terça-feira, 5 de novembro de 2024
terça-feira, 8 de outubro de 2024
Sons de Outono
1. Thurston Moore (ft. Laetitia Sadier) – Sans Limites
2. Iron & Wine (ft. Fiona Apple) – All In Good Time
3. Bleachers – Tiny Moves
4. Hælos – Kyoto
5. Kavinsky – Nightcall
6. London Grammar – House
7. Jamie XX – Treat Each Other Right
8. Nilüfer Yanya – Stabilise
9. Arab Strap – Bliss
10. Fontaines D.C. – Starburster
11. Billie Eilish – Birds Of A Feather
12. Vampire Weekend – Capricorn
13. Still Corners – Today Is The Day
14. MGMT – Nothing To Declare
15. Camera Obscura – We’re Going To Make It In A Man’s World
16. Underworld – Black Poppies
17. Lionlimb (ft. Angel Olsen) – Dream Of You
18. Cigarettes After Sex – Baby Blue Movie
19. Beth Gibbons – For Sale (live)
20. The Cure – Alone
terça-feira, 1 de outubro de 2024
Leituras do Mês
- Maria Filomena Mónica – Os Livros da Minha Vida
- Jaroslav Hašek – O Bom Soldado Švejk
- Charles Bukowski – Histórias de Loucura Normal
- Sándor Márai – A Herança de Eszter
- Charles Bukowski – Histórias de Loucura Normal
- Sándor Márai – A Herança de Eszter
quinta-feira, 29 de agosto de 2024
quinta-feira, 25 de julho de 2024
Sons de Verão
1. Sleater-Kinney – Hell
2. Young Fathers – I Saw
3. Sia – Gimme Love
4. The Jesus And Mary Chain – Jamcod
5. English Teacher – The World’s Biggest Paving Slab
6. Warhaus – Popcorn
7. Dry Cleaning – Swampy
8. Kurt Vile – Another Good Year For The Roses
9. Bjork (Ft. Rasalía) – Oral
10. Liam Gallagher & John Squire – Just Another Rainbow
11. The Black Keys – Beautiful People (Stay High)
12. Lola Young – Wish You Were Dead
13. The Vaccines – Discount De Kooning (Last One Standing)
14. Kim Gordon – Bye Bye
15. James – Is This Love
16. Japanese Breakfast – Posing In Bondage
17. Anjimile – The King
18. Vera Sola – Bad Idea
19. Nick Cave – La Vie En Rose
20. Vampire Weekend – Mary Boone
8. Kurt Vile – Another Good Year For The Roses
9. Bjork (Ft. Rasalía) – Oral
10. Liam Gallagher & John Squire – Just Another Rainbow
11. The Black Keys – Beautiful People (Stay High)
12. Lola Young – Wish You Were Dead
13. The Vaccines – Discount De Kooning (Last One Standing)
14. Kim Gordon – Bye Bye
15. James – Is This Love
16. Japanese Breakfast – Posing In Bondage
17. Anjimile – The King
18. Vera Sola – Bad Idea
19. Nick Cave – La Vie En Rose
20. Vampire Weekend – Mary Boone
segunda-feira, 1 de julho de 2024
Leituras do Mês
- Marina Lewycka – Uma Breve História dos Tratores em Ucraniano
- Louise Candlish – O Passageiro Misterioso
- Pierre Singaravelou e Sylvain Venayre – A Mercearia do Mundo
- Fernanda Melchior – Temporada de Furacões
quinta-feira, 20 de junho de 2024
Obrigado, 11º K (ESAS)
Adorei ser o vosso professor de Economia e apesar de ter sido um percurso longo, constituído por diversos desafios, espero que tenham desfrutado das experiências de aprendizagem e que sintam que estão mais preparados para os voos maiores que terão pela frente.
Desejo que alcancem o maior sucesso e que consigam concretizar todos os vossos sonhos.
CCB
sábado, 4 de maio de 2024
quarta-feira, 1 de maio de 2024
Lloyd Cole – Theatro Circo (30 de Abril)
O músico e cantor britânico revisitou quatro décadas de carreira sozinho e no centro do palco, todo vestido de branco, ladeado por duas guitarras, que foi trocando ao longo do concerto.
Lloyd Cole é um exímio guitarrista e continua a ser dono de uma voz envolvente e única, que a acústica do Theatro Circo potencia, para gáudio do público.
O músico inglês brindou o público com um humor leve e uma capacidade de rir-se de si próprio que só os grandes artistas possuem:
- anunciou que o espetáculo de duas horas tem um intervalo para “fazer os que as pessoas da nossa idade precisam fazer”, diz o cantor de 63 anos, rematando que lhe cabe fazer, portanto, o concerto de abertura e o concerto principal;
- assegurou que a mãe demorou 30 anos a gostar de uma canção sua (“Myrtle And Rose”);
- gozou com a editora Polydor por esta ter pensado que ele ia ser “grande”;
- ao mencionar o seu último álbum, On Pain, acrescenta também “by the way, it's fantastic”;
- após o tema “Undressed” esclarece que o “naked” refere-se a ele, mas há 30 anos atrás;
- sugeriu que brindassem o clube de futebol local (Sporting Clube de Braga) com parte do refrão do tema "The Idiot” (Stop Being Drug Addicts);
- anunciou que quando escreveu o tema “Like Lovers Do”, o seu filho tinha 2 anos e agora tem mais de 30, concluindo com um “terrifying!”.
São estes pequenos interregnos entre canções que pautam um espetáculo recheado de alguns dos maiores êxitos da sua longa carreira, com alguns temas mais recentes.
Foi uma viagem no tempo, com o poder da música a reavivar memórias e a criar novas lembranças, com o público rendido aos temas e à voz do músico. Lloyd Cole é anos 80, é adolescência, é a esperança de tudo o que estava por vir.
