sábado, 26 de março de 2022
Sons da Primavera
terça-feira, 15 de março de 2022
Cinema do Mundo
- Wadjda (O Sonho de Wadjda), de Haifaa Al-Mansour - Arábia Saudita (2012)
Este é supostamente o primeiro filme a ser totalmente filmado dentro da Arábia Saudita contemporânea para além de, ainda mais miraculosamente, ser o primeiro filme de sempre a ser realizado por uma mulher dessa nacionalidade. Foca-se na história de uma jovem rapariga de 11 anos que sonha em ter uma bicicleta, para brincar com o seu amigo Abdullah, algo que lhe é proibido pelos pais e pela sociedade devido ao seu sexo.
O filme evidencia as características de uma sociedade baseada em tradições religiosas, à qual os ocidentais apenas imaginam como seria e também proporciona situações inimagináveis de restrições e preconceitos impostos às mulheres para o espectador tentar “digerir” e procurar, neste contexto, maneiras de viver com um mínimo de dignidade.
A narrativa deste filme centra-se na experiência de Alicia, uma professora argentina durante os anos 80, que começa a questionar as origens da sua filha adotiva e vai descobrindo os horrores da ditadura militar que ela, durante anos, tem vindo a ignorar. Suportado por um soberbo elenco, com especial destaque para Norma Aleandro e Chunchuna Villafañe, mostra como uma mulher foi cúmplice na criação da sua própria prisão de ignorância que, apesar de tudo, se mostra menos dolorosa que a necessária verdade. Assistir a “A História Oficial” torna-se um exercício de memória, e mostra que é preciso sempre discutir e falar sobre as atrocidades do passado, para que jamais se repitam os erros do passado.
- Maria Full of Grace (Maria Cheia de Graça), de Joshua Marston - Colômbia (2004)
Relata a experiência de uma jovem grávida colombiana que, depois de perder o seu emprego, se deixa seduzir pelas propostas de um cartel de droga, acabando por ser uma mula para eles. Com 62 preservativos cheios de cocaína no seu organismo, ela parte para Nova Iorque juntamente com outra rapariga. Joshua Marston filma todo este trajeto com particular intensidade, com destaque para as autênticas cenas de suspense no avião e no terminal de aeroporto.
"Maria Cheia de Graça" é um drama pausado mas pleno de intensidade, que aos poucos se vai insinuando e causando um discreto, mas violento, murro no estômago.
- The Lunchbox (A Lancheira), de Ritesh Batra - Índia (2013)
Este filme, já considerado de culto, passa-se em Bombaim e dá-nos uma visão diferente sobre a Índia e o dia-a-dia dos que lá vivem. Vale a pena ver o funcionário público, o Mr. Saajan Fernandes, e a dona de casa charmosa que nos transporta ao fabuloso mundo da comida indiana.
Saajan é um contabilista mesmo à beira da reforma. É viúvo e sem filhos, com uma existência solitária e melancólica. Um dia, o sistema de distribuição de lancheiras que, pelos vistos, existe na cidade, indo recolhê-las a casa e deixando-as no local de trabalho, engana-se e entrega-lhe uma que não lhe pertence. Saajan abre-a e encontra comida absolutamente fantástica…
Esta é uma história simples, de gente comum, passada numa cidade onde tudo é acelerado e num tempo onde já ninguém escreve à mão, mas envia e-mails, como alguém comenta no próprio filme. Mas estes anacronismos vêm sublinhar a diferença entre o amor clássico, pleno de emoções e subtilezas, onde o tempo alimenta a paixão, o oposto dos romances atuais, imediatos e de acentuado cariz sexual.
- Mies Vailla Menneisyyttä (O Homem Sem Passado), de Aki Kaurismäki - Finlândia (2002)
Um homem chega a Helsínquia num comboio noturno. Não sabemos o seu nome. Pouco depois da sua chegada ele é espancado com tal violência que perde a memória, esquecendo-se mesmo da sua identidade. Um início destes parece prometer mais tragédia que comédia mas neste filme a miséria humana é usada como ponto de partida para criar uma tapeçaria de comédia tão absurda como delicada. Humor unicamente escandinavo…
quarta-feira, 2 de março de 2022
Leituras do Mês
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Ken Follett - O Preço do Dinheiro
Se há autor que tem galgado posições no meu top pessoal de preferências, esse autor é Ken Follett.
