sexta-feira, 30 de julho de 2021
domingo, 25 de julho de 2021
Sons de Verão
quinta-feira, 24 de junho de 2021
Factos Escondidos da História de Portugal - José Gomes Ferreira
Após a
leitura das 477 páginas desta obra, cheguei à conclusão que o seu ator tortura
os factos históricos, espezinha a verdade, mata a probidade e estrangula a
independência intelectual e principalmente a nossa portugalidade. Pura perda de
tempo, exemplo do que não deve ser uma obra didática e útil para quem quer
aprender algo sobre a História do nosso país.
José Gomes Ferreira não tem qualquer formação em História, assegura que se trata de um livro de política (apesar de na contracapa destacar que “obriga a repensar a História”). Insinua que não estamos a ensinar corretamente a História de Portugal nas nossas escolas alegando que há uma História oficial e outra não oficial e que para ele os historiadores seguem uma “cartilha” oficial.
Trata-se de uma autêntica compilação de pseudo-factos secretos onde demonstra uma ignorância enciclopédica sobre os estudos que são feitos e publicados em Portugal por investigadores, apresenta um conjunto de teorias mirabolantes sem qualquer fundamentação científica, pejado de erros factuais. Não há análise de fontes, recorre a páginas avulsas da internet, cita meia dúzia de livros de autores e tenta adaptar as fontes à sua teoria não mencionando autores mais credíveis que não confirmem a sua tese. O último capítulo do livro, “Só não vemos o que não queremos ver” devia chamar-se “O autor só vê o que quer ver” tal é o número de imprecisões e de ideias feitas sem qualquer fundamentação.
O próprio título do livro é enganador: não apresenta Factos Escondidos da História de Portugal mas apenas factos relativos aos séculos XV e XVI. É errado considerar que em Portugal há uma História oficial: mesmo entre os historiadores há muitas opiniões e versões diferentes. A História não oficial de José Gomes Ferreira é baseada em fontes que não têm qualquer validade ou fundamentação científica. Sobre cartografia apresenta algumas deduções e ideias soltas mas todas as suas ideias não são novas, já foram apresentadas por outros autores. Faz uma escolha muito seletiva da bibliografia: chega a citar um artigo de João Paulo Oliveira e Costa mas não segue as conclusões do autor mas sim as suas próprias conclusões e ignora o resto da bibliografia deste investigador. Baseia-se em indícios, artigos desatualizados (1926 e 1934), introduz factos errados sobre o pau-brasil e a sua origem e apresenta uma mixórdia de temáticas com teorias controversas: Américas, Canadá, Brasil, Austrália, Antártida, Califórnia, Colombo, Fernão de Magalhães, os portugueses em Marrocos, a origem do nome Portugal (atribuída à Ordem dos Templários, quando existe consenso entre os historiadores quanto à sua origem) e os Painéis de S. Vicente.
Existe muita bibliografia que contradiz o autor, alguma até disponível online. Por exemplo, no que diz respeito aos portugueses em Marrocos pode-se ler este artigo de António Dias Farinha AQUI; sobre Cristóvão Colombo, ESTE artigo de Luís Filipe Thomaz (página 483) ou ESTE de Francisco Contente Domingues e sobre os portugueses na Austrália, ESTE de Carlota Simões e Francisco Contente Domingues.
Esta edição só tem explicação por se tratar de uma figura pública. Infelizmente, o mercado literário em Portugal privilegia essencialmente autores que sejam reconhecidos facilmente pelo público (como apresentadores de televisão, atores, participantes em reality shows, jornalistas, desportistas ou familiares de celebridades). Além disso, as editoras tendem a procurar material sensacionalista. O trabalho sério de investigação é muitas vezes preterido por este tipo de publicação.
quarta-feira, 16 de junho de 2021
Wolf Alice – Blue Weekend (2021)
Desde 2015 que os
Wolf Alice têm merecido a minha atenção quando editaram o aclamado álbum My
Love is Cool, confirmada dois anos depois com Visions of a Life, onde a banda
mistura elementos do indie rock com músicas mais introspetivas e calmas, com
faixas mais pesadas e cheias de energia.
