Lana Del Rey tem apurado o seu estilo de pop cinemática, conduzido pela sua voz de contralto melancólico, qual máquina do tempo que nos transporta para a altura em que os homens faziam serenatas à janela da mulher desejada e para os tempos onde a criança se divertia na rua e só era chamada para casa à hora do Jantar.

Desde Honeymoon que Del Rey arranja a caminha perfeita para a sua voz. Não há rasgos de guitarra, baixos a bombar ou instrumentação grandiosa; só uma música de cariz retro qb, com arranjos de piano e eletrónica sofisticada.

Com a mesma honestidade com que no passado escreveu sobre sexo desenfreado, drogas, álcool e várias formas de dor autoinfligida, Del Rey em Lust For Life, disco lançado em 2017, mostra-se apaziguada com as agruras da vida, como as traições - «In My Feelings», uma das melhores canções do disco, é aparentemente dedicada a um desgosto amoroso com o rapper G-Easy. «White Mustang» e «Groupie Love» são mais duas canções dolentes que serpenteiam num deserto de amor não correspondido. Da nova colaboração com A$AP Rocky e Playboi Carti surge outra canção para degustar ao entardecer com o pé na água salgada, «Summer Bummer», e os duetos com Stevie Nicks, The Weeknd e Sean Lennon são escolhidos a dedo. Lust For Life tem poucas falhas e «Love» é a introdução perfeita para um disco esperançoso, seguro, onde Del Rey celebra a força da juventude de hoje, com o romantismo de outros tempos – flores no cabelo, vestidos curtos e Fords descapotáveis dos anos 50.

A música de Del Rey reflete sobre as experiências dos jovens da sua geração (e dela própria) e, estilisticamente, apela à nostalgia pelo passado de uma América idealizada.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

domingo, 25 de março de 2018

Sons da Primavera


1. Jonathan Wilson - Loving You
2. Wolf Alice - Sadboy
3. Belle and Sebastian - We Were Beautiful
4. Wooden Shjips - Staring At The Sun
5. First Aid Kit - Fireworks
6. Shame - Angie
7. Car Seat Headrest - Beach Life-In-Death
8. Sunflower Bean - Twentytwo
9. MGMT - When You Die
10. Neko Case - Halls Of Sarah
11. Marlon Williams - Come To Me
12. The Breeders - MetaGoth
13. N.E.R.D. - Deep Down Body Thurst
14. Sufjan Stevens - Mystery of Love
15. Sharon Van Etten - Do You Realize?
16. Toy - You Make Me Forget Myself
17. Jack White - Connected by Love
18. Anna Burch - 2 Cool 2 Care
19. Andra Day (Ft. Common) - Stand Up For Something
20. Oneohtrix Point Never (Ft. Iggy Pop) - The Pure And The Damned


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Leituras do Mês


- David LagercrantzA Rapariga Apanhada Na teia De Aranha
- Zoran ZivkovicO Último Livro
- Colleen McCulloughAgridoce
- Umberto EcoA Vertigem Das Listas
- Yuval Noah HarariSapiens – De Animais A Deuses – História Breve Da Humanidade

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

As Minhas Melhores Leituras de 2017


1. Ana Margarida de Carvalho – Não Se Pode Morar Nos Olhos De Um Gato
2. George Saunders – Lincoln No Bardo
3. Alberto Manguel – A Biblioteca À Noite
4. Charles Dickens – História Em Duas Cidades
5. Ildefonso Falcones – Os Herdeiros Da Terra
6. Jean-Paul Didierlaurent – O Leitor Do Comboio
7. Elena Ferrante – Crónicas Do Mal De Amor
8. Paul Theroux – Mão Morta
9. W.G. Sebald – Austerlitz
10. Charles Dickens – Os Cadernos De Pickwick
11. Kazuo Ishiguro – O Gigante Enterrado
12. Marc Rousins – Biografia Do Filme

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Os Melhores Discos do Ano 2017


Existem discos que nos dizem coisas sobre o mundo, discos que nos põem a dançar no mundo de formas que nem julgávamos possíveis, discos que nos explicam, ponto por ponto, que raio andamos aqui a fazer neste tal mundo, discos que nos deixam intrigados e fascinados e assombrados. Eis os discos que mais me assoberbaram em 2017.