O grande senhor de "Os Pilares da Terra" e da "Trilogia o Século" é, aos 73 anos, um dos mais versáteis dos grandes ficcionistas contemporâneos. Poucos como Follett exploram universos ficcionais tão distintos. Depois de ter descoberto o imenso manancial proporcionado pelo romance histórico, Follett parece ter fixado aí o seu foco. No entanto, ao longo da carreira navegou por vários outros universos. E foi por isso que empreendi esta leitura com grande expetativa, tendo em conta que se trata de uma da primeiras obras de Follett. Aliás, este livro foi publicado em 1977 sob um pseudónimo diferente: Zachary Stone.O caráter pioneiro deste livro fica bem patente numa abordagem algo ingénua, de um tema muito explorado: a criminalidade da alta finança, por oposição a uma pequena criminalidade quase desculpável e mesmo apresentada com alguma simpatia.
No entanto, este livro, escrito por Follett aos 28 anos, denota já alguns nítidos traços de génio. O primeiro desses aspetos é a visão bem nítida de uma comunicação social poderosa mas ao mesmo tempo sensível e exposta ao mundo da grande criminalidade. Fica claro que a Comunicação Social constitui um poder extraordinário na divulgação de factos e mesmo no desmascarar de criminosos mas, ao mesmo tempo, ela é o alvo prioritário dos grandes malfeitores; a grande criminalidade sabe que tem de controlar a comunicação social. O segundo aspeto interessante desse jovem escritor de 1977 é a análise psicológica e sociológica da pequena criminalidade, organizada em grupos de criminosos que não passam de “peões” perante os grandes criminosos de colarinho branco.
domingo, 16 de janeiro de 2022
No-Vax DjoCovid: No Challenges Remaining
No-Vax: My Body, My Choice!
Australia: Our Country, Our Rules! Cheers!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
Leituras do Mês
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
Sons de Inverno
quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
As Melhores Séries de 2021
Com 2021 a chegar ao fim, volto a fazer um balanço daquilo que mais gostei de ver na televisão e no streaming.
- Maid
- The White Lotus
- Nine Perfect Strangers
- The Chair
- It’s A Sin
- The Morning Show (Season 2)
- The Great (Season 2)
- Lupin (Season 1 & 2)
- The Underground Railroad
- Only Murders In The Building (Season 1)
- The Kominsky Method (Season 3)
- Scenes From A Marriage
quarta-feira, 29 de dezembro de 2021
Os Melhores Discos do Ano 2021
A pandemia ainda não acabou, os conflitos políticos e sociais continuaram mas no que à música diz respeito e depois de um período de forte instabilidade vivido no ano passado, 2021 foi um ano de fortes emoções. Foi um ano com menos isolamento o que não significou um regresso à normalidade, mas houve muita música nova, com grandes sentimentos e alguma catarse. Segue a lista de discos que mais ouvi bem como uma seleção de músicas memoráveis:
- Nick Cave & Warren Ellis - Carnage
- Wolf Alice - Blue Weekend
- Idles - Crawler
- Dry Cleaning - New Long Leg
- The War On Drugs - I Don't Live Here Anymore
- Julien Baker - Little Oblivions
- Low - Hey What
- Billie Eilish - Happier Than Ever
- Altin Gün - Yol
- Nell Smith & The Flaming Lips - Where The Viaduct Looms
- The Weather Station - Ignorance
- Black Country, New Road - For The First Time
terça-feira, 28 de dezembro de 2021
Os Melhores Filmes de 2021
Após um ano que não deixa muitas saudades devido à COVID-19, os grandes filmes voltaram a ser lançados nos cinemas, enquanto outros chegaram às nossas casas através das plataformas de streaming. Há diversos filmes que deverão ficar por muito tempo na minha memória.