Depois de quatro silenciosos anos, acabam de regressar às edições com o ambicioso, potente e excelente Blue Weekend que promete tornar-se épico. O álbum move-se em terrenos familiares, algures entre o rock de feição mais clássica, misturado com elementos shoegaze, riffs de guitarra que, muitas vezes, remetem para o grunge do início dos anos 90, aqui e ali, um pouco de psicadelismo à mistura e uma incorporação bastante acentuada, em certos momentos, de elementos eletrónicos. As letras são reflexivas, discutem como relacionamentos começam e terminam e abordam a pandemia e as crises intermináveis que estamos a viver.
“The Last Man On
Earth”, primeiro single do álbum, tem tudo para ser apenas uma balada, vai-se
lenta e subtilmente metamorfoseando noutra coisa graças ao cunho pessoal dos
Wolf Alice. Se a primeira parte da canção nos dá a voz crua de Ellie Rowsell,
em solitária conversa com o piano, enfatizando-se cada palavra proferida, a
ponte assinala uma viragem inesperada, introduzindo uma mescla de coros épicos
e guitarras psicadélicas da década de 60.
Seja cinema ou sonho (“Lipstick On The Glass” e “Feeling Myself”), dream pop (“Delicious Things” e “No Hard Feeling”) ou riffs distorcidos (“The Beach”), punk (“Play The Greatest Hits” e “Smile”), folk (“Safe From Heartbreak – If You Never Fall In Love”) ou anos 80 (“How Can I Make It OK?”), Blue Weekend soa como um disco de consolidação, com arranjos impecáveis em cada música e que em apenas 40 minutos mostra uma das joias da música inglesa de 2021.
Os Wolf Alice acabam de anunciar a Tour Europeia com passagem por Lisboa a 3 de março de 2022. Os bilhetes já estão à venda...
Wolf Alice Mixtape:
terça-feira, 15 de junho de 2021
David Owen - Na Doença e no Poder
No seu livro de 503 páginas sobre as doenças dos grandes estadistas do
século passado, “Na Doença e no Poder – Os Problemas de Saúde dos Grandes
Estadistas nos Últimos 100 Anos”, David Owen (neurologista e ex-ministro dos
Negócios Estrangeiros Britânico) considera que o que motivou a decisão de
invadir o Iraque, tomada por George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar
durante a célebre cimeira dos Açores em 2003, não foi a existência de armas de
destruição maciça, nem a ambição de controlar o petróleo iraquiano mas sim um
transtorno comum entre os políticos no poder, a síndrome de Hubris.
Esta síndrome, não reconhecida pela Medicina, equivaleria a uma “embriaguez
de poder” caracterizada pela perda do sentido da realidade, soberba, presunção,
persistência perversa em políticas que não funcionam e desrespeito pelos
conselhos daqueles que os rodeiam. Os “pacientes” quando as decisões se revelam
erradas, nunca reconhecem o equívoco e continuam convencidos que tomaram a
decisão certa.
A sua dimensão é catastrófica quando se manifesta num pequeno grupo,
fechado sobre si próprio, que desconsidera as pessoas e as instituições que
promovem ideias contrárias, rejeitando-as e excluindo-as do seu núcleo decisor.
O exemplo do Iraque é o mais recente, mas ao longo da obra são apresentados
muitos outros “doentes” afetados pela mesma síndrome como, por exemplo, Neville
Chamberlain (primeiro ministro britânico entre 1937 e 1940, Adolf Hitler,
François Mitterrand, Mao Tse-Tung, John F. Kennedy e até Margaret Thatcher nos
seus últimos anos no poder. Todos eles foram atingidos por este transtorno
psicológico. Aliás, Owen reconhece que também ele, no início da sua carreira
política, deixou que o poder lhe subisse à cabeça - foi o mais novo ministro
inglês dos Negócios Estrangeiros - embora sem nunca chegar aos extremos de
alguns líderes históricos.