1. Don't Look Back
2. Mr. Malcontent
3. Trigger Happy
4. On Pain
5. Why in the World?
6. Can You Hear Me (David Bowie cover)
7. Rattlesnakes
8. Like Lovers Do
9. My Other Life
10. 2cv
11. Undressed
12. Tried to Rock (LC and the Negatives)
13. The Afterlife
14. Are You Ready to Be Heartbroken?
15. Brand New Friend
16. The Idiot
17. Why I Love Country Music
18. Butterfly
19. Jennifer She Said
20. Woman in a Bar
21. No Blue Skies
22. Myrtle and Rose
23. How Wrong Can You Be?
24. Cut Me Down
25. Perfect Skin
26. Passenger (Iggy Pop cover)
27. Lost Weekend
28. Forest Fire
quinta-feira, 25 de abril de 2024
terça-feira, 23 de abril de 2024
segunda-feira, 1 de abril de 2024
Leituras do Mês
- John Banville – Os Infinitos
- Peter Swanson – Aqueles Que Merecem Morrer
- Li Cunxin – O Último Bailarino De Mao
- Kate Elizabeth Russell – Minha Sombria Vanessa
- Li Cunxin – O Último Bailarino De Mao
- Kate Elizabeth Russell – Minha Sombria Vanessa
quinta-feira, 28 de março de 2024
Sons da Primavera
1. Rufus Wainwright (Ft. Anohni) – Going To A Town
2. The Big Moon – Trouble
3. Grian Chatten – Fairlies
4. First Aid Kit – A Feeling That Never Came
5. The Smile – Wall Of Eyes
6. Master Peace – Veronica
7. Dua Lipa – Houdini
8. Jungle – Back On 74
9. Bloc Party – So Here We Are
10. Romy & Fred again… - Strong
11. Kamal. – White Wine
12. Lucy Dacus – Night Shift
13. MGMT – Bubblegum Dog
14. Archive – Vice
15. Sfistikated (Ft. Rezar) – In The Middle
16. Wallners – In My Mind
17. Beabadoobee – Glue Song
18. Sufjan Stevens – Will Anybody Ever Love Me?
19. Best Youth – Back With A Bang
20. Filipe Sambado (Ft. Conan Osíris) – Caderninho
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024
Swans + Maria W Horn – Theatro Circo (20 de Fevereiro)
De seguida, iniciaram o concerto com “The Beggar”, faixa-título do novo disco, o 16º, que é Swans em estado puro. Um acorde insistente serve de âncora durante a música que, com as invocações xamânicas de Gira, vai fervilhando com maior e maior intensidade até este martelar o ar com a sua mão indicando uma explosão de som por parte da banda.
Seguiu-se “The Hanging Man”, uma das melhores músicas do álbum anterior, “Leaving Meaning”, cuja atmosfera paranoica é ampliada pela performance do baixista Christopher Pravdica que martelou a linha de baixo com a sofreguidão que a canção pede.
É difícil adjetivar uma performance dos Swans. Palavras como transcendente, religiosa ou brutal são lugares comuns que não fazem justiça à intensidade do concerto. Uma pessoa não experiencia um concerto dos Swans; uma pessoa é submetida a um concerto dos Swans.
Setlist:
sexta-feira, 5 de janeiro de 2024
Pensamento do Dia
“Somente aqueles que estão a dormir não cometem erros.”
Ingvar Kamprad, empresário sueco, fundador da IKEA
quarta-feira, 3 de janeiro de 2024
Leituras do Mês
- Olivier Rolin – Baku - Últimos Dias
- Fabio Volo – O Dia Que Faltava
- Clara Sánchez – Os Monstros Também Amam
- Robert Graves – Eu, Cláudio
quinta-feira, 28 de dezembro de 2023
Os Melhores Discos do Ano 2023
O ano foi intenso, criativo e cheio de surpresas musicais. Entre retornos aguardados, novos talentos e experiências sonoras que desafiaram géneros, estes álbuns destacaram-se pela originalidade, impacto e consistência artística. Para mim, estes foram os discos que marcaram 2023 — aqueles que não só definiram o som do ano, mas também o meu estado de espírito:
- Lana Del Rey – Did You Know That There’s A Tunnel Under Ocean Blvd
- Blur – The Ballad Of Darren
- The Clockworks – Exit Strategy
- Boygenius – The Record
- Slowdive – Everything Is Alive
- Depeche Mode – Memento Mori
- Sufjan Stevens – Javelin
- Anohni and the Johnsons – My Back Was A Bridge For You To Cross
- PJ Harvey – I Inside The Old Year Dying
- Robert Forster – The Candle And The Flame
- Caroline Polachek - Desire, I Want To Turn Into You
- The National – First Two Pages Of Frankenstein
- Wednesday - Rat Saw God
- Bar Italia – Tracey Denim
- Belle And Sebastian – Late Developers
- The Kills – God Games
Playlist com outros sons que marcaram 2023:
quarta-feira, 27 de dezembro de 2023
As Minhas Melhores Leituras de 2023
1. Douglas Stuart – Shuggie Bain
2. Arturo Pérez-Reverte – O Italiano
3. Eduardo Mendoza – A Cidade Dos Prodígios
3. Eduardo Mendoza – A Cidade Dos Prodígios
4. Paul Auster – 4 3 2 1
5. Geoff Dyer – Os Últimos Dias de Roger Federer e Outros Finais
6. Shusaku Endo – Silêncio
7. Virginie Despentes – Vernon Subutex
8. Jorge Carrión – Livrarias
9. Herberto Helder – Os Passos Em Volta
10. David Galgut – A Promessa
11. Flannery O’Connor – Um Bom Homem É Difícil de Encontrar
12. Abdulrazak Gurnah – O Desertor
quinta-feira, 21 de dezembro de 2023
Reuniões de Profes
Ata de um Conselho de Turma (de uma Escola Secundária da Terra Média):
----- Relativamente ao aproveitamento, o Conselho de Turma caracterizou-o como hilariante, uma vez que os níveis atribuídos pouco têm a ver com o desempenho dos alunos, mas sim com outros fatores, nomeadamente: o desejo de nunca mais os ver na sala de aula; a necessidade de cumprir as anedóticas metas de sucesso, de forma a evitar o paleio justificativo no relatório de avaliação de desempenho e demais documentação; a vontade de evitar recursos por seis ou sete encarregados de educação, previamente referenciados pelo conselho de turma como "carraças parentais obcecadas com a entrada dos descendentes no curso de Economia da FEP" [soou uma gargalhada quase geral].