1. The Power Of The Dog (O Poder do Cão), de Jane Campion
2. Doraibu Mai Kâ (Drive My Car), de Ryûsuke Hamaguchi
3. King Richard (Para Além do Jogo), de Reinaldo Marcus Green
4. Madres Paralelas (Mães Paralelas), de Pedro Almodóvar
5. Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson
7. CODA (No Ritmo do Coração), de Sian Heder
8. The French Dispatch (Crónicas de França do Liberty, Kansas Evening Sun), de Wes Anderson
9. The Card Counter (O Jogador), de Paul Schrader
11. The Last Duel (O Último Duelo), de Ridley Scott
12. State Funeral (Funeral de Estado), de Sergey Loznitsa
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
As Minhas Melhores Leituras de 2021
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
Oyinkan Braithwaite – A Minha Irmã É Uma Serial Killer
“O amor não é uma erva daninha,
Não pode crescer onde bem quiser…” (página 130)
A Minha Irmã É Uma Serial Killer, o romance de estreia da jovem nigeriana Oyinkan Braithwaite, que também é ilustradora, retrata o modo de vida dos jovens nigerianos, a presença nas redes sociais e as aspirações e sonhos que os motivam. Trata-se de uma leitura breve, com humor e alguns momentos um pouco bizarros, mas que passa com clareza a sua mensagem: no final do dia, o que é que é mais importante para nós? Qual é o valor que atribuímos à família? Onde estaríamos dispostos a ir pelas pessoas que amamos? E do que é que abdicaríamos sem pensar duas vezes?
Provenientes de uma família da classe média de Lagos (Nigéria), Ayoola e Korede são irmãs, que tiveram a infância marcada pela presença de um pai violento, agora já falecido.
Korede, que narra a história, é uma mulher pouco atraente, pragmática e amargurada, uma enfermeira cuja maior paixão é cuidar dos outros, incluindo de Ayoola.
Ayoola, a irmã mais nova e a preferida da mãe, é uma mulher bela e sexy, que gosta de se divertir e de acordar tarde e que é… uma sociopata, uma serial killer (que matou os seus três últimos namorados). É uma personagem mimada e atrevida, é extremamente manipuladora e usa a sua beleza e capacidade de persuasão para conseguir tudo o que quer. É uma assassina que traz uma grande dose de humor negro à história. A delicada relação entre ambas é abordada entre intrigas, ressentimentos e um passado tortuoso, revelado pouco a pouco.
Surpreendente, macabro, divertido. Este livro, que apresenta um pouco da cultura da Nigéria, com a sua escrita ágil e bem desenvolvida, devora-se, agarra o leitor sem pudores, é uma leitura empolgante e apaixonante mas tem um final brusco e previsível e por isso um pouco dececionante...
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
Drive My Car
Belíssimo filme do realizador japonês Ryûsuke Hamaguchi: do país do sol nascente, Tchekov (“O Tio Vânia”) visto pelos olhos rasgados das novas cinematografias orientais, um mergulho profundo no coração de cada um. Sem sorrisos, com palavras não verbalizadas e a condição humana e a solidão. A vida que não se repete e a amizade… Um filme a roçar a obra-prima.
Acabado de nos presentear com outra excelente longa-metragem, Wheel of Fortune and Fantasy, Drive My Car é adaptado de um conto com o mesmo nome publicado no livro de 2014 "Homens Sem Mulheres" de Haruki Murakami. Ou melhor, também se baseia no conto “Xerazade” da mesma obra, quando a esposa do protagonista lhe conta a história da lampreia…

domingo, 10 de outubro de 2021
Sons de Outono
2. Måneskin – I Wanna Be Your Slave
4. Widowspeak – Amy
5. The Twist Connection – Fake
6. Alison Mosshart – Rise
7. At Freddy’s House – The Lamplight
8. Black Foxxes – Swim
9. Black Midi – John L
10. Sault – Wildfires
11. Kim Gordon – Hungry Baby
12. Nothing But Thieves – Real Love Song
13. Indochine & Christine And The Queens – 3Sex
14. James Blake – Before
15. Cults – Shoulders To My Feet
16. The 1975 – Guys
17. Orla Gartland – More Like You
18. Aurora – Runaway
19. Bring Me The Horizon – Parasite Eve
20. Phoebe Bridgers – Nothing Else Matters
domingo, 3 de outubro de 2021