O fenómeno foi batizado com o nome da palavra grega “Hubris” que designava
o herói que, uma vez alcançada a glória, deixava-se embriagar pelo êxito e
comportava-se como um Deus capaz de tudo. Em consequência, começava a acumular
erros, encontrando a sua Némesis, que o devolvia à realidade. Não há tradução exata para a palavra Hubris
que sintetiza o significado de outras: “arrogância”, “desprezo”,
“superioridade”, “excesso de confiança” ou até alguma coisa semelhante a
“autismo”, perda do sentido da realidade.
quinta-feira, 3 de junho de 2021
Leituras do Mês
sexta-feira, 23 de abril de 2021
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Leituras do Mês
quinta-feira, 25 de março de 2021
Sons da Primavera
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
Leituras do Mês
- Jo Nesbo – MacBeth
- João Ubaldo Ribeiro – A Casa Dos Budas Ditosos
- Zadie Smith – O Homem Dos Autógrafos
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Os Melhores Filmes de 2020
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Os Melhores Discos do Ano 2020
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
As Minhas Melhores Leituras de 2020
domingo, 27 de dezembro de 2020
As Melhores Séries de 2020
Thriller, drama, comédia e ficção científica. Há de tudo nesta seleção das melhores séries. Creio que nunca vi tantas séries de televisão e nunca senti que ficou tanto por ver. É impossível ver tudo. Todos os dias saem novas séries nas várias plataformas de streaming disponíveis em Portugal e foram várias as histórias interessantes que chegaram à televisão nos últimos meses. Esta é a lista (possível) das melhores séries de 2020 a que assisti:
1) The Unorthodox
2) Small Axe
3) Pátria
4) Curb Your
Enthusiasm (Temporada 10)
5) The Crown
(Season 4)
6) Normal
People
7) Better Call
Saul (Season 5)
8) The Queen’s
Gambit
9) Ozark
(Season 3)
10) Mrs. America
11) A Teacher
12) The Undoing
13) High
Fidelity
14) A Very
English Scandal
15) Little Fires
Everywhere
16) Ramy (Season
2)
17) The
Mandalorian
18) Dave
19) My Brilliant
Friend (Season 2)
20) Bridgerton
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
Jesus aguentaria ser professor nos dias de hoje?!
Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Ele preparava-os para serem os educadores capazes de transmitir a Boa Nova a todos os homens. Tomando a palavra, disse-lhes:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?
André perguntou:
- É pra copiar?
Filipe lamentou-se:
- Esqueci-me do meu papiro!
Bartolomeu quis saber:
- Vai sair no teste?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?
Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!
Tomé questionou:
- Há alguma fórmula pra provar que isso tá certo?
Tiago Maior indagou:
- Vai contar pra nota?
Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandalhão à minha frente!
Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não percebi nada, ninguém percebeu nada!
Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está a fazer é uma aula? Onde está a sua planificação e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos? Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?
Caifás emendou:
- Fez uma planificação que inclua os temas transversais e as atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?
Pilatos, sentado lá no fundo, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos, como aplicaram os critérios de avaliação e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto. E veja lá se não vai reprovar alguém!
E foi nesse momento que Jesus disse: "Senhor, porque me abandonaste?"
(Nem Jesus aguentaria ser um professor nos dias de hoje...).
Texto (bastante) adaptado de um site da internet.
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
Sons de Outono
1. Porridge Radio - Sweet
2. Phoebe Bridgers - Kyoto
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
domingo, 1 de novembro de 2020
Ian McEwan – A Balada de Adam Henry
Ian McEwan apresenta uma prosa
habilidosa, onde nenhuma palavra ali está por acaso e os parágrafos sucedem-se
sem artifícios ou truques retóricos. Escrito na terceira pessoa, apresenta-nos uma
história com laços simples, que se tornam complexos com o desenrolar dos
acontecimentos. Os temas centrais são o confronto entre a vida pessoal e a vida
profissional, mas também entre a razão científica e o fundamentalismo religioso.