----- A docente de Português confessou que devia ter estudado História para entender os hieróglifos dos testes e também que tinha ganas de imitar Espanca, só para não ter que voltar a ler tantos disparates e facadas na bela Língua Lusitana. Lembrou-se da discrepância que certamente existirá entre a avaliação interna e as notas dos exames nacionais, e por isso considerou não haver qualquer problema se as classificações se mantiverem camufladas na “bondade avaliativa” [soaram exclamações de compreensão e comiseração em quatro docentes].
----- O docente de Geografia declarou que não abdicava dos seus princípios, pelo que tinha atribuído nível quinze a um aluno que nunca compareceu [silêncio constrangedor]. O diretor de turma, bem-humorado, sugeriu que se alterasse para “dezasseis”, o que mereceu uma ovação geral, quanto mais não fosse para não terem que aturar os chiliques pedagógicos do Gabinete de Psicologia.
----- A docente de Inglês esclareceu que mais de metade da turma não distingue ainda “yes” de “no”, o que compreende pois nas suas aulas só falam português, e por isso é-lhe impossível dar menos de dezassete valores a toda a gente pois eles são todos uns amores [nesse momento, fez-se silêncio temeroso].
----- O docente de Educação Física acrescentou que também não tem vontadinha nenhuma de aturar os comentários infelizes de vários quadrantes sobre a importância das suas áreas curriculares, pelo que o nível mínimo que atribuiu foi dezassete, que serviu para penalizar 4 alunos por nunca terem levado sapatilhas para a sua aula.
----- A docente de Matemática não disse mas com certeza pensou nas “melgas inúteis” que são os pais e demais parentes que acompanham vários alunos na realização dos TPC e que os instruem no sentido de pôr em causa tudo o que acontece nas suas aulas, embora a maioria nem o nono ano devia ter concluído [interjeições de concordância e olhares suspeitos de quatro docentes].
----- A docente de Filosofia explicou ao conselho que, no âmbito da interdisciplinaridade, tinha decidido uniformizar os critérios de avaliação, a saber: nível dezoito para quem tivesse pulsação, nível dezanove para quem também respirasse sozinho e nível vinte para quem emitisse cumulativamente sons [olhares de compaixão].
----- Para o docente de Economia, em resposta ao Representante dos Encarregados de Educação que considerou as notas da disciplina muito preocupantes (pois no ano anterior os alunos não falaram de Economia nas respetivas aulas mas pelo menos tiveram média de 16 valores), a inação de uns, a fraca prestação de outros, o desinteresse e a falta de ambição daqueles, enfim, aparentemente barricados na mediocridade escolar, acabam por ter um efeito de desvitalização de todos, vindo sucessivamente a induzir uma mediania académica, mas que tudo poderia ser compensado desde que a estrutura do próximo teste de avaliação fosse ESTA e se inscrevessem na Juventude Socialista.
------ O Diretor de Turma destacou o facto de em mais de trinta anos nunca ter encontrado uma turma de alunos tão mimados, cultores da ignorância, incapazes de cumprir com as regras mínimas de uma sala de aula, que encaram o copianço nos testes como uma atividade perfeitamente normal e os trabalhos práticos como uma forma de praticar as funções “copy” e “paste” do Word e, não satisfeitos com a exuberância do seu tónus intelectivo, boçalmente ajuizarem sobre a condução do processo de ensino-aprendizagem. Por tudo isto, na sua disciplina decidiu atribuir como nota mais baixa dezassete valores [múltiplas interjeições de concordância].
----- E nada mais havendo a tratar...
quarta-feira, 15 de novembro de 2023
terça-feira, 14 de novembro de 2023
The Clockworks - "Exit Strategy"
Com o lançamento de “Exit Strategy”, os The Clockworks criaram um mundo para ser explorado, analisado e decifrado, mas acima de tudo para ser sentido.
Ao contrário do que o nome indiciaria, esta não é uma estratégia de saída, mas, sim, de uma entrada direta para a lista dos melhores discos do ano. Músicas introspetivas e contemplativas, de indie-pop nostálgico, mas com bastantes laivos de post-punk e uma raiva latente à espreita.
É um álbum conceptual que, à imagem da banda nascida em Galway, Irlanda, mas amadurecida em Londres, Inglaterra, narra a história de uma personagem que viaja da sua terra-natal irlandesa até à capital londrina à procura de uma vida melhor. Ao longo dos 13 temas do disco, o nosso protagonista da classe operária narra, com ricos recursos líricos, os dramas mundanos de quem tenta sobreviver num mundo sem escrúpulos e desenhado apenas para alguns privilegiados.