Leituras do Mês
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
Dia Mundial do Sorriso (Best Stand-Up Comedy Specials)
- Hannah Gadsby: Nanette (2018)
- Hari Kondabolu: Warn Your Relatives (2018)
- John Mulaney: Kid Gorgeous at Radio City (2018)
- Michelle Wolf: Joke Show (2019)
- Wanda Sykes: Not Normal (2019)
- Chris Rock: Tamborine (2018)
- Ricky Gervais: Humanity (2018)
- Dave Chapelle: The Age of Spin (2017)
- Jim Jefferies: Alcoholocaust Live (2010)
- Tig Notaro: Happy to Be Here (2018)
domingo, 15 de agosto de 2021
Tribunais de Braga, Barcelos e Guimarães criticam facilitismo de Escola Secundária
Um professor da Escola Secundária de Barcelos, do grupo 430 - Economia e Contabilidade, apresentou uma denúncia via email à Inspeção Geral da Educação e Ciência com a intenção de comunicar condutas éticas e regulamentares inapropriadas, tais como o facto de um elemento (não identificado) da direção da escola ter ido à sala de aula de algumas turmas do 11º ano, incluindo a Direção de Turma do denunciante, solicitar a escolha da disciplina de Direito no ano letivo seguinte por ser fácil obter a classificação de 20 (vinte) valores no final do ano ou o facto dos professores da escola faltarem diversas semanas para acompanharem alunos em programas de Intercâmbios sem que se respeite o nº 3 do art.º 43 do Regulamento Interno da escola (que menciona que os docentes devem ser substituídos e assim os alunos que ficassem em Barcelos continuariam a ter aulas), queixa esta apresentada pelos Encarregados de Educação dos alunos. Quando ouvido, este docente de Economia informou que 25 dos 28 alunos da turma de Direito obtiveram 20 valores nessa disciplina no final do ano letivo (os restantes alunos da turma obtiveram 19 valores; mencionou também que na disciplina de Sociologia o cenário é semelhante), e ainda enumerou diversas atitudes da direção da escola que considerava que o lesavam a si ou aos alunos. A título de exemplo: a inação perante as queixas de Encarregados de Educação sobre o comportamento e desempenho de alguns docentes na sala de aula; a falta de computadores e projetores na sua sala de aula; a atribuição a si de serviço de apoio a várias disciplinas do 3º Ciclo, incluindo até a disciplina de Matemática, sendo um professor colocado pelo grupo 430 – Economia, que leciona exclusivamente no Ensino Secundário.
Um dos professores auxiliares da direção,
contratado pela escola para o grupo disciplinar 420 – Geografia –, que terá
sido o professor que visitou as turmas do 11º ano para convencer os alunos a
escolherem a disciplina de Direito no ano letivo seguinte, acionou um processo
judicial contra aquele whistleblower mas o Tribunal de Barcelos considerou não haver
razão para o punir. Não contente com este desfecho, o professor de Geografia,
considerado um expert em Direito pela direção da sua escola, remeteu a
ação para o Tribunal de Braga, que concordou com o Tribunal de Barcelos. Aqui,
perante o juiz, o reclamante declarou não se recordar se nesse ano letivo
atribuiu a algum aluno a classificação de 20 valores na disciplina de Direito! Insatisfeito
com esta segunda resolução, o reclamante especialista em Direito solicitou
recurso para o Tribunal da Relação de Guimarães que também não atendeu ao que
este expert em Direito pretendia.
Os processos, de onde foram
extraídas as afirmações seguintes, podem ser consultados nos respetivos
tribunais. Em nenhum dos 3 acórdãos é proferida uma palavra de censura ao whistleblower.
Todos foram arquivados e resultaram numa decisão de Não Pronúncia.
“...entendemos que os dizeres escritos e enviados pelo denunciante, não constituem uma conduta a reclamar tutela penal...os factos denunciados não são aptos a ofender a dignidade ou o bom nome do reclamante, nos termos exigidos pelo direito penal.”
“...o teor do email não imputa ao seu autor a prática de crime, de contra-ordenação ou falta disciplinar, razão pela qual não se mostra preenchido o tipo de denúncia caluniosa”.