- Wolf AliceVisions Of A Life
- Aldous HardingParty
- The NationalSleep Well Beast
- The XXI See You
- LCD Soundsystem American Dream
- Cigarettes After SexCigarettes After Sex
- Circuit Des YeuxReaching For Indigo
- The HorrorsV
- Courtney Barnett & Kurt VileLotta Sea Lice
- ∆ (alt-j)Relaxer
- Nadia ReidPreservation
- Thurston MooreRock N Consciousness
- Broken Social SceneHug Of Thunder
- Arcade FireEverything Now
- Father John MistyPure Comedy
- Fever RayPlunge
- The War On DrugsA Deeper Understanding
- Julie ByrneNot Even Happiness
- Mark Lanegan BandGargoyle
- AlvvaysAntisocialites

domingo, 5 de novembro de 2017

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Sons de Outono


1. Portugal. The ManFeel It Still
2. The XXLips
3. Laura MarlingNothing Not Nearly
4. MGMTLittle Dark Age
5. Father John MistySo I'm Growing Old On Magic Mountain
6. Marika HackmanBoyfriend
7. Cigarettes After SexOpera House
8. SuperorganismSomething For Your M.I.N.D.
9. Mark LaneganEmperor
10. Courtney Barnett & Kurt VileFear Is Like A Forest
11. Young FathersOnly God Knows
12. Noel Gallagher's High Flying BirdsIt’s A Beautiful World
13. GoldfrappAnymore
14. The War On DrugsThinking Of A Place
15. LCD SoundsystemCall The Police
16. ∆ (alt-j) 3WW
17. Sampha(No One Knows Me) Like The Piano
18. Palo WavesThere’s A Honey
19. Zola JesusSea Talk
20. JungleBusy Earnin'


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Circuit Des Yeux – Reaching For Indigo

Haley Fohr, que assina já o quarto álbum como Circuit Des Yeux, nesta preciosidade chamada "Reaching For Indigo" apresenta uma imponente voz grave associada a uma impressionante exploração sonora, feita de manipulação de sons de proveniência diversa. Esta singer-songwriter folk, introspectiva, tem uma voz que parece transformar-se, ora masculina ora feminina, ora calmante ora perturbadora, ora negra ora resplandecente. Este disco é um mistério constante e um arrebatamento. Excelente.

domingo, 15 de outubro de 2017

Jay-Jay Johanson (Theatro Circo, 14 de Outubro)

O sueco Jay-Jay Johanson anda a festejar os 20 anos decorridos desde a sua estreia com o inebriante álbum “Whiskey”. Assim, não é de estranhar que na setlist deste espectáculo tenham prevalecido os temas deste disco, iniciando o alinhamento precisamente com “It Hurts Me So”, “So Tell The Girls That I’m Back In Town”, “The Girl I Love Is Gone”, “I Fantasize Of You” e a delicada “I’m Older Now”, que começou com Jay-Jay a cantar à capella, enquanto o público ouvia com um silêncio respeitoso. Fazendo acompanhar-se pelo baterista e teclista habituais, tendo-se este último, Erik Jansson, ouvido nos coros em “Mana Mana Mana Mana”. As versões soaram exactamente iguais aos originais: não houve qualquer tentativa de actualização. Passados 20 anos, este anti-herói romântico ainda mantém a elegância e a delicadeza na sua música, misturando batidas soturnas, sonoridades jazzy e uma voz suave.


Durante uma hora e quarenta e cinco minutos e mais de duas dezenas de temas, em formato best of e sempre acompanhados por um filme-concerto (sem qualquer sequência lógica com o que estava a ser cantado!), Jay-Jay com o seu timbre tão característico, manteve toda a essência da sua música: uma facilidade inata para as melodias e uma voz e ritmos que elevam as suas canções do subtil ao sublime. As suas oscilações entre o trip-hop e a electrónica, entre o jazz e a pop possibilitaram incursões por quase todos os seus 11 álbuns. Do mais recente, “Bury The Hatchet” ouviram-se “Paranoid”, “Bury The Hatchet” e a belíssima “You’ll Miss Me When I’m Gone”. Para deixar brilhar os dois companheiros, o cantor escondeu-se muitas vezes na sombra enquanto bebericava um copo de whisky.