A produção de Bernard Butler (guitarrista original dos Suede) foi certamente um fator determinante para o som fresco da banda. Aqui e ali, até se notam alguns parentescos melódicos entre os saudosos Suede do início dos anos 90. Também é quase impossível não notar algumas influências dos Fontaines D.C., especialmente nos temas mais ritmados. Foi por influência de Butler que a banda optou por regravar alguns temas que já antes editara em formato single. A nova roupagem, com o seu toque de Midas, melhorou-as bastante oferecendo uma maior preponderância às guitarras, mas sem apagar o toque introspetivo da banda. O som ficou ali dependurada num limbo oscilante entre um indie-pop melancólico e um post-punk niilista.
O resultado final é um belo conto suburbano das agruras do dia-a-dia, movido a melodias emotivas e guitarras firmes e marcantes. Uma estreia auspiciosa e um dos melhores discos do ano.
domingo, 5 de novembro de 2023
sexta-feira, 27 de outubro de 2023
Manifestus
Os recentes casos de ataques, pressões e ameaças contra livros e autores, deixam-me profundamente irritado!
A brigada de higienização já chegou aos livros. Há que esconder as obras que podem ferir suscetibilidades.
É preciso linguagem inclusiva. Aprontem os fósforos, não vá ser preciso umas fogueiras. Chamem Guy Montag, o protagonista de Fahrenheit 451. Comecem pelos livros de História que estão cheios de coisas obscenas. O que vale é que já temos “literatura” escrita por inteligência artificial. A estupidez é que é sempre pura. E infinita.
quinta-feira, 26 de outubro de 2023
Leituras do Mês
- Tomás Eloy Martínez – O Cantor De Tango
- Céline – Morte A Crédito
- Juan Marsé – Essa Puta Tão Distinta
- Flannery O’Connor – Um Bom Homem É Difícil de Encontrar
- Céline – Morte A Crédito
- Juan Marsé – Essa Puta Tão Distinta
- Flannery O’Connor – Um Bom Homem É Difícil de Encontrar
quarta-feira, 25 de outubro de 2023
Sons de Outono
1. Sigur Rós – Fall
2. Devendra Banhardt – Twin
3. London Grammar & SebastiAn – Dancing By Night
4. Silvert Høyem – The Rust
5. Metric – Days of Oblivion
6. Idles – Dancer
7. U2 – Atomic City
8. Debby Friday (Ft. Uñas) – I Got It
9. Yves Tumor – Echolalia
10. Måneskin (Ft. Tom Morello) – Gossip
11. JP Saxe (Ft. Julia Michaels) – If The World Was Ending
12. Future Islands – Deep In The Night
13. Depeche Mode – My Favourite Stranger
14. Passenger (Ft. Gabrielle Aplin) – Circles
15. Maximilian Hecker – Neverheart
16. Harry Styles – Fine Line
17. Sharon Van Etten – When I Die
18. Deerhoof – Midnight, The Stars And You
19. Tomara – Avalanche
20. Carminho – Levo O Meu Barco No Mar
terça-feira, 24 de outubro de 2023
Killers Of The Flower Moon, de Martin Scorsese
A ação de Killers Of The Flower Moon (“Assassinos da Lua das Flores”) passa-se na década de 1920, nos Estados Unidos, no meio da comunidade de índios Osage, milionários por terem descoberto petróleo nas terras que lhes foram destinadas como reserva. Mas há uma família que tem uma estratégia para desviar a fortuna, liderada por um patriarca (Robert De Niro, genial) e que inicia nas atividades criminosas um novato acabado de chegar, que tem a pele de Leonardo DiCaprio. Porém, os diversos assassinatos de índios Osage levam a uma investigação do recém-criado FBI de Edgar J. Hoover.
Martin Scorsese fez de novo apelo aos seus atores fetiche, De Niro e DiCaprio, juntou-lhes uma soberba Lily Gladstone, oriunda de uma outra comunidade de nativos americanos, transformou um livro de David Grann já existente, baseado numa história verídica, numa obra autónoma, consultou, trabalhou com e respeitou os índios Osange, e oferece-nos ao mesmo tempo uma verdadeira tragédia americana, uma obra monumental, com interpretações poderosas, reconstituição histórica rigorosa e uma crítica contundente à violência colonial e ao capitalismo selvagem da época. Sem dúvida um dos grandes momentos cinematográficos do ano.
sexta-feira, 20 de outubro de 2023
domingo, 1 de outubro de 2023
domingo, 24 de setembro de 2023
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
Vida de CEO
Diz o CEO gordo para o CEO magrinho:
- Como é que te consegues manter tão magro?
- Pá, quando chego a casa do escritório, não vejo nada de interessante no frigorífico, e vou para a cama. E tu, como é que ficaste assim gordo?
- Olha, quando chego a casa do escritório não vejo nada de interessante na cama, vou ter com o frigorífico…
quarta-feira, 13 de setembro de 2023
Geoff Dyer - Os Últimos Dias de Roger Federer e Outros Finais
"Os Últimos Dias de Roger e Outros Finais" é um livro sobre o vasto catálogo dos tópicos preferidos de Dyer, que vão do rock à história militar, passando pelo ténis, jazz, drogas, cinema, pintura ou fotografia. Aqui, Geoff Dyer explora os últimos dias, as últimas obras ou as obras tardias de escritores, pintores, músicos, cineastas e estrelas do desporto que marcaram a nossa memória. Com charme, ironia e inteligência, revê o colapso de Friedrich Nietzsche em Turim, as reinvenções de antigas canções de Bob Dylan, a pintura de Turner com a sua abstração harmoniosa, a ressurreição tardia de Jean Rhys, as derradeiras melodias de John Coltrane, mas também os últimos quartetos de Beethoven, os poemas finais de Larkin, as últimas canções dos The Doors ou o último sopro criativo de Walter Scott, Joyce, Updike ou David Foster Wallace.