Tribunal de Braga:
“...a aluna V. Silva (folhas 245/247 do processo) afirma que o reclamante «explicou que a média de notas dos seus alunos naquele ano rondava os 19 a 20 valores». Só uma ideia de apresentar a disciplina pela vantagem de tirar notas altas justifica esses dizeres... não se vislumbra no texto da denúncia «convencer os alunos a escolherem a disciplina de Direito no 12º ano pois nessa disciplina é fácil tirar vintes» qualquer falsidade. O convencimento, mais a mais quanto a uma disciplina opcional, pode fazer-se lançando aparência de facilidade.”
“...do que decorre não haver qualquer indício que contrarie o facto de o denunciante ter fundamento sério para, em boa fé, reputar como verdadeiro o conteúdo comunicacional do reclamante perante os alunos, tal como relatou no email.”
“Ademais, quanto ao propósito de dar a conhecer a disciplina de Direito aos alunos resulta dos autos que os alunos estavam muito bem informados quanto ao que queriam em termos de disciplinas de opção. Pois os que foram ouvidos são categóricos nessa afirmação. Daí que estando os alunos já informados não se encontre fundamento sério para adicionar informação. A não ser avançar com um incentivo adicional: notas altas.”
“Assim, concluindo, de uma forma directa, sintética e abstraindo das motivações subjacentes à actuação de cada um, o denunciante apresenta-se contra o facilitismo e o reclamante evidenciou na sua acção aspectos de facilitismo, já que em circunstância alguma pode um professor ao dar a conhecer a disciplina que pretende lecionar, enquanto opcional, falar em notas altas, passadas, futuras, o que quer que seja. E o reclamante falou. Procurou e evidenciou este aspecto, o que é censurável num sistema de ensino que se reclama de excelência.”
Sobre o Crime de Falsidade Informática (pretendido pelo reclamante): “...não se percebe qual o normativo, entende o reclamante estar em causa... Mas o que aconteceu, na sua simplicidade, foi o envio de correspondência”.
(custas: 5 UC para o reclamante; a valor de cada Unidade de Conta - UC - é de €102,00)
Tribunal de Guimarães (Recurso instaurado pelo reclamante expert em Direito):
“...nenhuma censura
merece o despacho recorrido, devendo ser confirmado, por não ter violado
qualquer dos preceitos legais invocados pelo recorrente e assim manter-se a
decisão de não pronúncia em causa.”
terça-feira, 10 de agosto de 2021
Cinema do Mundo
- Bir Zamanlar Anadolu'da (Era Uma Vez na Anatólia), de Nuri Bilge Ceylan – Turquia (2011)
História policial sobre a reconstrução de um crime. Desenvolve-se desde o pôr do Sol ao meio dia seguinte. Os personagens, polícias, guardas, chefe da polícia, procurador, médico e suspeitos, à exceção do regedor da aldeia, podiam, com pequenas diferenças ser portugueses. É um filme sobre a morte e o seu impacto nos vivos.
A partir das suas habituais experimentações formais e estudos filosóficos, Nuri Bilge Ceylan construiu uma lancinante exploração sobre a moralidade humana onde os diálogos são explícitos ao ponto de serem literários, e onde a paisagem noturna rasgada pelas luzes dos automóveis policiais contém tanta importância conceptual como o mais complexo monólogo (e há bastantes neste filme).
- Les Innocentes (Agnus Dei – As Inocentes), de Anne Fontaine – França, Polónia (2016)
Filme passado num convento logo após o final da Segunda Guerra Mundial. É sobre um tema delicado, cheio de nervos sensíveis e propício a derrapagens facilmente melodramáticas ou a tropeções de simplismos piedosos. Fontaine mostra a complexidade emocional, ética, psicológica e espiritual da situação das protagonistas, e as suas perplexidades, tensões, angústias e interrogações, da descrente e materialista médica, confrontada com o mundo e os valores das religiosas. O “happy ending”, talvez com açúcar em demasia, em nada colide com a profundidade e o dramatismo desta terrível história, contada com a segurança e a sensibilidade exigida por algo tão frágil.
- Oslo, 31. August (Oslo, 31 de Agosto), de Joachim Trier – Noruega (2011)
Filme belíssimo, que nos interroga sobre o que nos faz viver e o que nos faz desistir de viver. Sobre como é invisível a linha que nos faz sentir «em cima» ou «sentir em baixo».