A inconfundível voz de crooner de Jay-Jay Johanson fez-se ouvir em “Believe in Us”, “Far Away”, “She’s Mine But I’m Not Hers”, “Tomorrow”, “Milan, Madrid, Chicago, Paris”, “Dilemma”, “She Doesn’t Live Here Anymore”, “On The Other Side”, música que nasceu em Portugal, escrita durante um soundcheck de um concerto no nosso país, e “I Love Him So”. Esta última faixa nasceu da circunstância de o filho de Jay-Jay ter sido operado quando tinha apenas um ano de idade. Enquanto o filho estava deitado na mesa de operações, na sala de espera Jay-Jay escrevinhava furiosamente no bloco de notas as bases para esta canção. Johanson afirma que todas as suas composições partem de acontecimentos da sua vida – a sua maior fonte de inspiração é o seu diário.


O artista nórdico revelou-se um pouco repetitivo na forma como interpretou os temas, por vezes sugerindo alguma timidez, mas manteve sempre uma postura simpática, terminando os temas com um sonoro “Thank You”. Beneficiou de uma sala completamente esgotada e de um público entusiasta, a quem não foi preciso dizer duas vezes que o rapaz estava de volta à cidade, e que se encontrou em perfeita sintonia com o artista mostrando isso mesmo durante as pausas entre as canções e no final “obrigando” Jay-Jay Johanson a um encore, que arrancou com ele sozinho em palco, passando depois a estar acompanhado só pelo teclista e por fim com a totalidade do trio de volta no empolgante e intenso “Rocks In Pockets”, do álbum de 2007 “The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known”, que culminou com Jay-Jay e Erik Jansson nas teclas, num dueto frenético.

Quando tudo acabou, não faltaram high fives e abraços pois o sueco desceu do palco e veio cumprimentar e agradecer a todos aqueles que se encontravam na primeira fila e que o receberam de forma calorosa e simpática. Nós é que agradecemos, Mr. Johanson.

sábado, 7 de outubro de 2017

Leituras de Outono


- Jean-Paul Didierlaurent - O Leitor Do Comboio
- Kazuo Ishiguro - Quando Éramos Órfãos
- Ana Margarida de Carvalho - Não Se Pode Morar Nos Olhos De Um Gato
- Ildefonso Falcones - Os herdeiros Da Terra
- Stephen King - Sr. Mercedes

domingo, 1 de outubro de 2017

sábado, 16 de setembro de 2017

Philip Roth - Pastoral Americana


Este livro aborda sentimentos contraditórios sobre a América: o orgulho de ser americano e o ódio pelo que a América representa (decadência). A América como terra das oportunidades e como símbolo supremo do mal, uma existência em dois pólos antagónicos que Roth reproduz na perfeição.

O homem comum. Os seus sonhos normais. O desejo de ser feliz, de viver uma vida pacata e envelhecer junto daqueles que mais ama. Philip Roth não escreve sobre homens excepcionais, prefere expor as excepcionais vidas dos homens banais, as suas frustrações, medos e ridículos. Mas em “Pastoral Americana” Roth vai mais longe: constrói o paradigma do sonho americano – um belo atleta, Seymour Levov, louro (“Sueco”) abastado, objecto de uma adulação total, acrítica e idólatra, casado com uma ex-miss New Jersey, Dawn – apenas para o destruir. Uma destruição repentina e gratuita, como costumam ser os acontecimentos que mudam vidas.

O narrador Nathan Zuckerman que emerge na (curtíssima) primeira parte do livro esconde-se na segunda, deixa que a figura de Levov ocupe o palco, e com ele toda uma geração que entrou em colapso a partir dos anos 60. Porque também se fala disso. Da revolução sexual que se transformou em revolução de costumes, e dos valores que foram substituídos na passagem de geração. E do Viename, sempre o Vietname…

Os problemas da família perfeita de Seymour Levov, a quem “um dia a vida começou a rir-se dele e nunca mais parou”, começam com a gaguez da filha, Merry, que surge inexplicavelmente como uma premonição. Levov teme que aquele problema seja um reflexo de algo de errado que se passa com a sua filha, mas pouco consegue fazer para ajudá-la. Os seus sentimentos de culpa aumentam quando, num momento algo irracional, decide ceder aos pedidos da filha para a beijar na boca. Aquele instante é vivido por Levov como um incesto, um quebrar de regras que potencialmente terá aberto as portas à loucura futura.

Merry, que se considera “a mais feia filha jamais nascida de pais atraentes”, frustrada com a gaguez, por se sentir aquém das expectativas dos pais, à medida que vai crescendo começa a desenvolver uma obsessão por questões políticas, mais especificamente pela Guerra do Vietname. Esse sentimento transforma-se rapidamente num repúdio do estilo de vida americano, contra todo o modelo de vida capitalista, contra a pastoral burguesa. Em causa estava, por exemplo, a procura de mão-de-obra barata. A crise económica, da qual a ruína da indústria das luvas é um símbolo, vai dando lugar à crise social. Multiplicam-se os movimentos de contestação e os atentados. O livro de Roth torna-se premonitório em relação à América actual. Levov assiste passivo à perda da sua filha, sem a conseguir controlar, temendo que o pior possa acontecer. E acontece.