sábado, 5 de agosto de 2023
terça-feira, 1 de agosto de 2023
Sons de Verão
1. PJ Harvey – A Child’s Question, August
2. Blur – The Narcissist
3. Slowdive – Kisses
4. The Legendary Tigerman (Ft. Asia Argento) – Good Girl
5. Everything But The Girl – Run A Red Light
6. Interpol – Something Changed
7. Caroline Polachek – Welcome To My Island
8. Bar Italia – Nurse!
9. Cigarettes After Sex – Pistol
10. Lana Del Rey – Did You Know That There’s A Tunner Under Ocean Blvd
11. Lightning Craft – My Way
12. Depeche Mode – Ghosts Again
13. Yeah Yeah Yeahs – Blacktop
14. The National – Eucalyptus
15. The Waeve – Can I Call You
16. Sparks – The Girl Is Crying In Her Latte
17. Warpaint – Love Is To Die
18. The Last Internationale – Wanted Man
19. The Last Dinner Party – Nothing Matters
20. Flipturn – Sad Disco
21. John Cale (Ft. Weyes Blood) – Story Of Blood
22. Anohni And The Johnsons – It Must Change
23. Girl In Red – October Passed Me By
24. The Smile – Bending Hectic
25. Boygenius – The Film
sábado, 8 de julho de 2023
Os telemóveis nas escolas
Será que o elevado consumo de conteúdos digitais pode estar na origem do declínio do desempenho escolar e da perda de certas competências que dependem do treino cognitivo? Há uma suspeita crescente de que não é apenas a distração que representam, mas também a forma como alteram a perceção e o processo de aprendizagem mental.
No entanto, ver apenas os perigos das novas tecnologias pode ser muito redutor. Qualquer medida deve evitar abordagens maniqueístas que contrastam as tecnologias digitais com o ensino tradicional, até porque estamos no início de um debate em que faltam provas científicas. O problema não está tanto nas tecnologias em si, mas no conteúdo e nos usos que delas se fazem.
Em geral, creio que uma proibição total como método para prevenir o uso indevido não é uma boa solução, porque impede o potencial educativo. O debate deve centrar-se em como e quando os meios digitais são introduzidos na sala de aula. Até porque o Governo não andou a gastar milhões para equipar os alunos com computadores para depois não se aproveitar o potencial num mundo onde as novas tecnologias serão essenciais para as sociedades. Infelizmente, na prática, os meus alunos não são recetivos à utilização desses computadores “emprestados” pelo Governo, tornando esta oferta inócua, pois quando solicitados a realizarem tarefas apenas utilizam o telemóvel.
quinta-feira, 6 de julho de 2023
Leituras do Mês
- John Steinbeck – O Inverno Do Nosso Descontentamento
- Toni Morrison – A Dádiva
- Rubem Fonseca – A Grande Arte
domingo, 28 de maio de 2023
Centenário do CNE
O Altice Forum Braga foi o local das comemorações deste Centenário, com a realização de jogos no pavilhão, ao longo do dia 27 de maio e, à noite, com a celebração da Eucaristia e a Festa do Centenário, na zona exterior.
Celebrar o passado mas, sobretudo, a olhar e a traçar o que vai ser o nosso novo século de vida – o nosso futuro.
São 100 anos de atividades, amizades, construções e acampamentos!
São 100 anos de atividades, amizades, construções e acampamentos!
sábado, 27 de maio de 2023
Chemical Brothers (North Festival, Porto, 26 de Maio)
Durante mais de uma hora, o duo britânico Chemical Brothers assegurou o espetáculo da noite do primeiro dia do North Festival, protagonizando um espetáculo de luzes, projeção e som a que nos tem habituado. “Hey Boy Hey Girl”, de 1999, foi um dos pontos altos. O auge foram os temas já com décadas de existência, que levaram o público a levantar os braços e abanar a cabeça, oferecendo uma experiência sonora única e envolvente, combinando música eletrónica pulsante com visuais cuidados e impactantes.
sábado, 20 de maio de 2023
Eduardo Mendoza – A Cidade Dos Prodígios
O enredo desta obra acompanha a cidade de Barcelona entre as duas Exposições Universais aí realizadas: de 1888 e 1929. O protagonista desta estória, Onofre Bouvila, é uma espécie de anti-herói que sobrevive e depois enriquece numa espécie de vida em “contramão”: a sua sorte é o azar dos outros. Toda a cidade de Barcelona acaba por ser vista também nessa perspetiva: uma cidade que enriqueceu com base na desgraça alheia, no sucesso de uma casta de patifes como Onofre Bouvila. A própria Grande Guerra ou a ditadura de Primo de Rivera são vistas em Barcelona como oportunidades de enriquecimento.
Ao longo do livro vamos assistindo também à afirmação do socialismo e do anarquismo como teorias da moda. Os malandrins de Barcelona, mais do que os operários e oprimidos, são o meio em que essas ideias ganham assento. Ao longo do livro vamos sorrindo com um sentido de humor alucinante: do sorriso discreto à gargalhada desabrida vão dois passos, num estilo original e muito fluido. Aliás, é incrível a capacidade de Mendoza para fazer “parêntesis” de duas ou três páginas sem que o leitor perca o fio à meada.
A análise do contexto histórico é excelente: dá-se conta da origem da moderna Barcelona a partir da exposição universal de 1888, num olhar irónico sobre o sucesso de toda a sorte de malandros e rufiões; eles podem ser o coração de uma cidade, mais do que os políticos.