A história de um dia na vida de um homem perdido que quer cometer suicídio parece ser a receita perfeita para uma obra de puro miserabilismo à boa moda do cinema europeu. Mas Joachim Trier não é um realizador qualquer e dessa premissa limitada, o cineasta norueguês faz um filme que funciona muito mais como uma celebração da experiência da vida humana do que como uma marcha fúnebre.
- Timbuktu, de Abderrahmane Sissako – Mauritânia (2014)
Timbuktu é cidade Património Mundial da UNESCO desde 1988. De pequena povoação perdida no deserto do Saara, o lugar transformou-se, ao longo dos séculos, em capital intelectual e espiritual de África, um oásis no deserto que foi despertando a atenção do mundo. Em 2012, a cidade é ocupada por um grupo islâmico liderado por Iyad Ag Ghaly. O medo e a incerteza apoderam-se daquele lugar. Por ordem dos fundamentalistas religiosos, a música, o riso, os cigarros e o futebol são banidos. As mulheres são obrigadas a usar véu e a mostrar submissão total. A cada dia surgem novas leis para serem cumpridas e a vida de cada um dos habitantes vai sendo modificada tragicamente.
Na conjuntura atual, um filme sobre uma comunidade africana a enfrentar a opressão de invasores que impõe leis fundamentalistas islâmicas é uma preciosidade a ser considerada com admiração e respeito. Quando essa obra é, para além da sua importante temática, uma magnífica construção de cinema elegante, solene e esteticamente belíssimo, então temos um verdadeiro triunfo que deve ser visto por todos.
- La Teta Asustada (A Teta Assustada), de Claudia Llosa – Peru (2009)
O filme inicia-se com uma cantiga inocente num testemunho de traumas e horrores que rompem pela escuridão da tela como um pesadelo do qual é impossível acordar. Começar um filme desta forma é arriscado e é um verdadeiro testamento à ousadia da cineasta peruana. É graças ao seu trabalho que um conto meio melodramático, sobre uma jovem que está “doente” devido à sua mãe ter sido violada durante os conflitos que assolaram o país nos anos 80, é representado com um bizarro, mas fascinante, estilo entre o realismo social e o artifício simbólico.
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
Leituras do Mês
sexta-feira, 30 de julho de 2021
domingo, 25 de julho de 2021
Sons de Verão
quinta-feira, 24 de junho de 2021
Factos Escondidos da História de Portugal - José Gomes Ferreira
Após a
leitura das 477 páginas desta obra, cheguei à conclusão que o seu ator tortura
os factos históricos, espezinha a verdade, mata a probidade e estrangula a
independência intelectual e principalmente a nossa portugalidade. Pura perda de
tempo, exemplo do que não deve ser uma obra didática e útil para quem quer
aprender algo sobre a História do nosso país.
José Gomes Ferreira não tem qualquer formação em História, assegura que se trata de um livro de política (apesar de na contracapa destacar que “obriga a repensar a História”). Insinua que não estamos a ensinar corretamente a História de Portugal nas nossas escolas alegando que há uma História oficial e outra não oficial e que para ele os historiadores seguem uma “cartilha” oficial.
Trata-se de uma autêntica compilação de pseudo-factos secretos onde demonstra uma ignorância enciclopédica sobre os estudos que são feitos e publicados em Portugal por investigadores, apresenta um conjunto de teorias mirabolantes sem qualquer fundamentação científica, pejado de erros factuais. Não há análise de fontes, recorre a páginas avulsas da internet, cita meia dúzia de livros de autores e tenta adaptar as fontes à sua teoria não mencionando autores mais credíveis que não confirmem a sua tese. O último capítulo do livro, “Só não vemos o que não queremos ver” devia chamar-se “O autor só vê o que quer ver” tal é o número de imprecisões e de ideias feitas sem qualquer fundamentação.