Utiliza como pano de fundo o sistema judiciário inglês e uma prestigiada juíza
do Supremo Tribunal como protagonista: Fiona Maye, 59 anos, especialista em Direito
de Família, e que de acordo com os seus colegas, possui “uma imparcialidade
divina e inteligência diabólica”. Tornou-se famosa devido a um caso de gémeos ao
aprovar a intervenção cirúrgica que iria separar uns irmãos siameses,
provocando o sacrifício de um deles em benefício da sobrevivência do outro.
Apesar de lidar diariamente com a
razão em detrimento da emoção, decidindo conflitos e dilemas morais através das
suas sentenças, a sua vida pessoal está a passar por uma crise: arrepende-se de não ter
tido filhos e o marido, professor universitário de História, coloca-a numa
posição de escolha entre uma posição passiva sobre um caso extraconjugal com
uma colega do trabalho e o fim do casamento de 35 anos (justificando-se com as suas
necessidades sexuais não atendidas nos últimos tempos por Fiona, obcecada pelo
trabalho).
É neste ambiente que vai parar às
suas mãos um caso de um rapaz, prestes a completar 18 anos, que precisa de uma transfusão
de sangue para o tratamento de leucemia. Este rapaz, Adam Henry, cujos pais são
Testemunhas de Jeová, não aceita aquela solução e está disposto a “morrer como
mártir” pela religião. O momento familiar complicado pelo qual Fiona está a passar
faz com que ignore a necessidade de afastamento emocional na batalha jurídica
que chamará a atenção da sociedade para um debate sobre o bem-estar do
adolescente em confronto com os dogmas religiosos da sua família e assim ela decide
ir visitar o jovem Adam ao hospital. Aqui, constata que este tem uma
compreensão parcial da situação precária da sua saúde e dos riscos associados
e, ao mesmo tempo, uma visão romântica da fatalidade dos efeitos decorrentes da
sua orientação religiosa. Escreve poesias que encantam a equipa médica e
despertam na experiente juíza um sentimento ambíguo de compaixão maternal (ela decidiu
não ter filhos devido à sua carreira) e carência sentimental. Para Adam, “a
religião dos meus pais era um veneno e a Fiona foi o antídoto”.
A música erudita tem um lugar de destaque neste romance, constituindo uma válvula de escape para Fiona, uma exímia pianista de peças clássicas de Berlioz e Mahler (no seu belíssimo apartamento tem um piano Fazioli), e também um ponto de aproximação entre ela e o sensível Adam Henry. Também se encontram referências a Bach, Schubert e Scriabin e a dois discos: “Facing You” de Keth Jarrett e “Round Midnight” de Thelonius Monk. Fundamental também é o poema de William Butler Yeats, “Down By the Salley Gardens”.
Para quem nunca leu nada deste autor recomendo a leitura de “Amesterdão”, “Expiação” e “Sábado” (preferencialmente por esta ordem).
sábado, 31 de outubro de 2020
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
Concertos de 2019
A pandemia trouxe o isolamento e distanciamento social, mas também trouxe a ausência de concertos ou festivais de música. Ouvir música ao vivo tem sido, desde sempre, uma forma de libertar o corpo e a mente, um local para deixar o stress e recarregar baterias. Assim não é de estranhar que haja saudades do verão quente, servido de muita música ao ar livre e de memórias que nos aguentavam a saudade até ao ano seguinte.
Relembro AQUI, nesta altura de pandemia os concertos mais memoráveis do ano de 2019: Primavera Sound, Alive, SBSR, Sudoeste, Paredes de Coura, Vilar de Mouros.