O início do século XX é sempre uma época de eleição para qualquer escritor tais são as novidades; uma das mais espetaculares é o cinema, que Onofre ajudou a levar até Barcelona. Em 1923 dá-se o golpe fascista de Primo de Rivera; a ameaça do extremismo catalão foi uma das causas da instauração da ditadura; é a cidade condal no centro da contestação.
Esta faceta rebelde da Catalunha é o âmago da obra: “Nós, os pobres, só temos uma alternativa, dizia de si para si, a honestidade e a humilhação ou a maldade e o remorso. Isto era o que pensava o homem mais rico de Espanha” (página 292).
A Barcelona moderna surge com o genial Gaudi. No entanto, mesmo neste domínio, Mendoza não deixa de pintar a realidade com tons surreais, apresentando-nos o famoso arquiteto num estado de decadência e decrepitude.
Mas é a aviação que vem fornecer a vertigem dos novos tempos…
A exposição universal de 1929 era a oportunidade de afirmação de Primo de Rivera. Mas foi, pelo contrário, um sinal de falência do sistema capitalista, quatro meses depois do crash da bolsa de Nova Iorque.
A questão fundamental é esta: Vale a pena lutar pela glória? Vale a pena pagar preços tão altos? A questão é posta por Onofre mas podia ter sido posta pela cidade… implícita nesta estória está uma crítica mordaz ao individualismo burguês.
Ao individualismo, Mendoza contrapõe a cidade; um povo que lutou sempre contra a hegemonia da capital e fez da Catalunha um estado autónomo; não se trata da afirmação da cidade em termos económicos nem urbanísticos, mas da cidade como comunidade, com a sua identidade rebelde mas inquebrantável.
segunda-feira, 15 de maio de 2023
Agnes Obel
Agnes Obel é uma cantora, compositora e pianista dinamarquesa que ajuda a tranquilizar e a viajar, pela forma como trata a música, proporcionando sonoridades únicas.
O seu primeiro álbum, “Philharmonics”, foi lançado em 2010 e confirmou uma nova voz na música que foge aos padrões da pop e consegue embalar-nos com uma melancolia serena e inabalável, confirmada pelos trabalhos seguintes, “Aventine” (2014), “Citizen Of Glass” (2016) e “Myopia” (2020).
As suas canções são despojadas, quase intimistas. Parece soprar uma chama que não quer apagar. Vale a pena descobri-la…
terça-feira, 2 de maio de 2023
Leituras do Mês
- Amos Oz – Não Chames Noite À Noite
- Nick Cave – A Morte De Bunny Munro
- Neil Jordan – Amanhecer Com Monstro Marinho
- Eduardo Mendoza – A Cidade Dos Prodígios
segunda-feira, 24 de abril de 2023
Close, de Lukas Dhont
Filme poderoso, extremamente bem realizado e com excelentes interpretações. O ainda jovem realizador belga Lukas Dhont volta a emocionar-nos após a estreia em “Girl” de 2018, onde o jovem Victor Polster interpretava o papel de um adolescente que entrava numa escola de dança ao mesmo tempo que lidava com as questões da identidade de género.
Agora, em “Close”, faz uma reflexão comovente sobre a fragilidade das relações humanas e sobre a forma como as pressões sociais podem destruir a pureza das ligações na infância. Centra-se em Léo e Rémi, dois rapazes de 13 anos que partilham uma amizade muito próxima e intensa. Passam o verão juntos num ambiente rural idílico, inseparáveis e cheios de alegria. No entanto, quando regressam à escola, os colegas começam a questionar e comentar a natureza da sua relação, insinuando que existe algo “mais” entre eles. Confrontado com essa pressão social e com o medo do julgamento, Léo começa a distanciar-se de Rémi - um afastamento que terá consequências devastadoras.
“Close” é um retrato sensível de um momento na vida de dois adolescentes em que a sexualidade começa a revelar-se. Está ainda repleto de temas colaterais, como a perda, a culpa, os limites da amizade, o lugar do outro, a responsabilização, aqueles momentos, por vezes trágicos, em que se passa da adolescência a um estado praticamente adulto.
É um filme silencioso, poético e profundamente tocante. Seguramente um dos melhores do ano.
domingo, 23 de abril de 2023
sábado, 25 de março de 2023
Owen Pallett / The Hidden Cameras (GNRation, 24 de Março)
Owen Pallett, antigo membro de The Hidden Cameras, juntou-se ao seu líder Joel Gibb em palco para celebrar o legado histórico que os canadianos deixaram na música pop contemporânea.
O espetáculo iniciou-se com Gibb a solo, todo vestido de branco, com guitarra e bateria e adereços, diz-nos, comprados à tarde numa loja chinesa de Braga, a tocar algumas das canções do disco “The Smell of Our Own”, que celebra agora 20 anos de existência (a primeira foi “Golden Streams” seguida por “A Miracle”, “Shame”, “Boys Of Melody” e “Ban Marriage”) e novas composições para o seu álbum previsto para 2024. Composições irreverentes e diversas influências, que vão desde o folk ao rock’n’roll.
O virtuoso do violino, compositor e produtor, Owen Pallett é um dos músicos mais aclamados no Canadá, com influências que vão desde o pop e rock à música eletrónica, sendo reconhecido pelo seu trabalho a solo e pelos arranjos de orquestra para alguns dos maiores músicos da atualidade. Em 2005 estreou-se a solo como Final Fantasy com o disco Has a Good Home, seguindo-se He Poos Clouds. O seu trabalho com os Arcade Fire, no disco The Suburbs (2011), foi distinguido com um “Grammy”. Esta noite aproveitou a ocasião para celebrar a reedição daqueles dois álbuns de estreia como Final Fantasy.
Á partida poderiam ser dois concertos distintos, mas não foi isso que aconteceu, pois por diversas ocasiões durante o espetáculo, atuaram em conjunto, misturando cumplicidade musical e uma amizade que vai resistindo ao tempo e à distância.