O próprio título do livro é enganador: não apresenta Factos Escondidos da História de Portugal mas apenas factos relativos aos séculos XV e XVI. É errado considerar que em Portugal há uma História oficial: mesmo entre os historiadores há muitas opiniões e versões diferentes. A História não oficial de José Gomes Ferreira é baseada em fontes que não têm qualquer validade ou fundamentação científica. Sobre cartografia apresenta algumas deduções e ideias soltas mas todas as suas ideias não são novas, já foram apresentadas por outros autores. Faz uma escolha muito seletiva da bibliografia: chega a citar um artigo de João Paulo Oliveira e Costa mas não segue as conclusões do autor mas sim as suas próprias conclusões e ignora o resto da bibliografia deste investigador. Baseia-se em indícios, artigos desatualizados (1926 e 1934), introduz factos errados sobre o pau-brasil e a sua origem e apresenta uma mixórdia de temáticas com teorias controversas: Américas, Canadá, Brasil, Austrália, Antártida, Califórnia, Colombo, Fernão de Magalhães, os portugueses em Marrocos, a origem do nome Portugal (atribuída à Ordem dos Templários, quando existe consenso entre os historiadores quanto à sua origem) e os Painéis de S. Vicente.
Existe muita bibliografia que contradiz o autor, alguma até disponível online. Por exemplo, no que diz respeito aos portugueses em Marrocos pode-se ler este artigo de António Dias Farinha AQUI; sobre Cristóvão Colombo, ESTE artigo de Luís Filipe Thomaz (página 483) ou ESTE de Francisco Contente Domingues e sobre os portugueses na Austrália, ESTE de Carlota Simões e Francisco Contente Domingues.
Esta edição só tem explicação por se tratar de uma figura pública. Infelizmente, o mercado literário em Portugal privilegia essencialmente autores que sejam reconhecidos facilmente pelo público (como apresentadores de televisão, atores, participantes em reality shows, jornalistas, desportistas ou familiares de celebridades). Além disso, as editoras tendem a procurar material sensacionalista. O trabalho sério de investigação é muitas vezes preterido por este tipo de publicação.
quarta-feira, 16 de junho de 2021
Wolf Alice – Blue Weekend (2021)
Desde 2015 que os
Wolf Alice têm merecido a minha atenção quando editaram o aclamado álbum My
Love is Cool, confirmada dois anos depois com Visions of a Life, onde a banda
mistura elementos do indie rock com músicas mais introspetivas e calmas, com
faixas mais pesadas e cheias de energia.
Depois de quatro silenciosos anos, acabam de regressar às edições com o ambicioso, potente e excelente Blue Weekend que promete tornar-se épico. O álbum move-se em terrenos familiares, algures entre o rock de feição mais clássica, misturado com elementos shoegaze, riffs de guitarra que, muitas vezes, remetem para o grunge do início dos anos 90, aqui e ali, um pouco de psicadelismo à mistura e uma incorporação bastante acentuada, em certos momentos, de elementos eletrónicos. As letras são reflexivas, discutem como relacionamentos começam e terminam e abordam a pandemia e as crises intermináveis que estamos a viver.
“The Last Man On
Earth”, primeiro single do álbum, tem tudo para ser apenas uma balada, vai-se
lenta e subtilmente metamorfoseando noutra coisa graças ao cunho pessoal dos
Wolf Alice. Se a primeira parte da canção nos dá a voz crua de Ellie Rowsell,
em solitária conversa com o piano, enfatizando-se cada palavra proferida, a
ponte assinala uma viragem inesperada, introduzindo uma mescla de coros épicos
e guitarras psicadélicas da década de 60.
Seja cinema ou sonho (“Lipstick On The Glass” e “Feeling Myself”), dream pop (“Delicious Things” e “No Hard Feeling”) ou riffs distorcidos (“The Beach”), punk (“Play The Greatest Hits” e “Smile”), folk (“Safe From Heartbreak – If You Never Fall In Love”) ou anos 80 (“How Can I Make It OK?”), Blue Weekend soa como um disco de consolidação, com arranjos impecáveis em cada música e que em apenas 40 minutos mostra uma das joias da música inglesa de 2021.
Os Wolf Alice acabam de anunciar a Tour Europeia com passagem por Lisboa a 3 de março de 2022. Os bilhetes já estão à venda...