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
Leituras do Mês
- Roberto Bolaño - O Terceiro Reich
- Maria João Lopo De Carvalho - O Fado Da Severa
- François Bégaudeau - A Turma
Dia Mundial do Sorriso (Best Stand-Up Comedy Specials)
Sorrir é das coisas mais simples, contribui para o nosso bem-estar e para uma vida saudável. E os espetáculos de stand-up vistos no último ano que mais contribuíram para o meu sorriso foram:
- Hasan Minhaj: Homecoming King (2017)
- Jim Jefferies: Bare (2014)
- Hannibal Buress: Comedy Camisado (2016)
- Jim Gaffigan: Beyond The Pale (2006)
- Richard Pryor: Live in Concert (1979)
- Ali Wong: Baby Cobra (2016)
- Patton Oswalt: Annihilation (2017)
- Reggie Watts: Spatial (2016)
- Zach Galifianakis: Live At The Purple Onion (2006)
- Jen Kirkman: I’m Gonna Die Alone (And I Feel Fine) (2015)
quinta-feira, 1 de outubro de 2020
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
Planeta - Lixeira (Placebo - Life’s What You Make It)
A sociedade de consumo desenfreado, a constante crise económica, a insegurança internacional e o continuado confronto entre as nações, o esbanjador estilo de vida das nações mais avançadas, tudo isso é insustentável para a Terra que assim não se consegue regenerar. O que se passa com o degelo nos polos e os devastadores incêndios na Amazónia – o pulmão natural em vias de colapso final – são exemplos negativos e criminosos de que é (quase) impossível reverter a morte anunciada deste nosso habitat, que já foi um paraíso e que vai sendo transformado numa verdadeira montureira.
O vídeo do tema Life’s What You Make It (cover do tema dos Talk Talk de 1985), da banda inglesa Placebo foi gravado numa das áreas mais poluídas do planeta, em Agbogbloshie, localizado na cidade de Acra, no Gana, onde fica a maior lixeira eletrónica do mundo onde são abandonados milhões de computadores, televisores, impressoras e telemóveis velhos pelos países mais desenvolvidos. A ideia é mostrar como parte da população vive e trabalha neste local e também o quanto nós, seres humanos, descartamos não só o lixo convencional, mas os restos de equipamentos eletrónicos, tão presentes na nossa vida.
O vídeo inicia-se com imagens da linha de produção de uma fábrica de produtos eletrónicos até serem substituídas por imagens de Agbogbloshie, um enorme depósito de resíduos de produtos eletrónicos onde milhares de famílias recolhem sucatas para sobreviver.
No meio da catástrofe humana registada nesse local, as imagens mostram os seus trabalhadores, essencialmente crianças e jovens, em alguns momentos de descontração e alguns deles chegam a cantar, a dançar e a exibirem-se para as câmaras.
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
Truman Capote – A Harpa de Ervas
Há muito tempo não lia uma obra de prosa tão poética. A escrita de Capote, servida por uma boa tradução nesta edição Sextante, revela uma musicalidade impressionante e o título da obra dá bem o tom dessa música: o vento inclina a erva, fazendo-a soltar uma espécie de zumbido, um conjunto de ecos que parecem sintetizar vozes humanas que cantam em uníssono.
Está dado o mote para um magnífico livro, bem típico da época em que foi escrito, o início dos anos 50 do século passado; época de ilusão e de esperança para muitos mas de pessimismo para outros. Entre esses descrentes, alarmados pelo império do capitalismo, pelo macarthismo cada vez mais violento, pelo racismo e injustiças sociais, encontramos os escritores do movimento “Beat”, como são os casos de Capote e Kerouac.
Neste contexto, este livro é um intenso apelo à liberdade; ao direito que cada um deveria ter à diferença, a comportamentos socialmente atípicos e a todo um conjunto de pensamentos e comportamentos que devem ser respeitados. Assim, as personagens principais deste livro são seres antissociais, pessoas renegadas pela sociedade, perseguidos pela cor da pele, pela “deficiência” ou, como é o caso do narrador, por ter sido abandonado pelos pais. É neste aspeto que o livro é bastante autobiográfico – também Capote foi um jovem rejeitado pelas sociedade, um desenraizado, abandonado pelos pais.