O espetáculo iniciou-se com Gibb a solo, todo vestido de branco, com guitarra e bateria e adereços, diz-nos, comprados à tarde numa loja chinesa de Braga, a tocar algumas das canções do disco “The Smell of Our Own”, que celebra agora 20 anos de existência (a primeira foi “Golden Streams” seguida por “A Miracle”, “Shame”, “Boys Of Melody” e “Ban Marriage”) e novas composições para o seu álbum previsto para 2024. Composições irreverentes e diversas influências, que vão desde o folk ao rock’n’roll.
O virtuoso do violino, compositor e produtor, Owen Pallett é um dos músicos mais aclamados no Canadá, com influências que vão desde o pop e rock à música eletrónica, sendo reconhecido pelo seu trabalho a solo e pelos arranjos de orquestra para alguns dos maiores músicos da atualidade. Em 2005 estreou-se a solo como Final Fantasy com o disco Has a Good Home, seguindo-se He Poos Clouds. O seu trabalho com os Arcade Fire, no disco The Suburbs (2011), foi distinguido com um “Grammy”. Esta noite aproveitou a ocasião para celebrar a reedição daqueles dois álbuns de estreia como Final Fantasy.
Á partida poderiam ser dois concertos distintos, mas não foi isso que aconteceu, pois por diversas ocasiões durante o espetáculo, atuaram em conjunto, misturando cumplicidade musical e uma amizade que vai resistindo ao tempo e à distância.
sexta-feira, 24 de março de 2023
Sons da Primavera
1. David Bowie – You Feel So Lonely You Could Die
2. PJ Harvey – Who By Fire
3. Son Lux, Mitski, David Byrne – This Is A Life
4. London Grammar – Lord It´s A Feeling
5. Belle and Sebastian – I Don’t Know What You See In Me
6. Daughter – Be On Your Way
7. Thus Love – Centerfield
8. Yeah Yeah Yeahs – Wolf
9. Yves Tumor – God Is A Circle
10. Dream Wife – Leech
11. Nothing But Thieves – Welcome To The DCC
12. Catbear – I Choose Love
13. The 1975 – I’m In Love With You
14. Emily Jane White – Washed Away
15. Beck – Old Man
16. Måneskin – The Loneliest
17. Miley Cyrus – Flowers
18. Trvstfall – Sing Louder
19. Boygenius – Not Strong Enough
20. The Regrettes – You’re So F**cking Pretty
sexta-feira, 10 de março de 2023
Nina Nastasia (GNRation, 10 de Março)
"I f*****g love Portugal"
A autora de “A Dog’s Life” trouxe consigo o novíssimo Riderless Horse, sétimo álbum de carreira que assinala o fim de um silêncio discográfico de doze anos. Trata-se do primeiro disco desde a morte do marido Kennan Gudjonsson, com quem travou uma longa e abusiva relação, amorosa e profissional, documentando a dor e o luto através de doze transformadoras canções. Assim, neste disco, Nina Nastasia não celebra um momento feliz e estável da sua vida, apenas tenta recuperá-la, salvando-a do momento mais triste e doloroso da sua existência.Riderless Horse é um despojado e arrepiante conjunto de canções que nos conta os diversos momentos da relação, dos mais sombrios aos mais esperançosos. Nas últimas palavras de Riderless Horse, diz-nos “I wanna live, I’m ready to live”, deixando-nos o coração aquecido de esperança. Há momentos em que dizemos que a arte salva, mas poucas as vezes isto foi tão evidente e tão profundamente emocionante.
Numa sala esgotada e sem direito a lamentos ou queixumes, a cantora folk norte-americana, uma talentosa cantora e compositora conhecida pela sua abordagem única e emocional na música, apresentou-se sozinha mas segura, criou uma atmosfera íntima e envolvente, e percorreu todos os seus sete discos com canções excelentes, destacando-se "This Is Love", "Nature" ou a arrepiante "The Two of Us". Pelo meio esqueceu-se de uma letra, que justificou com um "Brain Fart" e soltou um espontâneo "I f*****g love Portugal". O público compreendeu mostrando-se sempre recetivo e interessado e ainda participou em coro num "happy birthday", que a cantora registou no telemóvel e com destino a um tio nonagenário!
O espetáculo foi verdadeiramente especial e deixou uma marca indelével na minha memória.
quarta-feira, 8 de março de 2023
Ice Merchants
Este ano, pela primeira vez, um filme de produção portuguesa foi candidato aos Oscars, mais precisamente o de melhor curta-metragem de animação.
Intitula-se “Ice Merchants” (“Negociantes de Gelo”), tem 14 minutos e foi realizado por João Gonzalez, cineasta do Porto.
O resumo é fácil de fazer: um homem e o seu filho vivem num pequeno chalé pendurado na parede de uma imponente montanha. Lá, fabricam gelo que vendem numa vila a alguma distância do sopé da elevação. Para servirem os clientes, voam literalmente ao seu encontro.
Filme assente em pormenores, em pequenos gestos estranhos porque pouco habituais, pois nada sabemos do ofício de negociar gelo, começa por estranhar pelo absurdo de alguém que sobrevive vendendo gelo a quem vive perto de uma montanha coberta de neve...
Limitado nos tons cromáticos em que assenta, utilizados para diferenciar os dois centros da ação, mas também para simbolizar a união do pai e da mãe (ausente?, mas nem sempre...), “Ice Merchants” no minimalismo da sua conceção, na vertigem da sua narrativa com os mergulhos sem rede para o abismo, e no inesperado do seu tom, desconcerta pelo círculo vicioso, qual pescadinha de rabo na boca, que move e condiciona os mercadores.