Wolf Alice Mixtape:
terça-feira, 15 de junho de 2021
David Owen - Na Doença e no Poder
No seu livro de 503 páginas sobre as doenças dos grandes estadistas do
século passado, “Na Doença e no Poder – Os Problemas de Saúde dos Grandes
Estadistas nos Últimos 100 Anos”, David Owen (neurologista e ex-ministro dos
Negócios Estrangeiros Britânico) considera que o que motivou a decisão de
invadir o Iraque, tomada por George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar
durante a célebre cimeira dos Açores em 2003, não foi a existência de armas de
destruição maciça, nem a ambição de controlar o petróleo iraquiano mas sim um
transtorno comum entre os políticos no poder, a síndrome de Hubris.
Esta síndrome, não reconhecida pela Medicina, equivaleria a uma “embriaguez
de poder” caracterizada pela perda do sentido da realidade, soberba, presunção,
persistência perversa em políticas que não funcionam e desrespeito pelos
conselhos daqueles que os rodeiam. Os “pacientes” quando as decisões se revelam
erradas, nunca reconhecem o equívoco e continuam convencidos que tomaram a
decisão certa.
A sua dimensão é catastrófica quando se manifesta num pequeno grupo,
fechado sobre si próprio, que desconsidera as pessoas e as instituições que
promovem ideias contrárias, rejeitando-as e excluindo-as do seu núcleo decisor.
O exemplo do Iraque é o mais recente, mas ao longo da obra são apresentados
muitos outros “doentes” afetados pela mesma síndrome como, por exemplo, Neville
Chamberlain (primeiro ministro britânico entre 1937 e 1940, Adolf Hitler,
François Mitterrand, Mao Tse-Tung, John F. Kennedy e até Margaret Thatcher nos
seus últimos anos no poder. Todos eles foram atingidos por este transtorno
psicológico. Aliás, Owen reconhece que também ele, no início da sua carreira
política, deixou que o poder lhe subisse à cabeça - foi o mais novo ministro
inglês dos Negócios Estrangeiros - embora sem nunca chegar aos extremos de
alguns líderes históricos.
O fenómeno foi batizado com o nome da palavra grega “Hubris” que designava
o herói que, uma vez alcançada a glória, deixava-se embriagar pelo êxito e
comportava-se como um Deus capaz de tudo. Em consequência, começava a acumular
erros, encontrando a sua Némesis, que o devolvia à realidade. Não há tradução exata para a palavra Hubris
que sintetiza o significado de outras: “arrogância”, “desprezo”,
“superioridade”, “excesso de confiança” ou até alguma coisa semelhante a
“autismo”, perda do sentido da realidade.
quinta-feira, 3 de junho de 2021
Leituras do Mês
sexta-feira, 23 de abril de 2021
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Leituras do Mês
quinta-feira, 25 de março de 2021
Sons da Primavera
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
Leituras do Mês
- Jo Nesbo – MacBeth
- João Ubaldo Ribeiro – A Casa Dos Budas Ditosos
- Zadie Smith – O Homem Dos Autógrafos
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Os Melhores Filmes de 2020
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Os Melhores Discos do Ano 2020
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
As Minhas Melhores Leituras de 2020
domingo, 27 de dezembro de 2020
As Melhores Séries de 2020
Thriller, drama, comédia e ficção científica. Há de tudo nesta seleção das melhores séries. Creio que nunca vi tantas séries de televisão e nunca senti que ficou tanto por ver. É impossível ver tudo. Todos os dias saem novas séries nas várias plataformas de streaming disponíveis em Portugal e foram várias as histórias interessantes que chegaram à televisão nos últimos meses. Esta é a lista (possível) das melhores séries de 2020 a que assisti:
1) The Unorthodox
2) Small Axe
3) Pátria
4) Curb Your
Enthusiasm (Temporada 10)
5) The Crown
(Season 4)
6) Normal
People
7) Better Call
Saul (Season 5)
8) The Queen’s
Gambit
9) Ozark
(Season 3)
10) Mrs. America
11) A Teacher
12) The Undoing
13) High
Fidelity
14) A Very
English Scandal
15) Little Fires
Everywhere
16) Ramy (Season
2)
17) The
Mandalorian
18) Dave
19) My Brilliant
Friend (Season 2)
20) Bridgerton