Uma bomba explode perto da casa dos Levov matando uma pessoa. De uma idealista radical, Merry, para quem “a vida é apenas um curto período de tempo em que estamos vivos”, passa a criminosa procurada. A vida dos Levov é estilhaçada pela bomba, com o Sueco a passar dias e dias a tentar perceber o que correu mal. “Porquê? O que fiz eu para a minha filha se tornar numa assassina?” pergunta Levov, enquanto a sua mulher se afunda numa depressão e a filha se mantém em fuga. A incompreensão do sueco Levov perante os actos de Merry é um espelho da atitude da América em relação a si própria.


American Pastoral
(“Uma História Americana”), de 2016, é o primeiro filme realizado por Ewan McGregor, que partilha o protagonismo com Jennifer Connelly e Dakota Fanning. Compõem a família Levov, que se desmorona quando a filha se une a grupos radicais nos Estados Unidos que protestam de forma violenta contra a Guerra do Vietname. Aqui, a transformação da sociedade americana nos anos 1960 carece de alguma força dramática presente no livro de mais de 400 páginas. No entanto, trata-se de um filme com alguma actualidade política, pois deparamo-nos com uma América de identidade dolorosamente estraçalhada, com as suas gerações separadas de modo radical. São temas e sinais com 50 anos, mas interiores ao nosso presente. 

Como curiosidade cá vai um erro que detectei no minuto 37 da película, digno de pertencer ao sempre interessante site moviemistakes.com, quando durante uma conversa entre Merry e o seu pai, numa mudança de plano, a capa de um LP (ao centro) passa inexplicavelmente a contra-capa e desaparece o disco que estava à sua frente…



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Cinema do Mundo

Eis mais 5 filmes imperdíveis que exploram a complexidade humana, provenientes de várias partes do mundo (mas não de Hollywood...):


En Man Som Heter Ove (Um Homem Chamado Ove), de Hannes Holm – Suécia (2015)

Este filme cómico e simultaneamente triste é baseado na obra de Fredrik Backman e foi uma agradável surpresa. Ove, um velho rezingão que nunca dá o braço a torcer e que tem que ter sempre a última palavra, parece ser o homem mais rabugento e amargurado do mundo, especialmente depois da perda da esposa, que ele adorava e que conheceu quando ela lia “O Mestre e a Margarida” de Bulgakov, numa viagem de comboio, e depois de ser despedido. Sem qualquer objectivo de vida planeia juntar-se à mulher mas vê-se obrigado a adiar o seu fim para ajudar a resolver, muito contrariado, uma série de situações provocadas pela vizinhança. No final acaba por ser acarinhado pelo grupo improvável de personagens que vai reunindo à sua volta (contrariado, claro) e por isso esta história fala-nos de amizades inesperadas e do impacto profundo que podemos ter na vida dos outros. Não aconselhado a quem não possuir um Saab! (Ah e se possuir um Audi é favor não esquecer que tem 5 zeros: 4 à frente e um ao volante…).




Toni Erdmann, de Maren Ade – Roménia, Áustria, Alemanha, Suíça (2016)

Filme dramático com tons de comédia, sobre o sentido da vida, com uma história a centrar-se na relação entre um pai sexagenário e uma filha (Sandra Hüller com uma brilhante interpretação), ele professor de música e ela uma empresária a trabalhar numa multinacional em Bucareste. Após a morte do seu cão, o pai, Winfried, decide deslocar-se à Roménia mas o primeiro contacto com a filha foi desastroso. Assim decide inventar um estranho alter ego - Toni Erdmann - numa tentativa de se aproximar da filha e reatar laços familiares, acabando por provocar um confronto geracional ao lhe tentar demonstrar os verdadeiros valores da vida. Ao longo do filme, que ultrapassa as duas horas e meia (mas ouve-se “Greatest Love Of All” de Whitney Houston e assiste-se a uma naked party!) também é feito um retrato satírico da sociedade capitalista, cada vez menos humanista e mais desrespeitadora da identidade individual. O que é a felicidade?