Termina, de forma trágica, mais impactante dado o humor ligeiro que perpassa por todo ele e na cena final, com uma mensagem ecológica que alerta para a responsabilidade individual de cada um... porque – e quem assistir entenderá – para nós não haverá um paraquedas suplente nem uma almofada que nos ampare a queda.
Limitado nos tons cromáticos em que assenta, utilizados para diferenciar os dois centros da ação, mas também para simbolizar a união do pai e da mãe (ausente?, mas nem sempre...), “Ice Merchants” no minimalismo da sua conceção, na vertigem da sua narrativa com os mergulhos sem rede para o abismo, e no inesperado do seu tom, desconcerta pelo círculo vicioso, qual pescadinha de rabo na boca, que move e condiciona os mercadores.
Termina, de forma trágica, mais impactante dado o humor ligeiro que perpassa por todo ele e na cena final, com uma mensagem ecológica que alerta para a responsabilidade individual de cada um... porque – e quem assistir entenderá – para nós não haverá um paraquedas suplente nem uma almofada que nos ampare a queda.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023
Leituras do Mês
- David Galgut – A Promessa
- Giorgio Van Straten – Histórias de Livros Perdidos
- José Carlos Barros – As Pessoas Invisíveis
- Anna Politkovskaya – Um Diário Russo
- Giorgio Van Straten – Histórias de Livros Perdidos
- José Carlos Barros – As Pessoas Invisíveis
- Anna Politkovskaya – Um Diário Russo
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
Chris Cleave – A Pequena Abelha
Sarah é uma inglesa de classe média com tudo o que uma cidadã desse estatuto costuma ter num país civilizado: filho, marido, amante e um emprego razoável. Mas nem por isso a sua vida é pacífica; quando não temos problemas de sobrevivência, podemos dar-nos ao luxo de arranjar problemas sentimentais. Para fugir a esses problemas, Sarah e o marido resolveram passar umas férias na Nigéria. Aí conheceram Abelhinha mas a vida do pacato casal britânico sofreria um golpe tão rude que nunca mais se conseguirá recompor.
Um certo humor, construído a partir da ingenuidade da alma africana, dá um pouco de leveza a esta estória, absolutamente triste. O elemento feminino, sofredor e sensível é claramente colocado em oposição ao masculino, egoísta e violento. Na Europa como em África, o homem procura impor o seu poder. Os ingleses, civilizados, apenas escondem a violência em subterfúgios, em aparências; o que em África se faz com catanas e espingardas, em Inglaterra faz-se com computadores e papéis.
Há neste livro ideais a aspetos simbólicos verdadeiramente geniais. Apenas alguns exemplos: no centro de detenção, Abelhinha reflete, perante as marcas de sofrimento que as suas colegas exibiam: “uma cicatriz não se forma naqueles que estão a morrer. Uma cicatriz significa «eu sobrevivi»”. Uma rapariga que acompanha Abelhinha nesse centro transporta um saco de plástico cheio de amarelo. Aos nossos olhos seria um saco vazio e inútil. Mas quem perdeu tudo transposta sempre algo. Nem que seja a esperança; a cor viva da esperança ou de uma réstia de alegria…
Um dia, Oscar Wilde afirmou que só a beleza pode salvar o mundo. Assim descontextualizada, esta frase torna-se vaga. Mas Abelhinha faz-nos compreender Wilde quando afirma: “ninguém gosta de ninguém mas todos gostam dos U2”. A música, a arte, a beleza, são raios de sol neste mundo a que chamam global mas onde as atrocidades persistem.
E o final do livro é outro raio de sol. A maldade persiste; a infelicidade não desaparece mas há as crianças; e com elas a esperança e a beleza nunca morrerão.
domingo, 15 de janeiro de 2023
Sobre a Inteligência Artificial (AI)
Começou por ser uma brincadeira de nerds, evoluiu para uma ferramenta engenhosa usada por alunos cábulas, derivou para uma atrativa solução empresarial e industrial, afirmou-se como fonte fidedigna de órgãos de Comunicação Social, passou a integrar a máquina de propaganda e desinformação de algumas tribos e, hoje, é encarada como uma séria ameaça ao curso da História, potenciando teorias que anteveem que o fim da espécie humana pode, afinal, não ter causas naturais, mas baseadas na programação informática. A Inteligência Artificial (IA) veio para ficar. Não acabará com o Mundo (esperamos), mas ajudará certamente a mudá-lo. Tentar travá-la apenas porque temos medo terá, provavelmente, o mesmo efeito inconsequente produzido há umas décadas quando nos assustámos com o advento da Internet.
Não conhecemos ainda em profundidade todas as virtualidades desta revolução (e muito menos todos os perigos), mas a melhor forma de enquadrar esta parcela imparável do futuro é recorrendo às leis. E essas ainda são os homens a desenhar.
A União Europeia começou a redigir o “AI Act” há quase dois anos para regular a tecnologia que explodiu após o lançamento do ChatGPT, o aplicativo de consumo com o crescimento mais rápido da História (atingiu os 100 milhões de usuários ativos mensais em poucas semanas).
Neste momento, os legisladores estão a aperfeiçoar o quadro legal, para estabelecer barreiras em função dos níveis de risco: de mínimo a limitado, de alto a inaceitável, abrangendo áreas que vão da vigilância biométrica à disseminação de informação falsa ou ao uso de linguagem discriminatória. O Parlamento Europeu está a fazê-lo de forma sensata, procurando um justo equilíbrio entre os direitos dos cidadãos, o progresso tecnológico e o crescimento económico.
Não censurando o desconhecido, mas preparando as válvulas de escape que melhorem a aculturação de uma realidade que é tudo menos artificial.
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