quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Ken Follett - O Preço do Dinheiro



Se há autor que tem galgado posições no meu top pessoal de preferências, esse autor é Ken Follett.

O grande senhor de "Os Pilares da Terra" e da "Trilogia o Século" é, aos 73 anos, um dos mais versáteis dos grandes ficcionistas contemporâneos. Poucos como Follett exploram universos ficcionais tão distintos. Depois de ter descoberto o imenso manancial proporcionado pelo romance histórico, Follett parece ter fixado aí o seu foco. No entanto, ao longo da carreira navegou por vários outros universos. E foi por isso que empreendi esta leitura com grande expetativa, tendo em conta que se trata de uma da primeiras obras de Follett. Aliás, este livro foi publicado em 1977 sob um pseudónimo diferente: Zachary Stone.
O caráter pioneiro deste livro fica bem patente numa abordagem algo ingénua, de um tema muito explorado: a criminalidade da alta finança, por oposição a uma pequena criminalidade quase desculpável e mesmo apresentada com alguma simpatia.

No entanto, este livro, escrito por Follett aos 28 anos, denota já alguns nítidos traços de génio. O primeiro desses aspetos é a visão bem nítida de uma comunicação social poderosa mas ao mesmo tempo sensível e exposta ao mundo da grande criminalidade. Fica claro que a Comunicação Social constitui um poder extraordinário na divulgação de factos e mesmo no desmascarar de criminosos mas, ao mesmo tempo, ela é o alvo prioritário dos grandes malfeitores; a grande criminalidade sabe que tem de controlar a comunicação social. O segundo aspeto interessante desse jovem escritor de 1977 é a análise psicológica e sociológica da pequena criminalidade, organizada em grupos de criminosos que não passam de “peões” perante os grandes criminosos de colarinho branco.

Globalmente, é um livro que se lê com muito agrado, uma daquelas obras que nos faz passar uma insónia agradável mas que, mesmo assim, nos pode explicar algo sobre o lado negro do sistema capitalista liberal; está em causa o poder das grandes finanças mas também a falta de ética de alguns senhores da grande finança que não hesitam em recorrer aos meios mais criminosos para atingir os seus objetivos.



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