Forushande (O Vendedor), de Asghar Farhadi – Irão, França (2016)

Um casal de actores (Ranaa e Emad) que são protagonistas de uma produção local da emblemática peça "A Morte de um Caixeiro Viajante", escrita por Arthur Miller em 1949 e premiada com o prémio Pulitzer, vê a sua vida íntima ser perturbada quando se mudam para uma casa que terá pertencido a uma prostituta. A história vai-se desenrolando lentamente no ambiente claustrofóbico de um bairro de Teerão e ganha intensidade dramática gradualmente, culminando numa situação de enorme tensão, onde o dilema vingança / perdão tem de ser enfrentado, isto após o membro feminino ter sido vítima de uma violação por parte de um estranho. Shahab Hosseini é soberbo a desempenhar o marido no ajuste de contas com o criminoso: alguém focado, assertivo, calmo, sem deixar escapatória ao outro que gere muito bem a sua surpresa, indignação e horror. A vingança é um prato que se serve frio e sem gritos, com um auto-controlo magistral. Adorei aquela tensão final, feita de muita inteligência emocional, quando os personagens são confrontados com escolhas difíceis, em que as mais profundas convicções são postas à prova. O jovem casal "envelheceu" com o perdão. A vida fez justiça.




Tanna, de Martin Butler e Bentley Dean – Austrália (2015)

Este filme foi gravado na ilha de Tanna, em Vanuatu, um pequeno país insular da Oceania e os seus actores são todos habitantes nativos da ilha sem qualquer experiência anterior e falam no filme a linguagem local, o idioma Nauvhal. A história é baseada num acontecimento real: o amor proibido entre Wawa e Dain (pertencentes à tribo Yakel) na década de 80. A narrativa desenvolve-se sob o ponto de vista de Selin, a irmã mais nova de Wawa, uma criança encantadora. Historicamente, na luta pela sobrevivência, a tribo Yakel travou lutas sangrentas com outra tribo, a Imedin e, na iminência de um novo conflito, Wawa, é prometida como noiva ao filho do líder da tribo Imedin para que houvesse paz. O problema é que ela está apaixonada por Dain, neto do líder da sua tribo (aqui é impossível não nos recordarmos de Romeu e Julieta!). Desesperados, os jovens apaixonados têm de decidir entre fugir e ser felizes juntos ou zelar pelo futuro da sua tribo. Esta escolha pareceu-me demasiado previsível…




I, Daniel Blake, de Ken Loach – Inglaterra, França, Bélgica (2016)

Este filme obriga-nos a reflectir sobre o mundo em que vivemos, que permitiu a ascensão de um modelo socialmente imoral e canibalizador da dignidade humana e a existência de um Estado que, indolentemente, se arrasta pela sua indiferença, ineficácia e desumanização. Daniel Blake (Dave Johns ) é um viúvo solitário sem filhos pertencente à classe operária de Newcastle. Tem 59 anos, mas ainda está completamente apto para trabalhar. Infelizmente para ele, logo após a morte da esposa, sofreu um ataque cardíaco que o impede de retomar o trabalho. Para usufruir de benefícios sociais tem de se dirigir ao equivalente inglês da nossa Segurança Social e mendigar a pensão de invalidez a que tem direito. Só que tudo funciona através de call-centers e de formulários online, uma espécie de processo Kafkiano da burocracia. E Daniel nunca tocou num computador… Pior, se não responder da forma que os seus interlocutores estão à espera, penalizam-no retirando parte do subsídio. Ninguém o ajuda, o tempo vai passando e ele desespera… Numa das estações desse calvário, Daniel apercebe-se duma família igualmente em dificuldades. Uma mulher com cerca de trinta anos, com dois filhos, não tem dinheiro nem condições para viver. A partir daquele momento, o carpinteiro desdobra-se. Por um lado, continua o seu martírio junto da Segurança Social, por outro, dedica-se a ajudar os membros desta família, reparando a casa onde sobrevivem, comprando-lhes alguma comida, acompanhando a mãe às filas de beneficência alimentar. Fá-lo sem outro interesse que não seja o de ajudar. Mas o desespero dela e a falta de paciência dele acabam por se impor de forma dramática… Em última análise este filme, que deveria ser obrigatório para qualquer político ou aspirante a político, acaba por explicar o Brexit, pois os problemas retratados oferecem uma justificação para que a população mais idosa do Reino Unido tenha tido um peso fundamental na escolha pela saída da União Europeia.

sábado, 26 de agosto de 2017

Vilar de Mouros, 24 de Agosto de 2017


Jesus & Mary Chain, The Mission, Primal Scream e Young Gods permitiram recuperar algumas das minhas melhores memórias musicais das décadas de 1980 e 1990. Bandas que marcaram uma era e uma geração, prolongando o estatuto de referência ao longo de mais de 30 anos. Apesar dos rostos mais enrugados e dos cabelos mais grisalhos dos intérpretes, há músicas que, mesmo tocadas mil e uma vezes, durante longos, longos anos, continuam a soar a novo.