Trata-se então de um livro típico desta época da escrita norte-americana, num belo estilo poético. Não é um livro grande; não é um livro com um grande enredo; mas é uma obra que prima pela beleza da própria escrita e por uma belíssima mensagem de liberdade.
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
Explained (Netflix - Season 1 & 2)
Esta série bastante esclarecedora da Netflix explora vários temas, e é perfeita para quem é curioso e gosta de entender um pouco de tudo. Os episódios são muito curtos, raramente atingem os 20 minutos, aborda temas de Economia e Sociologia, como a ascensão da moeda digital, o mercado de ações, o politicamente correto e a disparidade salarial racial mas também explica, por exemplo, a razão do fracasso das dietas, o mundo da música pop coreana, os desportos eletrónicos ou a vida extraterrestre.
Season 1
- A Disparidade Salarial Racial
- ADN Manipulado
- Monogamia
- K-Pop
- Criptomoeda
- Por Que Falham As Dietas
- O Mercado De Ações
- Desportos Eletrónicos
- Vida Extraterrestre
- !
- Criquete
- Canábis
- Tatuagens
- Astrologia
- Será Que Podemos Viver Para Sempre?
- O Orgasmo Feminino
- O Politicamente Correto
- Por Que São Mais Baixos Os Salários Das Mulheres
- A Crise Mundial Da Água
- Música
Season 2
- Cultos
- Multimilionários
- Inteligência Animal
- Athleisure
- Codificação
- Piratas
- A Próxima Pandemia
- O Futuro Da Carne
- Beleza
- Diamantes
terça-feira, 28 de julho de 2020
Leituras de Verão
sexta-feira, 24 de julho de 2020
ESFH: Na senda da excelência!
Disciplina de Economia: 76ª posição a nível nacional, melhor escola pública do distrito de Braga e excelente posição ao nível da escola! (fonte: Jornal Público)
Que orgulho ter contribuído para a obtenção de um excelente resultado nos rankings dos exames nacionais na disciplina de Economia na ESFH. Bom trabalho e parabéns 11CSE1 e 11CSE2, por estes dois anos em que tive o prazer de trabalhar convosco.
Uma escola é uma organização que deve ter o sucesso dos seus alunos como principal missão. Esta ambição pressupõe o prosseguimento dos diversos princípios e valores: oferecer um ensino de qualidade que prepare os alunos para a vida, facilitando o prosseguimento de estudos e a inserção na sociedade, enquanto cidadãos ativos e responsáveis, e que não se baseie no facilitismo; promover a equidade, criando condições para a igualdade de oportunidades; sobrepor os procedimentos pedagógicos e científicos aos procedimentos instrumentais e administrativos; promover hábitos de vida saudáveis, responsáveis, autónomos e solidários; estimular o exercício dos direitos e deveres de cidadania, no respeito pela diversidade, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo. Os alunos devem estar sempre em primeiro lugar, os professores e os seus interesses nunca se devem sobrepor aos dos alunos. A educação é a base de desenvolvimento de uma nação. Parabéns, ESFH.
terça-feira, 14 de julho de 2020
domingo, 10 de maio de 2020
quinta-feira, 23 de abril de 2020
sexta-feira, 17 de abril de 2020
sábado, 4 de abril de 2020
Corona Mixtape
A epidemia de coronavírus pode até sugerir para alguns que o fim do mundo está próximo. Que fique claro: o mundo não vai acabar (mas vai mudar). Na música, no entanto, o apocalipse inspirou e continua a inspirar compositores a descrever como seriam os derradeiros dias do nosso planeta.
Com o estado de emergência a confinar milhões de portugueses em casa, a música pode ganhar nova relevância. Eis uma lista de 65 canções que podem ser banda sonora para os dias da pandemia...
sexta-feira, 3 de abril de 2020
Leituras do Mês
quinta-feira, 26 de março de 2020
Sons da Primavera
1. Two Feet - Maria
2. Baxter Dury - I'm Not Your Dog
3. Haelos - Pray





