Esta viagem no tempo começou com os The Veils, a quem foi conferida a missão de começar a aquecer o ambiente. O sol ainda não se tinha posto por completo e durante cerca de 50 minutos ouviram-se os melhores temas desta simpática banda londrina incluindo o maior sucesso da banda, “The Leavers Dance”, do seu álbum de estreia lançado em 2004, “The Runaway Found”.

De seguida, os suiços The Young Gods, liderados pelo extravagante Franz Treichler, entraram no seu túnel de rugosidade e aceleração e criaram uma onda sonora explosiva, com temas como “Skinflowers” e “Kissing The Sun”, afirmando todas as qualidades do seu projecto de rock industrial e avant-garde.



A paz regressou de seguida com as baladas dos ingleses The Mission, membros destacados do rock gótico, com um público já trajado a rigor. O vocalista Wayne Hussey, por viver em S. Paulo há vários anos, mostrou dominar a língua portuguesa e ter abandonado os tempos de negrume e introspecção (até ofereceu rosas ao público!). Proporcionaram um excelente concerto num formato “best of” onde não faltaram os temas “Severina”, “Wasteland”, “Deliverance”, “Butterfly On A Wheel”, “Tower Of Strength” e “Like a Child Again”.

Igualmente menos sorumbáticos e muitíssimo mais festivaleiros, com um espírito quase juvenil, os The Jesus & Mary Chain proporcionaram um episódio de nostalgia pura durante cerca de 90 minutos, incluindo “April Skies”, “Head On”, “Some Candy Talking” e “Happy When It Rains”.


E como foi tão bom (re)ver Bobby Gillespie a acompanhar, à bateria, os irmãos Reid na interpretação das três derradeiras músicas (“Just Like Honey”, “The Living” e “Never Understand”) de um concerto que fechou ao som das melhores e imortais canções do ainda tão jovial álbum “Psycho Candy” dado a conhecer em 1985.

Bobby Gillespie, liderou os Primal Scream num concerto propositadamente desenhado para deixar a multidão em êxtase, numa visita guiada aos seus melhores álbuns (só de "Screamadelica" de 1991 ouviram-se, por exemplo, “Come Together”, “Loaded” e “Moving On Up”). Que noite memorável (e com direito de antena na SIC!).

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Passadiços do Paiva (Arouca)

Finalmente tive oportunidade de caminhar pelos Passadiços do Paiva, no concelho de Arouca, distrito de Aveiro. Localizam-se na margem esquerda do Rio Paiva, são 8 km que proporcionam um passeio "intocado", rodeado de paisagens de beleza ímpar, num autêntico santuário natural, junto a descidas de águas bravas, cristais de quartzo e espécies em extinção na Europa. O percurso estende-se entre as praias fluviais do Areinho e de Espiunca, encontrando-se, entre as duas, a praia do Vau. Uma viagem pela biologia, geologia e arqueologia que ficará, com certeza, no coração, na alma e na mente de qualquer apaixonado pela natureza. Excelente!











(Fotos: Sony Cyber-Shot DSC-P200) 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

domingo, 16 de julho de 2017

O Reinado Prossegue…


O melhor tenista de todos os tempos continua a fazer história. Apesar dos seus quase 36 anos anos, Roger Federer parece ser um atleta sobrenatural. Depois de na época passada ter sido eliminado nas meias-finais por Milos Raonic e praticamente ter terminado aí a sua época, poucos acreditariam que, em 2017, Federer voltaria a dominar o circuito e que poderá terminar o ano como número um mundial.

Este domingo dominou completamente a final de Wimbledon e conseguiu obter o título sem ter cedido qualquer set ao longo da quinzena. Impressionante!

A lista de recordes de Federer é enorme, já aqui falei dela, mas recordo os principais feitos deste atleta cujos gostos musicais passam por AC/DC, Metallica e Lenny Kravitz:

- 19 títulos do Grand Slam
- 29 finais do Grand Slam
- 42 meias-finais do Grand Slam
- 23 meias-finais seguidas no Grand Slam
- 50 quartos de final no Grand Slam
- 36 quartos de final seguidos no Grand Slam
- 321 encontros ganhos no Grand Slam
- 93 títulos na carreira
- 24 títulos seguidos em finais ATP
- 302 semanas como número um do ranking ATP
- 237 semanas seguidas como número um
- 65 encontros seguidos a ganhar em relva
- 0 sets perdidos em Wimbledon ‘2017 e Australia ’2017

Roger dixit:

"O segredo está em acreditar sempre em mim."

"Estar a cem por cento fisicamente é imprescindível."


segunda-feira, 10 de julho de 2017

O Leão, o Velho e a Loira

O dono de um circo colocou um anúncio à procura de um domador de leões. Apareceram 2 pessoas: um senhor de boa aparência, aposentado, 70 anos, e uma loira de 25 anos.
O dono do circo fala com os 2 candidatos e diz:
- Eu vou directo ao assunto. O meu leão é extremamente feroz e matou os meus dois últimos domadores. Ou vocês são realmente bons, ou não vão durar 1 minuto! Aqui está o equipamento - banquinho, chicote e pistola. Quem quer entrar primeiro?
Diz a loura:
- Vou eu!
Ela ignora o banquinho, o chicote e a pistola e entra rapidamente na jaula.
O leão ruge e começa a correr na direcção dela. Quando falta um metro para ser alcançada, a loura abre o vestido e fica toda nua, mostrando todo o esplendor do seu corpo.
O leão pára como se tivesse sido fulminado por um raio!
Ele deita-se na frente da loura e começa a lamber-lhe os pés!
Pouco a pouco, vai subindo e lambe o corpo inteiro da loura durante minutos!
O dono do circo, com o queixo caído até ao chão diz:
- Eu nunca vi nada assim na minha vida!
Vira-se para o senhor aposentado e pergunta:
- Você consegue fazer a mesma coisa?
E o velhinho responde:
- Claro! É só tirar de lá o leão...

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Sons de Verão


1. Emily Haines & The Soft Skeleton Fatal Gift
2. AsgeirAfterglow
3. ChromaticsShadow
4. TrickyThe Only Way
5. Ariel PinkAnother Weekend
6. Lykke LiUnchained Melody
7. PhotomartyrA Private Understanding
8. Broken Social SceneHug Of Thunder
9. The HorrorsMachine
10. Courage My LoveAnimal Heart
11. King Gizzard & The Lizard WizardThe Lord Of Lightning vs Balrog
12. Moses SumneyDoomed
13. Angus & Julia StoneSnow
14. Manchester OrchestraThe Alien
15. St. VicentNew York
16. Kele OkerekeStreets Been Talkin'
17. Beach HouseChariot
18. Jen CloherRegional Echo
19. RadioheadI Promise
20. Arcade FireCreature Confort

domingo, 2 de julho de 2017

Leituras de Verão


- W.G. Sebald - Austerlitz
- Ramon Gener - Se Beethoven Pudesse Ouvir-me
- Ana Margarida de Carvalho - Que Importa A Fúria Do Mar
- Adrian Goldsworthy - António E Cleópatra
- Michael Farquhar - As Vidas Secretas Dos Czares
- Peter Mendelsund - O Que Vemos Quando Lemos

sábado, 24 de junho de 2017

3 Álbuns Deslumbrantes!

Para quem adora música é um enorme prazer descobrir discos que sabemos que nos vão acompanhar por muito tempo. Discos com canções bem desenhadas, vozes formosas e seguras e com universos próprios e bem esculpidos. Discos complexos mas limpos, cristalinos mas densos.

Editados em 2017, são segundos álbuns de vozes femininas que fazem lembrar, por exemplo, Angel Olsen, Lisa Germano, Gillian Welch, Laura Marling ou Joanna Newsom, em que a intensidade dos temas desafia as influências óbvias.

São discos não aconselhados a quem ouve música a retalho na net e com o som comprimido, sem conhecimento do que foi sentido e pensado pelo artista.


Aldous Harding – Party

Esta neozelandesa, nascida Hannah Topp, em “Party” (editado pela 4AD e produzido por John Parish, colaborador de PJ Harvey) tem o dom de fazer a realidade parecer uma coisa muito frágil (“Blend”), por vezes penetrando numa escuridão convidativa e cativante (“The World Is Looking For You” e “Party”), invocando uma dor profunda (“Horizon”, recentemente apresentada de forma magistral no Later with… Jools Holland, da BBC 2) e um vício (“I’m So Sorry”), alternando o humor e as vozes sem esforço (“What If Birds Aren't Singing They're Screaming” e “Living The Classics”) e construindo assim uma obra surpreendente.



Julie Byrne – Not Even Happiness

Abençoada com uma voz límpida e profunda, esta norte-americana brilha sem espalhafato ao longo de 9 canções da mais bela e hipnotizante folk, criando momentos sublimes. Os arranjos orquestrais são cuidados, as letras falam de felicidade, mas também de desejo, luta, força, sabedoria, integridade, viagens (“Melting Grid”) e de solidão: “I was made for the green, made to be alone,” canta em “Follow My Voice”. A voz de Julie é de uma delicada entoação. Aconchega-se ao ouvido, cola-se à pele, transmite tranquilidade mesmo quando canta infortúnios. A imagem que fica é de uma mulher intransigente nas suas tentativas de criar uma vida significativa - “I crossed the country and I carried no key” (em “Sleepwalker”).



Nadia Reid – Preservation

Cá está outro disco que mais parece uma daquelas receitas que de tão simples se tornam irresistíveis. Arranjos simples e muito silêncio para deixar a voz respirar. Quase não há ingredientes adicionados para desviar a atenção da voz, das melodias e das palavras. A neozelandesa Nadia Reid apostou em canções de arrepiante personalidade (em “Reach My Destination” canta There were two little words that I used, one was ‘fuck’, the other was ‘you’) onde o protagonismo é dado claramente à sua voz e à sua guitarra. É música simples, como as melhores coisas na vida são. Discos destes fazem crer que este mundo merece ser vivido.

Globalização

Se o Mundo só tivesse 100 pessoas, era tudo mais fácil de compreender. Um número redondo ajuda sempre. Convidei todos para uma festa cá em casa e ficou assim a guest list!

Metade dos 100 convidados são homens e outra metade mulheres. Justo e perfeito! Se a gente não estragar nada, o futuro está assegurado. Tem muito amor para acontecer.

As companhias aéreas seriam muito beneficiadas. Mais de metade [60] vivem na Ásia. Da América do Sul viriam 9, acho que conheço quase todos, das terras do Tio Sam e do Canadá 4, de África 14 e por via terrestre apenas 11 europeus. O Oriente leva muita vantagem. Será que o Mundo vai ser todo chinês?

Mandei 75 convites por telemóvel, mas como só 30 tinham Internet, foi SMS para uns e Whatsapp para outros. Aos restantes 25 enviei carta. Tomara que chegue a tempo; e que a saibam ler.

Os nossos convidados fazem muita coisa diferente. Mas sobretudo vivem vidas muito desiguais. O Mundo não é bom para todos.

Como no género, também se dividem a meio no lugar onde escolheram, ou têm, de viver. 51 em cidades e 49 no campo; e também a meio no dinheiro que têm para gastar. 49 têm menos de dois dólares por dia. 1,77 euros, menos de 8 reais. Ainda assim, 21 são gordos, 15 comem menos do que é preciso e há um que está esfomeado. Vou organizar a ementa do jantar para responder a isso.

Tanta diferença é mais fácil de entender se soubermos como foi a infância de cada um. Embora 83 saibam ler e escrever, 17 não saberiam entender o endereço cá de casa.

Apenas 7 acabaram a universidade, mas nem todos saberiam falar entre eles. A maior diferença nos nossos convidados é a língua. Vejam só: 12 falam chinês, 5 espanhol e outros 5 inglês. Há quatro grupos de 3. Os falantes de português, árabe, hindi e bengali. Dois falam russo, outros dois japonês. Os outros sessenta e três falam cada um a sua língua! Babel! Je comprend rien.

Para fazer a ementa e as mesas tomei em conta a religião. Há 33 cristãos que comem de tudo, 22 muçulmanos que não bebem álcool, 14 hindus que não comem vaca, 7 budistas que são vegetarianos e 12 sem religião nenhuma que se sentam onde quiserem.

No final, quando agradeci por terem vindo, desejei um bom regresso a casa. Mas 23 ainda não foram embora porque não têm um teto para morar.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

11º F

Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho.”

Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos – a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo.”

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego


Muita sorte e felicidade. Desejo que a alegria na vossa vida seja infinita e constante.

Acreditem na vossa força interior, vocês são capazes…

CCB